Alunos Contemporâneos

2 comments
No meio da semana recebi um texto interessantíssimo: "Platéia Contemporânea", escrito pela Soll (divulga ele aqui também amiga, porque vale mesmo muito a pena). Trata-se de uma discussão sobre a presença de crianças em exposições de arte, espetáculos de dança etc e tal. É sobre a tal da inquietude e espontaneidade própria dos miúdos (como dizem os portugueses) que exploram o mundo, e que incomodam muitos adultos já acorrentados em seus próprios corpos e pensamentos globalizados. Acho que é por conta de uma liberdade perdida, o incomodo. Afinal, até quantos anos a gente pode ser a gente mesmo? Lacan, psicanalista francês, disse certa vez ter 5 anos. E que ter 5 anos quando adulto é uma benção. Ser você mesmo aos 30, 40, 50 anos só tende a ser sublime mesmo.

Então eu fiquei pensando, enquanto a Soll discutia como se forma uma pláteia contemporânea (e concluiu que isso só pode se dar a partir da experiência, e pela vivência naquilo que agrada e naquilo que desagrada quando se pode dizer sim ou não para as coisas - ter os tais dos 5 anos), que nossos alunos não são "educados" para pertencerem à sua posição de alunos contemporâneos porque eles não são experimentáveis, não são permitidos a terem 5, nem 7, nem 11 anos. E que, sim, eles são "educados" para serem obedecerores de uma ordem decrescente, instituida pela ONU. Esta, ao querer que o analfabetismo fosse erradicado em 10 anos nos países subdesenvolvidos (já se passaram 8 e nossas crianças vivem de aprovações automáticas de um ensino falido, mas numericamente melhor), estabeleceu parâmetros em torno do mercado de trabalho ao encarar a educação como uma ferramenta feita para formar empregados disciplinados (ops, educados).

Eu quero dizer um palavrão aqui, mandar muita gente responsável pela educação praquele lugar. Eu não sei nada de platéia muda ou de platéia falante. Eu sei que a gente só pode ser a gente mesmo quando nos é permitido expor nossos próprios dizeres, e que eles não sejam cópias de outros dizeres, de uma política politicamente correta que não existe. Porque é moda ser a favor das cotas para negros. É moda processar qualquer pessoa por racismo por um uso supostamente inadequado de palavras. É moda encher o saco do professor quando ele divide a turma na metade e diz para uma parte ir para o lado de lá e o resto para o lado de cá. Resto? Qual é o problema? Me processa então, e continue a ser um aluno enlatado.

Eu não conheço um único aluno contemporâneo, mas já estou com saudades dele.

2 comentários:

Anônimo disse...

muito bom Fê, eu tbm não tenho muitos alunos contemporâneos. o que é uma pena. Soll

ps. vou continuar o debate aqui! bjs

Anônimo disse...

Ah! Então volta, porquê o sentimento é recíproco! =\
Quanto ao "resto", esses adoram fazer discursos lindos, mas na hora da prática tomam atitudes completamente diferentes! Pura hipocrisia!
"Abaixo a competição!" dizem estes, mas seja melhor pra ver suas caras de fúria! Sabe?!
Sentir como se tivesse cinco anos são momentos raros e muito bons! Dizer e fazer coisas sem se importar se os outro vão te taxar de p. s. ou o que for! Danem-se eles!
Bjão!
De quem te adora!!