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28/07/2006 - 10h15
Promotor exige que USP retire crucifixo de clínica
JOSÉ ERNESTO CREDENDIO
da Folha de S.Paulo

O Ministério Público enviou ofício à USP (Universidade de São Paulo) cobrando a retirada de um crucifixo colocado na sala de espera da clínica odontológica, por onde passam cerca de 1.400 pessoas por dia, após receber queixa de uma pessoa que alegou ter ficado incomodada com o objeto.

Procurada desde quarta pela Folha, a USP não se manifestou. Se o crucifixo continuar na clínica, a universidade será acionada pelo promotor de Justiça Sérgio Turra Sobrane.

A representação foi protocolada por Vicente Ciccone, que não quis comentar o caso. A Promotoria vai apurar eventual desprestígio a outras crenças religiosas. A queixa segue o princípio institucional de que o Estado é laico, ou seja, não poderia ostentar nem demonstrar nenhuma preferência religiosa, como diz a Constituição.

Como a USP é um órgão público, não poderia, em tese, manter o crucifixo no local. A ligação entre Estado e a Igreja Católica chegou a constar na Constituição de 1824, ainda no Império, mas foi abolida na Constituição de 1891, a primeira da República.

Para o promotor, embora seja um costume arraigado, a legislação é clara ao não permitir que Estado e igreja se misturem, o que hoje ocorre normalmente em teocracias, como o Irã, de governo muçulmano. "No Brasil, até prédios da Justiça costumam manter crucifixos, mas sou contra", diz.

O padre Juarez de Castro, secretário-geral do Viricato Episcopal de Comunicação da Arquidiocese de SP, concorda que o Estado deva ser laico, mas não vê problema em manter o crucifixo. "Deve-se perguntar o que o povo quer, o crucifixo leva conforto às pessoas."

Ateu, o professor João Zanetic, diretor da Adusp (associação dos docentes da USP), considera a questão polêmica. "Nunca discutimos isso, mas a USP deve ser laica", afirma.


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Apesar da matéria acima ter acontecido em 2006, é fácil notar o quanto a igreja Católica insiste em se meter nos rumos do Estado Brasileiro. A discussão agora sobre células tronco é belo exemplo disso. Como pode alguém discutir constitucionalidade de um projeto de pesquisa científica baseado em crenças religiosas? É UM ABSURDO!
O fato de exibir-se o "cristo", "cruzes", "santos" e outras heranças do império fazem deste país um híbrido-democrático-católico-laico-zoneado! Votar importantes questões para o país sob os pés de cristo pregado na cruz, ninguém merece! Até quem não acredita nele, ou principalmente estes não merecem!

Por isso, a campanha Brasil para todos (http://www.brasilparatodos.org/?page_id=5) é um movimento educativo. Lá tem os argumentos para que se retire enfim todas as imagens cristãs das repartições públicas. Devemos ensinar aos nossos filhos, jovens, futuros governantes, quem governa este país. Devemos ensinar aos nossos netos os lugares adequados para cada coisa. Imagens na igreja, constituição no plenário. Cristo na cruz é para altares, museus e a lei deve ser cumprida. Para que não haja confusão sobre direitos, deveres, coletividades, ciência, legalidade etc. O processo das células-tronco está com vistas... Quem pediu é um membro da Associação de Juristas Católicos... o que esperar de nobre figura? Bem fez Ellen Gracie, que apesar de católica julgou o pedido nos termos da lei. Cumpriu o seu papel de juíza e não de devota de a ou b.

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