1a SEMANA

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No final do ano passado foi criada uma Comissão para construir a Semana de Integração da Faculdade. Depois de várias reuniões, com a participação do Centro Acadêmico, da Atlética e de professores da Faculdade... tudo azeitado. Um convite bacana e a Programação Oficial foram enviados para a casa de todos os discentes da faculdade – calouros e veteranos.

A Semana de Integração estava muito interessante: “Música para recebê-los” com o coral da faculdade; conferências com temas e palestrantes inteligentes e cativantes; oficinas culturais da melhor qualidade - dança de salão, forró, samba de roda, capoeira, maculelê; jogos e brincadeiras muito divertidos e uma festa na sexta-feira com direito a performances, muita música, iluminação, decoração etc.

É, mas minhas possibilidades de compreender o mundo foram confrontadas. Ao final das atividades do 3º dia, tanto às 11h da manhã, quanto às 21 horas, era chegado o momento de pintar os calouros! Hora esperada com euforia pelos veteranos e com grande ansiedade pelos calouros. Andar com bolinhas verdes pelo rosto, nariz azul, chifrinhos, óculos vermelhos ou bigode de gatinho, era parte da diversão, da brincadeira, até mesmo do ritual de ingresso na universidade! Tudo muito lúdico. Vã sabedoria!

A tinta era passada impunemente pelo rosto, com excessiva atenção às orelhas e ouvidos; a ordem era: “fecha o olho” e lá vinha tinta da testa ao pescoço com a mão pesada e aberta. Na cabeça o que se via era tinta aos tapas. Os cabelos, muito mais do que com mechas coloridas, ficaram completamente empastados de guache. Mãos masculinas de tinta encarregaram-se de pintar os corpos das calouras, principalmente das mais “formosas”. De repente, pó de café, este recebido com um safanão na nuca. Farinha de trigo por cima, por baixo, ao vento. O balde com água, devidamente acrescido de terra, sempre jogado por homens em homens. Os calouros eram ordenados a se deitar no chão. Aí vinha a senha: “Levanta! Olha a onda!”.

Não havia defesa. Os calouros foram obrigados a laçar as mãos entre si. Mal podiam abrir a boca porque comeriam tinta, farinha, café ou sabe-se o que mais. Tentei conversar; chamei a atenção; presenciei bate-bocas; tive medo. Alunos do CA e da Atlética também tentaram coibir a barbárie.

Os futuros professores (alunos de 2º, 3º e até 4º ano) gritavam, pulavam, riam, desfrutavam de imenso prazer, muitos estavam adrenalizados, gozavam... a sua alegria era proporcional a humilhação do “bixo”. Eu e mais dois professores desrespeitados em nossos apelos, confrontados, tristes, indignados e frustrados, protocolamos uma carta na faculdade. Em casa, quieta, eu chorei. Alguns professores enviaram e-mails de solidariedade. Confesso que não sei como tudo terminou!

2 comentários:

Fernanda Ramirez disse...

Diná... que bom que conseguiu postar aqui!!! Adorei, se bem que me fez pensar na nostalgia em que nós, professores, estamos envolvidos. Beijão.

Anônimo disse...

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