Nada de Novo

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Em 1993 eu fui ao Circo. Mas não foi um circo qualquer, eu fui ver Parlapatões, Patifes e Paspalhões. Fui ver "Nada de Novo" na arena montada no Centro Cultural Vergueiro, aqui em São Paulo.

Certa hora, os palhaços ganharam o picadeiro de uma forma nada nova. Fazendo justiça ao nome do espetáculo, tudo velho outra vez: aqueles abraços que não se encaixam, aquela flor que espirra água em nariz de cheirador, aquelas puxadas de cadeira que faz palhaço cair em vão enquanto o outro ri...

No meio do caminho um texto mais ou menos assim:

- ei
- hum
- você sabe onde a gente está?
- eu sei onde a gente está!
- onde?
- perdido!
- e você, sabe onde a gente está?
- eu sei onde a gente está.
- onde?
- perdido!

Assim mesmo. Uma coisa volta e meia, meia-volta. De um jeito a parecer não quererem ir, de fato, para lugar algum. E se não iam a lugar algum, de fato, estarem perdidos era um lugar de mão e não um lugar de contra-mão.

Ir até a faculdade também não me traz nada de novo. Apenas tudo velho outra vez: os mesmos autores, os mesmos livros, as mesmas pesquisas, os mesmos textos de sempre, agora com outros nomes (excluindo-se o dizer das citações, claro!).

É como se, passados dez anos, o tempo parasse. Mas o tempo não parou e, então, recorro ao cansaço. É apenas cansaço mesmo, de ver o mesmo lugar de sempre, com a mesma idéia de sempre, com os mesmos professores levando suas vidinhas acadêmica de sempre, e que tanto almejo.

Apenas cansaço ou apenas um erro de estratégia. Graduar-me e pós-graduar-me na mesma faculdade realmente pode ser uma faca de dois gumes. E realmente pode me deixar sem opções, apenas com tudo velho outra vez.

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