Os Ossos

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Toda profissão tem "ossos". Algumas tem ossos de costelas, outras de pescoço. Tem gente que gosta de chupar osso. Outros preferem roer. Há quem enterre os ossos feito cão para dar uma lambida mais tarde. Há quem taque osso na cara do outro. Tem um que rouba osso alheio...

No mundo acadêmico, o início de semestre significa luta de feras e distribuição de ossos.

Dizem que para se ficar em pé é preciso ter ossos. São eles que sustentam o corpo e dão movimento. Dizem também que a expressão "ossos do ofício" veio da outra "ócio do ofício". Enquanto o osso do ofício é uma coisa chata a se fazer, o ócio é o que empaca o serviço. Independentemente do significado real das expressões, professor parece um desocupado, que tem que levar mil trabalhos para casa, corrigir trabalhos e papéis aos quilos, imaginar atividades legais, fazer diário, lançar notas e, sobretudo, ter a cara boa durante sacais reuniões de coordenação.

Ouvir a mesma ladainha (mais um ditado!) é a sina de professor. Entra semestre, sai bimestre, entra prova, sai vestibular, lá vai o bloco docente bater ponto na reunião de diretoria. Para quê? Comer osso!

Se professor não tem voz, não tem vez, não influencia resultados burocráticos, para que serve ele na reunião? Eu explico: quorum! Ossada!

Qual é o dono/reitor/mantenedor/diretor de faculdade que não quer ter seu momento de estrela? De palco? O professor tem o palco o ano todo, nada mais justo que ele vire platéia. O problema é o oco da reunião, pois ela não serve para nada que não seja a vaidade e o ego do palestrante institucionalmente investido de poder de mando.

Lá vai "o galochas" discursar sobre horário, jaleco, ponto, nota, freqüência, blábláblá. Eu nunca estive em uma reunião que tivesse pauta, ou que se tivesse prestasse ou que se prestasse se abrisse ao debate.

Não. Reunião pedagógica de graduação é enlatado ruim de TV ou novela repetida da tarde. Só que não vale a pena ver de novo. Reunião pedagógica de graduação é para distribuir o "pensamento de Shakespeare" tirado - por algum ser iluminado pensante - da internet, espalhado via power point, que remexe os ossos do imortal escritor (e provoca risada nos poucos que entendem o que se passa). Reunião pedagógica é para dizer que não pode deixar aluno sair antes de bater o sinal. Anh?

É isso mesmo, bem-vindo ao maternal.

Outro dia, durante a aula, um aluno me perguntou se podia ir ao banheiro. Outra me perguntou se podia sair para tomar água.

Reunião acadêmica serve para dizer ao professor que ele é um bosta. Que ele é um tapado. Mas serve também para os docentes se morderem de raiva ou plantar uma batata na cara de alguém quando vêem que a carga horária foi "roubada" por outro "colega".

É nesse momento que a cachorrada rói o osso. Estapeiam-se para pegar a disciplina X, a Y e a J. Todo mundo querendo o osso. Por que já não há filé na academia. Hoje o que resta é a carrocinha esperando na porta o próximo cão ou cadela demitida. Hoje o que se tem são semestres diferentes em mesma sala de aula, o osso em dobro para lançar no sistema. Alunos a mais, dinheiro a menos.

A reunião pedagógica, ou acadêmica se preferir, deveria ser rebatizada. Encontro do osso. Particularmente, duro demais de roer. Mas não há opção, ou se rói o osso ou se fica no lugar dele...

Pai nosso de cada dia dai nos a fé! Amém!

2 comentários:

Fernanda disse...

Além da endogamia, o osso. E, gugu-dadá, lá vem o porfessor supernani dá chupeta pra bebê não chorar!

Soll disse...

dá dá dá dá creu