Túnel do meu Tempo

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Em dezembro de 2003 estava eu treinando na Cidade Universitaria. Era um sábado ensolarado, na subida do Matão, o cérebro já cansado, as pernas pesadas e uma vontade enorme de parar. O treino era de 15 km, eu tinha percorrido apenas 3. Ou seja, eu tinha feito pouco perto do que eu tinha como meta. De repente passou por mim um senhor alto, negro, forte. Claudicava de uma perna, mas subiu na minha frente. Ele tinha uns 80 anos de idade. Eu pensei, poxa vida, como isso é possível. Eu, aos 50 anos, sou uma criança perto deste senhor.

Vou continuar, vou me concentrar, coordenar a respiração e vou em frente, vou atingir o objetivo traçado. E lá fui eu. Desci a Biologia, passei pela praça do relógio, entrei à esquerda antes do portão principal e desci em direção à avenida da raia olímpica. Quem diria, eu já estava perto do final. Com o tempo de 1:40' eu cheguei ao final do percurso. Exausto, dores, endorfina, sede, fome e por incrível que pareça eu estava feliz. Eu tinha conseguido completar pela primeira vez um percurso tão longo. Quando eu cheguei meus técnicos me cumprimentaram, os outros colegas da equipe também. A equipe chama-se Medley, os técnicos são o Ademir Paulino e o Leandro Ferreira. Me ensinaram a correr, a pedalar e a usar adequadamente as energias que existem em mim, a neural, muscular e cardiorespiratória, principalmente a neural. Vendo o trabalho desses técnicos, que me fizeram atleta aos 50 anos, despertou em mim o desejo de fazer o mesmo por outras pessoas que acima dos 40 não têm mais perspectivas em suas vidas, pessoas sedentárias, cansadas e que vivem dando milho aos pombos, pessoas doentes. Pois é. Isso tudo prá dizer porque, após 30 anos da primeira faculdade, resolvi voltar ao banco de uma sala de aula, mais um desafio a ser enfrentado. Eu com 50 anos voltando à universidade ao lado de meninos e meninas com idade dos meus filhos.

E que decisão perfeita essa que eu tomei. Como eu tenho aprendido com essas crianças. Crianças alunos, crianças professores. E quanto eu tenho podido ensinar e colaborar com a formação de várias delas. Como esse curso me revitalizou, como aprender me rejuvenesce.

Dizer ao mestre:
Por favor professora, dá prá explicar de novo?
Por favor professor fala mais devagar, não estou entendendo.

Ou então, dizer ao colega:
Pô meu cê tá atrapalhando, dá um tempo.

Ou então ouvir:
Ô tiu, você é Nerd prá cara....

Outra coisa incrível, apaixonar-se pela professora, até isso, eu cheguei a me apaixonar por uma delas no segundo ano. Isso tinha acontecido em 1961, no segundo ano do primário, pouco após a metade do século passado. É um reviver diário, é um retorno à mais pura e importante fase das nossas vidas.

É O TÚNEL DO MEU TEMPO!!!!

1 comentários:

Anônimo disse...

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