Ecos da Oca e da Eca

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De segunda e terça eu enfrento um trânsito caótico para chegar do outro lado da cidade, avançar os muros da Cidade Universitária, e encarar o curso de Especialização em Divulgação Científica no prédio da ECA (Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo). Nos corredores, um alerta:

FUMANTE EDUCADO NÃO FUMA EM AMBIENTES FECHADOS!
Obs: os corredores não têm janela.

Perfeito isso. E perfeito foi o vendedor da Revista Ocas, aquela que é publicada pela Organização Civil de Ação Social, e cujo objetivo é a reintegração dos moradores de rua à sociedade. Perfeita a idéia. Mas então o vendedor, que adquire a revista por 1 real e vende por 3, ficou me olhando um tanto arregalado quando eu disse: "não! Quero esta de 2004, falando das Olimpíadas de Atenas, é a minha área!". De tanto espanto ele não aguentou:

"É tão dificil vender as revistas na Escola de Educação Física e Esportes, lá eles não têm cultura de leitura, é terrível!"

Fiquei puta de ouvir isso de um morador de rua. Não pelo morador de rua, mas pelo fato de que a verdade dói. E como dói. Além de ter saído de lá com uma baita dúvida martelando minha cabeça:

Será que morador de rua lê mais que aluno de curso superior?

Será? Não sendo radical, sei que tem os que vão dizer que sim e aqueles que vão dizer que não. Depende do aluno, depende do morador de rua. Mas que parece que tem um desencaixe aí, parece. É que é inadmissível, no jargão do séc XXI, existirem moradores de rua e adultos alfabetizados para serem apenas funcionais.

2 comentários:

Solange disse...

amiga, já encontrei mesmo foi uma legiao de porteiros e de guias de elevadores (rsss) que têm mais leitura que muita gente que entra nos prédios chiques e sobe de terno e gravata... acho que leitura é um hábito sem classe social... sera?

José Maria disse...

Fernanda, a Biblioteca Mario de Andrade está mais uma vêz entrando em reformas, pois pelo descaso das nossas autoridades perdeu muito dos frequantadores e pesquisadores que tem acesso a outras. Parece que agora a reforma vai procurar oferecer melhores condições. No momento os grandes frequentadores, os grandes devoradores de jornais, revistas e livros são os moradores de rua que ficam lá boa parte do tempo. E vão lá para ler mesmo, conforme declaração dos funcionários.