... da mesma novela. O mercantilismo acadêmico. E sempre na mesma tecla. Dinheiro. E todo inicio de semestre é a mesma coisa de sempre. Os alunos se unem para estabelecerem as regras que melhor lhes cabem nesse latifúndio. Digo das bolsas de mestrado e doutorado que, convenhamos, não são grande coisa. Mas todo ano eles estão lá, estabelecendo regras que nunca funcionam, brigam, discutem, se matam. Agora que esse lance está virando coisa de cotista (demanda social, saca?, negros, pobres, etc, etc, etc) a discussão parece não ter mais fim. Claro que eu defendo o meu pão, e o meu pão é sempre pela capacidade de cada um. Cotas? Que tal a sociedade se unir para melhorar o ensino básico e fundamental pra todos chegarem com as mesmas condições? Há quem prefira se matar por conta de certas migalhas. Tá, estou sendo rude, mas vamos lá, o jogo se joga no dentro!
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Orientação Acadêmica
Tudo que o seu orientador quer (a maioria deles) é que você produza um texto, de preferência Qualis A Internacional, porque ele, com muitas outras atividades provenientes do seu cargo acumulativo disso e daquilo outro (que lhe rende uma bela grana extra), está sempre precisando de artigos, capítulos, livros para aumentar sua produção intelectual. Produção de quem mesmo?
E com a desculpa de que ele é muito e você é pouco (eita hipocrisia da porra!), e com a velha questão ética vinda do fato dele ter lhe dado a vaga (do verbo dar mesmo, lembre-se que nunca foi você que a conquistou), o que obriga, de fato, que você coloque o nome dele no seu trabalho pelo nada que ele fez, você nem terá a chance de colocá-lo à prova. É que existe uma regra na pós-graduação que diz que se o orientando publicar mais artigos que o orientador num prazo x qualquer, o orientador está automaticamente excluido do programa de pós.
O interessante é que em todos os casos, sempre, o poder está nas mãos dos alunos. Infelizmente eles não sabem disso. E é por isso que as coisas se mantém gugu-dadá.
E com a desculpa de que ele é muito e você é pouco (eita hipocrisia da porra!), e com a velha questão ética vinda do fato dele ter lhe dado a vaga (do verbo dar mesmo, lembre-se que nunca foi você que a conquistou), o que obriga, de fato, que você coloque o nome dele no seu trabalho pelo nada que ele fez, você nem terá a chance de colocá-lo à prova. É que existe uma regra na pós-graduação que diz que se o orientando publicar mais artigos que o orientador num prazo x qualquer, o orientador está automaticamente excluido do programa de pós.
O interessante é que em todos os casos, sempre, o poder está nas mãos dos alunos. Infelizmente eles não sabem disso. E é por isso que as coisas se mantém gugu-dadá.
Nota de Chamada
Só para constar: a tal da lista de chamadas gugu-dadá que a pós-graduação insiste em manter ativa, não é tão fácil de ser encontrada. É que o professor responsável por ela nunca se encontra na universidade, que é pública. Sendo ela uma universidade pública, obviamente que nem todos os professores doutores, principalmente os livre-docentes cumprem suas 40 horas em dedicação exclusiva. Vai ver que é por isso que a pós-graduação colocou uma lista de chamadas gugu-dadá para alunos de pós-graduação. Alguém tem que fazer a universidade ir pra frente. Que sejam os alunos já que os professores, estes estão indo de mal a pior.
Publicar ou Perecer?
Nas listas de discussão do CEV (Centro Esportivo Virutal) o tema publicar ou perecer sempre volta à tona, principalmente em época de credenciamento e descredenciamento de professor doutor, aqueles que estão na universidade pública e que são obrigados a manterem seus currículos lattes atualizados. E muitos o fazem, muitas vezes, às custas de seus alunos, os orientandos de mestrado e doutorado (algumas vezes sobra para os de iniciação científica).
E sempre aparece um alguém para comparar o país de cá com o país de lá. Aqui é assim, lá é de outro jeito e coisa e tal. Nesta última leva eu resolvi argumentar. É que eu estou cansada de ver um bando de professor doutor metendo o pau no sistema. Que o sistema é isso ou é aquilo outro, e vai-e-vem eu fico no meu cantinho pensando se não dá pra trocar o disco, se não daria para se fazer uma ação mais efetiva além destas destinadas à reclamação.
Eu, formada em esportes, entendo de regras. Entendo que o mundo não pode viver de um relativismo tosco de que tudo é permitido, e que depende só disso ou só daquilo. Então eu voto pela ética, pelos costusmes e pela moral. E voto pelo fim do relativismo. Mas sou a favor, notem bem, de ações eficazes que tenham propostas de mudanças efetivas porque eu também cansei do idealismo. Este é quase sempre pouco palpável devido a sua incretude.
Ações, inclusive àquelas das bolsas de valores, é o que me interessam. Eu também não concordo com parte dos critérios acadêmicos definidos pela Capes na sua classificação Qualis isso, Qualis aquilo outro. Mas eu sou capaz de ver o quê de mudanças as novas normas trouxeram aos professores doutores desavisados, aqueles que nos últimos 10 anos se viram obrigados a tirarem suas bundas da cadeira e a fazerem pesquisas para publicarem resultados novos. O que eu acho, no fim das contas, uma coisa mais do que justa: professor doutor pesquisador fazendo pesquisa, finalmente. É, a rapadura é doce, mas não é mole não, jacaré. O que teve de professor doutor rebolando pra se reenquadrar profissionalmente não foi brincadeira. Sorte das universidades públicas, que a cada ano se superam em pesquisas, ganharam laboratórios, ganharam isso e aquilo outro.
Quer sejam as pesquisas boas ou ruins, os artigos sejam festivais de citações ou recorta e cola. Quer seja isso e mais sei lá o quê que fere a qualidade da informação, eu vejo como algo muito positivo professores doutores tendo que arregaçar as mangas e fazer um qualquer algo. E digo mais, num país de não letrados como o nosso, também vejo como muito positivo este controle rígido da Capes em prol do aumento de produções acadêmicas. É que obriga muita gente que nunca esteve nem aí a estarem muito aí, e isso não tem preço. E mesmo que as pesquisas seja um fiasco, ou uma fraude, ler e escrever voltam a ocupar um papel interessante no sistema educacional. Que seja parte do Ensino Superior, então.
Infelizmente tem o lado negro da coisa. Estes mesmos professores doutores, no alto das concepções acadêmicas promovidas por titulações hierárquicas, já arrumaram atalhos. Publicam um mesmo artigo não sei quantas vezes, mas com título diferente. Publicam pesquisas em partes de I, II e III para ganharem na multiplicação das falácias, estas mesmas que até fazem corrente de autoria. Explico. Um pesquisador do grupo de estudos escreve um artigo, os outros 10 assinam, e no fim, haja espaço no currículo lattes desse povo todo com uma produção assim, tão exemplar quando todos os 11 pesquisadores terminarem seus textos e coisa e tal. E haja talento a ser reconhecido destes pesquisadores que em um mês conseguem publicar 10 artigos com assuntos correlatos mas absurdamente diferentes. É, porque há mesmo muita genialidade em fingir que se escreve, que se produz, que isso e que aquilo, quando a Capes finge que aceita, ou as FAPs, ou o CNPq ou qualquer órgão que o valha.
O bom é que todo sistema está aí para ser melhorado. Daí a minha birra: não gosta de como está, vai lá e muda. Só não me venha lotar minha caixa postal se achando o professor doutor rei da cocada preta, que o seu descredenciamento do programa é porque a Capes não te entende por trazer consigo critérios tão injustos. Ô coitado! Um bom analista lhe cairia bem, fique com este conselho que lhe dou de graça. Publicar ou perecer? Publicar o que for publicável e perecer quando se quiser.
E sempre aparece um alguém para comparar o país de cá com o país de lá. Aqui é assim, lá é de outro jeito e coisa e tal. Nesta última leva eu resolvi argumentar. É que eu estou cansada de ver um bando de professor doutor metendo o pau no sistema. Que o sistema é isso ou é aquilo outro, e vai-e-vem eu fico no meu cantinho pensando se não dá pra trocar o disco, se não daria para se fazer uma ação mais efetiva além destas destinadas à reclamação.
Eu, formada em esportes, entendo de regras. Entendo que o mundo não pode viver de um relativismo tosco de que tudo é permitido, e que depende só disso ou só daquilo. Então eu voto pela ética, pelos costusmes e pela moral. E voto pelo fim do relativismo. Mas sou a favor, notem bem, de ações eficazes que tenham propostas de mudanças efetivas porque eu também cansei do idealismo. Este é quase sempre pouco palpável devido a sua incretude.
Ações, inclusive àquelas das bolsas de valores, é o que me interessam. Eu também não concordo com parte dos critérios acadêmicos definidos pela Capes na sua classificação Qualis isso, Qualis aquilo outro. Mas eu sou capaz de ver o quê de mudanças as novas normas trouxeram aos professores doutores desavisados, aqueles que nos últimos 10 anos se viram obrigados a tirarem suas bundas da cadeira e a fazerem pesquisas para publicarem resultados novos. O que eu acho, no fim das contas, uma coisa mais do que justa: professor doutor pesquisador fazendo pesquisa, finalmente. É, a rapadura é doce, mas não é mole não, jacaré. O que teve de professor doutor rebolando pra se reenquadrar profissionalmente não foi brincadeira. Sorte das universidades públicas, que a cada ano se superam em pesquisas, ganharam laboratórios, ganharam isso e aquilo outro.
Quer sejam as pesquisas boas ou ruins, os artigos sejam festivais de citações ou recorta e cola. Quer seja isso e mais sei lá o quê que fere a qualidade da informação, eu vejo como algo muito positivo professores doutores tendo que arregaçar as mangas e fazer um qualquer algo. E digo mais, num país de não letrados como o nosso, também vejo como muito positivo este controle rígido da Capes em prol do aumento de produções acadêmicas. É que obriga muita gente que nunca esteve nem aí a estarem muito aí, e isso não tem preço. E mesmo que as pesquisas seja um fiasco, ou uma fraude, ler e escrever voltam a ocupar um papel interessante no sistema educacional. Que seja parte do Ensino Superior, então.
Infelizmente tem o lado negro da coisa. Estes mesmos professores doutores, no alto das concepções acadêmicas promovidas por titulações hierárquicas, já arrumaram atalhos. Publicam um mesmo artigo não sei quantas vezes, mas com título diferente. Publicam pesquisas em partes de I, II e III para ganharem na multiplicação das falácias, estas mesmas que até fazem corrente de autoria. Explico. Um pesquisador do grupo de estudos escreve um artigo, os outros 10 assinam, e no fim, haja espaço no currículo lattes desse povo todo com uma produção assim, tão exemplar quando todos os 11 pesquisadores terminarem seus textos e coisa e tal. E haja talento a ser reconhecido destes pesquisadores que em um mês conseguem publicar 10 artigos com assuntos correlatos mas absurdamente diferentes. É, porque há mesmo muita genialidade em fingir que se escreve, que se produz, que isso e que aquilo, quando a Capes finge que aceita, ou as FAPs, ou o CNPq ou qualquer órgão que o valha.
O bom é que todo sistema está aí para ser melhorado. Daí a minha birra: não gosta de como está, vai lá e muda. Só não me venha lotar minha caixa postal se achando o professor doutor rei da cocada preta, que o seu descredenciamento do programa é porque a Capes não te entende por trazer consigo critérios tão injustos. Ô coitado! Um bom analista lhe cairia bem, fique com este conselho que lhe dou de graça. Publicar ou perecer? Publicar o que for publicável e perecer quando se quiser.
Tese de Doutorado: A História
Tese de doutorado: A História
Ele veio sem muita conversa, sem muito esperar
Eu só sei que falava de bolsa e artigos a publicar
Sei que ela tinha perfume no rosto e no peito um brilhante
Trazia seu corpo num vestido branco, meio estonteante
Ele veio assim, como o relatório, apressado em acabar
E com tudo por entender a bolsa continuou a rolar
Ela esperando, na sala, sentada em cima de um banco
Com seu belo vestido novo cada dia mais branco
Como vão seu pai e sua mãe, perguntou o pobre galante
E a orientanda sorriu por dentro, ainda que distante
Mas ela não tinha saco praquilo tudo, preferia um café
E ele ainda achava que dava aulas num cabaré
Já o protocolo não tardou alertar toda a vizinhança
A mostrar que ali estava um nobre doutor pagando fiança
Depois que ele, não sei bem se por nota ou se por conceito
Resolveu chamá-la de “aluna bonita” sem muito respeito
Então a história deste doutorado ela carrega nos braços
Embalando virtudes, não assina quaisquer tratados
E colegas de estudo, famintos por lattes e suas amantes
A conhecem só pelo seu jeito de aluna de diamantes
Laiá Laiá
Laiá Laiá
____________________
Produzido em 4 mãos:
- Fernanda = duas
- Soll = duas
Ele veio sem muita conversa, sem muito esperar
Eu só sei que falava de bolsa e artigos a publicar
Sei que ela tinha perfume no rosto e no peito um brilhante
Trazia seu corpo num vestido branco, meio estonteante
Ele veio assim, como o relatório, apressado em acabar
E com tudo por entender a bolsa continuou a rolar
Ela esperando, na sala, sentada em cima de um banco
Com seu belo vestido novo cada dia mais branco
Como vão seu pai e sua mãe, perguntou o pobre galante
E a orientanda sorriu por dentro, ainda que distante
Mas ela não tinha saco praquilo tudo, preferia um café
E ele ainda achava que dava aulas num cabaré
Já o protocolo não tardou alertar toda a vizinhança
A mostrar que ali estava um nobre doutor pagando fiança
Depois que ele, não sei bem se por nota ou se por conceito
Resolveu chamá-la de “aluna bonita” sem muito respeito
Então a história deste doutorado ela carrega nos braços
Embalando virtudes, não assina quaisquer tratados
E colegas de estudo, famintos por lattes e suas amantes
A conhecem só pelo seu jeito de aluna de diamantes
Laiá Laiá
Laiá Laiá
____________________
Produzido em 4 mãos:
- Fernanda = duas
- Soll = duas
Me dando (a) conta!

Como não estou no Congresso da Faculdade, hoje eu me torno oficialmente uma aluna de doutorado rebelde.
Estou contrariando o e-mail do orientador
(“todo aluno deve enviar trabalho ao congresso da faculdade”),
as normas da coordenação
(“todo aluno com bolsa deve obrigatoriamente participar dos eventos promovidos pela faculdade”)
e as expectativas do ex-amante
(com tanta ausência, só a mulher dele pode respirar em paz).
tetas da pós-graduação
Sob pena de “multa”, todos os alunos de pós-graduação deverão responder um questionário de Avaliação Interna. Gugu-Dadá.
Sob pena de “multa”, todos os alunos deverão enviar um resumo para o Congresso da Faculdade. Gugu-Dadá.
Sob pena de “multa”, todos os alunos deverão participar de todos os eventos organizados pela pós-graduação. Gugu-Dadá.
Cansei, cansei, cansei. Existe um eu nesta coisa toda "me dá chupeta que eu quero mamar"?.
Sob pena de “multa”, todos os alunos deverão enviar um resumo para o Congresso da Faculdade. Gugu-Dadá.
Sob pena de “multa”, todos os alunos deverão participar de todos os eventos organizados pela pós-graduação. Gugu-Dadá.
Cansei, cansei, cansei. Existe um eu nesta coisa toda "me dá chupeta que eu quero mamar"?.
A Entrevista no Mestrado e Doutorado
Recebi um e-mail com a pergunta: QUAL O SEU CONSELHO PARA SE DAR BEM NA ENTREVISTA? Entevista aqui, refere-se à etapa final da candidatura para o mestrado e/ou doutorado.
De imediato, a minha tendência é responder em letras bem garrafais: É SÓ DIZER AQUILO QUE A BANCA, PRINCIPALMENTE O ORIENTADOR EM POTENCIAL, QUER OUVIR. E mantenho. A coisa vai mesmo por aí. Resta então saber o que é que a banca quer que você responda. Uma matemática bem simples, por sinal.
Vamos as conjecturas: o que, afinal, uma banca espera de um aluno de mestrado e doutorado?
1. Publicação. E com o nome do orientador a tira-colo, mesmo que ele não tenha participado do "paper" (artigo em revista especializada e indexada pelo Qualis-CNPq como "A Internacional", de preferência), do livro, do capítulo de livro etc e tal. Afinal, crê-se que o mundo acadêmico seja medido pelo número destas coisas que o programa têm (isso inclui produção acadêmica tanto de professores quanto de alunos). Muito mais o número do que a qualidade, embora já existam movimentos indo na direção inversa e que eu, particularmente, acho muito mais interessante. De qualquer forma, para a entrevista, como não você não dá murro em ponta de faca (eu, pelo menos, não recomendo), e independente de suas próprias crenças, é óbvio que você terá que ser categórico e deixar bastante claro que HAVERÁ DEDICAÇÃO EXCLUSIVA de sua parte ao programa. Entende-se por dedicação exclusiva aquele 100% de sua vida destinado ao programa. Se você trabalha, é como se você pudesse dizer que o seu sonho é a pós-graduação e que você não vê a hora de se livrar do emprego que tem para virar a mesa, escrever textos, pesquisar e produzir integralmente.
2. Subordinação Ideológica. Também é comum haverem questionamentos ideológicos, em termos de conhecimentos específicos e cientificos relacionados ao tema do seu projeto. É claro que seu projeto de Borboletas Azuis deve ser enviado à um professor que estuda Borboletas Azuis e não àquele professor que você acha que teria mais chances de debater Borboletas Azuis com você, mas que tem como alvo Cratera de Vulcões. Tentar convencer a banca de que Borboletas Azuis e Cratera de Vulcões são diferentes, mas têm mesma base cientifica é correr um risco desnecessário. Afinal, é o seu projeto que deve se adequar ao estudo do professor e não o contrário. E embora você ache que o encontro entre Borboletas Azuis e Crateras de Vulcões seja o melhor encontro do século em termos de ciência, revolucionário, inclusive, você pode sutilmente se esbarrar na insegurança do professor orientador. É que estes, na maioria das vezes, optam por fazerem o bom e velho feijão com arroz e, caso você não tenha encontrado o professor fora da regra (e onde vale o risco), vai esta dica que dou de graça: se o professor questionar sua lealdade acadêmica em relação à linha de pesquisa dele, certamente ele não estará querendo questionar o quanto revolucionário você é, mas o quanto de problema você vai levar para ele. É aí que um bom projeto (adequado ao que o cara pensa, inclusive inédito já que uma coisa não tem a ver com outra) com o mínimo de problemas é a melhor pedida para a futura relação orientador-orientando. Veja bem, não é porque você quer mudar o mundo que aquele cara, o único que pode ter um tema a ver com o seu, vai querer mudar o mundo também. Por isso que eu digo: é muito importante saber quem é o possível orientador, o que ele pensa sobre o mundo acadêmico e qual é a posição dele frente ao tema que você está querendo abordar no seu projeto. Neste sentido, é fácil deduzir que um candidato que, no ano anterior, teve conversas de cantina habituais com o possível orientador está bem mais à frente do que aquele que está encontrando o cara pela primeira vez no dia da entrevista.
3. Confiança e Autonomia. É de bom tom você deixar claro que você é o candidato ideal para aquela vaga, e nos moldes exatos que eles estão oferecendo. Se o sistema funciona desde sempre do mesmo jeito não é você quem vai declarar, no dia da entrevista, sua inadequação a ele ou à periferia que o envolve. Isso é suicídio e só vale caso o professor orientador também seja um suicida em potencial, o que eu duvido. E como nem você e nem o professor em potencial são declaradamente suicidas, faz o maior sentindo você se mostrar confiável, que não vai deixá-lo na mão em nenhum momento do curso. Isso inclui sua capacidade de autonomia na resolução de problemas, caso o professor orientador tenha que se ausentar durante um tempo. Independente de qualquer coisa é importante deixar claro (caso você seja questionado) que você vai entregar as coisas no prazo estabelecido no cronograma do seu projeto, e se possível antes (e você espera que seja antes, que o prazo que você colocou já conta com estes possíveis imprevistos etc e tal). Geralmente a questão tempo é levantada nas entrevistas. A banca vai bater nesta tecla porque há uma pressão institucional em relação a isso. O programa de pós-graduação ganha mais recursos financeiros quanto menos tempo ele gastar com cada aluno inscrito.
4. Argumentação. Seu projeto será questionado no dia da entrevista. É preciso que você saiba dominá-lo integralmente, juntamente com assuntos paralelos ou antagônicos. Quer dizer, se você quer fazer mestrado e doutorado, obviamente você perderá pontos caso não saiba contextualizar seu projeto de acordo com diversas linhas de pesquisa, posicionando-o contra ou a favor etc e tal. O detalhe, aqui, é que os seus argumentos devem bater com os argumentos da banca. Repito, querer mudar o mundo logo no dia da entrevista não é uma boa idéia. E neste ponto é de bom tom reler as dicas acima porque fatalmente uma coisa tem a ver com outra.
A última observação que faço, em termos de entrevista, é básica: diga o essencial. Ou seja, responda consistentemente apenas aquilo que lhe foi perguntado. Não é necessário correr o risco de vender lebre por gato, você pode se embananar todo e se queimar sem necessidade. Tenha bom senso e encare o processo como um jogo cheio de regras. Lembre-se de que algumas destas regras estão escritas e outras são subjetivas. E lembre-se também que a entrada no mestrado e no doutorado envolve relações afetivas e subjetividade. Nada é tão frio assim quanto parece, afinal é nesta suposta relação orientador-orientando que o processo se desenvolverá.
Desta feita, não basta você ser o melhor acadêmico do mundo, mas a melhor opção para o orientador em questão.
De imediato, a minha tendência é responder em letras bem garrafais: É SÓ DIZER AQUILO QUE A BANCA, PRINCIPALMENTE O ORIENTADOR EM POTENCIAL, QUER OUVIR. E mantenho. A coisa vai mesmo por aí. Resta então saber o que é que a banca quer que você responda. Uma matemática bem simples, por sinal.
Vamos as conjecturas: o que, afinal, uma banca espera de um aluno de mestrado e doutorado?
1. Publicação. E com o nome do orientador a tira-colo, mesmo que ele não tenha participado do "paper" (artigo em revista especializada e indexada pelo Qualis-CNPq como "A Internacional", de preferência), do livro, do capítulo de livro etc e tal. Afinal, crê-se que o mundo acadêmico seja medido pelo número destas coisas que o programa têm (isso inclui produção acadêmica tanto de professores quanto de alunos). Muito mais o número do que a qualidade, embora já existam movimentos indo na direção inversa e que eu, particularmente, acho muito mais interessante. De qualquer forma, para a entrevista, como não você não dá murro em ponta de faca (eu, pelo menos, não recomendo), e independente de suas próprias crenças, é óbvio que você terá que ser categórico e deixar bastante claro que HAVERÁ DEDICAÇÃO EXCLUSIVA de sua parte ao programa. Entende-se por dedicação exclusiva aquele 100% de sua vida destinado ao programa. Se você trabalha, é como se você pudesse dizer que o seu sonho é a pós-graduação e que você não vê a hora de se livrar do emprego que tem para virar a mesa, escrever textos, pesquisar e produzir integralmente.
2. Subordinação Ideológica. Também é comum haverem questionamentos ideológicos, em termos de conhecimentos específicos e cientificos relacionados ao tema do seu projeto. É claro que seu projeto de Borboletas Azuis deve ser enviado à um professor que estuda Borboletas Azuis e não àquele professor que você acha que teria mais chances de debater Borboletas Azuis com você, mas que tem como alvo Cratera de Vulcões. Tentar convencer a banca de que Borboletas Azuis e Cratera de Vulcões são diferentes, mas têm mesma base cientifica é correr um risco desnecessário. Afinal, é o seu projeto que deve se adequar ao estudo do professor e não o contrário. E embora você ache que o encontro entre Borboletas Azuis e Crateras de Vulcões seja o melhor encontro do século em termos de ciência, revolucionário, inclusive, você pode sutilmente se esbarrar na insegurança do professor orientador. É que estes, na maioria das vezes, optam por fazerem o bom e velho feijão com arroz e, caso você não tenha encontrado o professor fora da regra (e onde vale o risco), vai esta dica que dou de graça: se o professor questionar sua lealdade acadêmica em relação à linha de pesquisa dele, certamente ele não estará querendo questionar o quanto revolucionário você é, mas o quanto de problema você vai levar para ele. É aí que um bom projeto (adequado ao que o cara pensa, inclusive inédito já que uma coisa não tem a ver com outra) com o mínimo de problemas é a melhor pedida para a futura relação orientador-orientando. Veja bem, não é porque você quer mudar o mundo que aquele cara, o único que pode ter um tema a ver com o seu, vai querer mudar o mundo também. Por isso que eu digo: é muito importante saber quem é o possível orientador, o que ele pensa sobre o mundo acadêmico e qual é a posição dele frente ao tema que você está querendo abordar no seu projeto. Neste sentido, é fácil deduzir que um candidato que, no ano anterior, teve conversas de cantina habituais com o possível orientador está bem mais à frente do que aquele que está encontrando o cara pela primeira vez no dia da entrevista.
3. Confiança e Autonomia. É de bom tom você deixar claro que você é o candidato ideal para aquela vaga, e nos moldes exatos que eles estão oferecendo. Se o sistema funciona desde sempre do mesmo jeito não é você quem vai declarar, no dia da entrevista, sua inadequação a ele ou à periferia que o envolve. Isso é suicídio e só vale caso o professor orientador também seja um suicida em potencial, o que eu duvido. E como nem você e nem o professor em potencial são declaradamente suicidas, faz o maior sentindo você se mostrar confiável, que não vai deixá-lo na mão em nenhum momento do curso. Isso inclui sua capacidade de autonomia na resolução de problemas, caso o professor orientador tenha que se ausentar durante um tempo. Independente de qualquer coisa é importante deixar claro (caso você seja questionado) que você vai entregar as coisas no prazo estabelecido no cronograma do seu projeto, e se possível antes (e você espera que seja antes, que o prazo que você colocou já conta com estes possíveis imprevistos etc e tal). Geralmente a questão tempo é levantada nas entrevistas. A banca vai bater nesta tecla porque há uma pressão institucional em relação a isso. O programa de pós-graduação ganha mais recursos financeiros quanto menos tempo ele gastar com cada aluno inscrito.
4. Argumentação. Seu projeto será questionado no dia da entrevista. É preciso que você saiba dominá-lo integralmente, juntamente com assuntos paralelos ou antagônicos. Quer dizer, se você quer fazer mestrado e doutorado, obviamente você perderá pontos caso não saiba contextualizar seu projeto de acordo com diversas linhas de pesquisa, posicionando-o contra ou a favor etc e tal. O detalhe, aqui, é que os seus argumentos devem bater com os argumentos da banca. Repito, querer mudar o mundo logo no dia da entrevista não é uma boa idéia. E neste ponto é de bom tom reler as dicas acima porque fatalmente uma coisa tem a ver com outra.
A última observação que faço, em termos de entrevista, é básica: diga o essencial. Ou seja, responda consistentemente apenas aquilo que lhe foi perguntado. Não é necessário correr o risco de vender lebre por gato, você pode se embananar todo e se queimar sem necessidade. Tenha bom senso e encare o processo como um jogo cheio de regras. Lembre-se de que algumas destas regras estão escritas e outras são subjetivas. E lembre-se também que a entrada no mestrado e no doutorado envolve relações afetivas e subjetividade. Nada é tão frio assim quanto parece, afinal é nesta suposta relação orientador-orientando que o processo se desenvolverá.
Desta feita, não basta você ser o melhor acadêmico do mundo, mas a melhor opção para o orientador em questão.
De volta à Pós-Graduação!

Tá, as aulas na pós voltaram. Voltaram? Semestre que vem preciso lembrar de não aparecer na primeira semana de aula, só na segunda. É que viajar 150 quilômetros para um recado na porta: "aulas? só na próxima semana", não está com nada. Não mesmo. Semana que vem. Só na semana que vem. Hoje não. "Só depois de amanhã", como diria Álvaro de Campos.
Esta ousadia do amanhã, esta ousadia "Fernando Pessoa" de dizer "levarei amanhã a pensar em depois de amanhã" parece estranha para quem está de fora, para aqueles que estão adaptados em suas rotinas, com cartão e ponto pra bater. É estranha para mim, que estou dentro. Na universidade pública é diferente, nela se pode dizer: "não, hoje nada; hoje não posso". Amanhã, talvez. Hoje tudo bem querer dar só metade da aula, ou nem isso. Hoje tudo bem deixar pra depois.
Passados dez anos eu ainda não aprendi. É que um ou dois anos distante, um ou dois anos em outros mundos devolve uma certa esperança de que "hoje" poderia ser diferente. De que "hoje", hoje sim! Só que eu me cansei de dar murro em ponta de faca e talvez eu não queira mais honrar o dia de hoje, nem o de amanhã. Depois de amanhã, talvez. Hoje, amanhã e depois talvez eu queira apenas me dar o direito de aproveitar o tempo com coisa melhor, diferente deste engodo que é a pós-graduação.
Cansaço, talvez seja mesmo só isso, e talvez para outros a pós-graduação não seja um engodo. Para alguns a universidade pública nem é endogâmica. Levam-na a sério. E eu sei que estas pessoas existem, já que delas ouço falar. Ouço falar bem, muito bem, inclusive, pois geralmente fazem a diferença. Se tenho dificuldades em encontrá-las, admito, não as tenho procurado direito e talvez seja apenas cansaço mesmo, daqueles que pegam a gente no contra-golpe da certeza de que tudo continua a mesma coisa, depois de tanto esforço para mudar.
Um cansaço discente para uma sensação de tempo perdido, já que as disciplinas que são oferecidas para o mestrado são as mesmas oferecidas para o programa de doutorado, restando-me a mesmice de outrora. Um cansaço por conseqüência, arrisco em dizer.
"No entanto eu levanto uma hora mais cedo
E me mando em busca de um tempo perdido
Evidente que eu tento de tudo que é jeito
Mas não acho, meu tempo está sempre escondido"
Tempo Escondido (Ná Ozzetti e Luiz Tatit)
Clique para ouvir
E na coordenação...

Sempre vale pensar os e-mails da coordenação. Porque sempre que eu os leio, tenho a sensação de que as coisas poderiam ser diferentes.
"Diferente do procedimento que vínhamos fazendo até o semestre passado, o aluno, cujo nome não consta da relação do Mapa de Notas da Secretaria, NÃO DEVE TER SUA PROVA CORRIGIDA E SUA NOTA NÃO DEVE SER LANÇADA EM NENHUM MAPA. Neste caso, o Professor deve entregar a avaliação SEM CORREÇÃO à secretaria da unidade. A secretaria deverá verificar a situação de matrícula do aluno. Caso o aluno esteja matriculado, a secretaria deverá devolvera prova para correção e lançamento da nota por parte do professor. Caso o aluno não esteja matriculado, sua avaliação será arquivada, SEM CORREÇÃO, no prontuário."
Animadores de Circo
Em mais um e-mail da coordenação, fiquei pensando em quem é o professor e quem é o aluno neste circo todo. Infelizmente um circo mesmo. Vai lá o e-mail, adaptado:
"Prezados professores, no dia tal do mês tal às tantas horas e tantos minutos teremos uma palestra com o Prof. Dr. Fulano de Tal. Nessa data não haverá aula no primeiro horário e os alunos deverão se dirigir ao Anfiteatro para acompanhar a palestra. Gostaria de contar com a presença de vocês para acompanhar o evento e controlar a freqüência dos alunos, fazendo chamada ao final da palestra."
(... e por entre as linhas...)
Caro professor, favor punir os alunos com falta, caso eles desistam do palestrante ou julgarem a palestra uma perda de tempo.
(... e analisando a situação...)
O circo precisar funcionar. Caro professor, vire quantas cambalhotas quiser; o importante é que você adestre seus alunos!
E viva o pão e circo! O que mais me impressiona é que nem o professor pode ser professor, nem o aluno pode ser aluno:
"Professores, temos um aluno do segundo semestre com distrofia muscular, proibido por indicação médica de realizar prática. Nesse caso (...), solicitem [ao aluno] que acompanhe a aula e faça relatório - o qual deverá ser avaliado. Nesse caso, especificamente, a nota da teoria deverá valer mais do que a prática."
E viva esta suposta democracia do ensino superior!
"Prezados professores, no dia tal do mês tal às tantas horas e tantos minutos teremos uma palestra com o Prof. Dr. Fulano de Tal. Nessa data não haverá aula no primeiro horário e os alunos deverão se dirigir ao Anfiteatro para acompanhar a palestra. Gostaria de contar com a presença de vocês para acompanhar o evento e controlar a freqüência dos alunos, fazendo chamada ao final da palestra."
(... e por entre as linhas...)Caro professor, favor punir os alunos com falta, caso eles desistam do palestrante ou julgarem a palestra uma perda de tempo.
(... e analisando a situação...)
O circo precisar funcionar. Caro professor, vire quantas cambalhotas quiser; o importante é que você adestre seus alunos!
E viva o pão e circo! O que mais me impressiona é que nem o professor pode ser professor, nem o aluno pode ser aluno:
"Professores, temos um aluno do segundo semestre com distrofia muscular, proibido por indicação médica de realizar prática. Nesse caso (...), solicitem [ao aluno] que acompanhe a aula e faça relatório - o qual deverá ser avaliado. Nesse caso, especificamente, a nota da teoria deverá valer mais do que a prática."
E viva esta suposta democracia do ensino superior!
E a Assembléia Docente???
No último sábado, e que sábado!, teve uma assembléia docente. Isso na instituição nova porque da outra nem se faz menção. E assembléia tem que ter mesmo. Como disse o moço da primeira fala, temos que ser pró-ativos. Eu até me lembrei do programa do Roberto Justus com a palavra da moda: pró-atividade! Até hoje eu não consegui abstrair muito bem o sentido disso, mas tudo bem, tem muita gente que vai concordar comigo que é melhor mesmo ser pró-ativo do que passivo.
A cena continua: microfone, núcleo de arte, microfone de mão em mão e meu corpo, impaciente, fazendo a cadeira gemer; um grunido chato semelhante em todos os pontos do auditório. O professor do meu lado também se ajeita e diz: esse modelo de ensino não adianta mais! E não é verdade? Fica uma coisa assim, meio de lá pra cá enquanto o jogo deveria ser no entre. E quando a coisa vem de lá pra cá a gente não participa, viaja.
Sentada um pouco à minha frente, e à minha direita, uma professora tipo Paty, loirinha, roupa de marca, impecável. Abre sua bolsa de couro legítimo deixando mostrar o esmalte de suas unhas compridas, lixadas, perfeitas. Seus dedos, de tanto procurar, encontram um frasquinho spray que ela ergue até a altura do queixo enquanto abaixa um pouco mais a cabeça para que seus cabelos escovados, chapinhados, caiam-lhe sobre o rosto. Então ela abre o bocão, dente à mostra, e borrifa goela adentro o conteúdo do frasco, boceja e engole. Devolve o frasco na bolsa e troca pelo estojinho, também de couro legítimo, onde está o batom que ela usa para corrigir os lábio vermelhos, mirando-se no espelhinho que o acompanha.
Neste instante uma mulher que promete não chorar durante sua apresentação pega o microfone. Pretende discutir o futuro pedagógico da universidade. Um futuro que pra mim já tinha passado lá na outra reunião. Pela segunda vez a ouvi dizer que era ela, e tão somente, a especialista. Egos à parte, do meu lado outra professora, jeito intelectual, abre sua pasta e pega uma encadernação: matemática financeira. Caneta em punho vai fazendo algumas anotações, folha por folha, criticamente. Alguns levantam-se e vão embora.
A cena continua: microfone, núcleo de arte, microfone de mão em mão e meu corpo, impaciente, fazendo a cadeira gemer; um grunido chato semelhante em todos os pontos do auditório. O professor do meu lado também se ajeita e diz: esse modelo de ensino não adianta mais! E não é verdade? Fica uma coisa assim, meio de lá pra cá enquanto o jogo deveria ser no entre. E quando a coisa vem de lá pra cá a gente não participa, viaja.
Sentada um pouco à minha frente, e à minha direita, uma professora tipo Paty, loirinha, roupa de marca, impecável. Abre sua bolsa de couro legítimo deixando mostrar o esmalte de suas unhas compridas, lixadas, perfeitas. Seus dedos, de tanto procurar, encontram um frasquinho spray que ela ergue até a altura do queixo enquanto abaixa um pouco mais a cabeça para que seus cabelos escovados, chapinhados, caiam-lhe sobre o rosto. Então ela abre o bocão, dente à mostra, e borrifa goela adentro o conteúdo do frasco, boceja e engole. Devolve o frasco na bolsa e troca pelo estojinho, também de couro legítimo, onde está o batom que ela usa para corrigir os lábio vermelhos, mirando-se no espelhinho que o acompanha.
Neste instante uma mulher que promete não chorar durante sua apresentação pega o microfone. Pretende discutir o futuro pedagógico da universidade. Um futuro que pra mim já tinha passado lá na outra reunião. Pela segunda vez a ouvi dizer que era ela, e tão somente, a especialista. Egos à parte, do meu lado outra professora, jeito intelectual, abre sua pasta e pega uma encadernação: matemática financeira. Caneta em punho vai fazendo algumas anotações, folha por folha, criticamente. Alguns levantam-se e vão embora.
Apresentação Oral
A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO ACADÊMICA
Não sei quando voltarei a apresentar um tema livre/oral em algum Congresso da área. Resquícios da minha última apresentação.
Atualmente não vale a pena apresentar um artigo completo em um evento destes, uma vez que os documentos se perdem eletronicamente. Estão presos comercialmente. É fato: as taxas têm ficado cada vez mais caras e, geram, portanto, maiores lucros. Estes crescem ainda mais, na medida em que há uma redução de gastos com papéis já que a confecção dos anais passou a ser eletrônica. O agravante é que a distribuição deste material em CD permite, inclusive, que se aprovem todo e qualquer trabalho (não há mais problemas de espaço e facilmente pode-se montar 2000 páginas ou mais), desde que o autor esteja inscrito e pago o evento até o dia estipulado. Creio que, no último Congresso que participei, a ciência perdeu valor. Com tantos trabalhos aprovados (os anais contam mais de 1500 páginas), as apresentações orais foram divididas em muitas salas ao mesmo tempo, porque eram poucos os horários disponíveis. Desta forma, na minha sala onde seriam apresentados 5 temas, o público presente restringiu-se à mesa organizadora e aos 5 apresentadores. Sem mais.
Ok, que seja na praça então!

Quando eu cheguei para dar aulas na graduação, comecei logo com o basquete. Já achei bastante estranho o coordenador do curso não ter ido dar as boas-vindas aos alunos logo no primeiro dia, uma segunda-feira. Pior! Ainda nem tinha me dado conta de que eu não tinha quadra, não tinha bola, tampouco uma tabela. Com recursos mínimos para dar aulas nem pude contar todos os noventa alunos no primeiro dia. Quando me dei conta, percebi que teria que ser melhor do que eu tinha imaginado que poderia ser:
"Ok, não tem quadra? Dê-me a praça mesmo!"
Foram muitas as estratégias de ensino, e elas deram conta. Comprovei isso quando um aluno me disse:
"Professora, sua aula é ótima, a senhora acredita que o professor de futebol não tem dado aula pra gente porque ele disse que não dá para fazê-lo sem quadra?"
Eu fico pensando: quem não consegue dar aulas de futebol no país do futebol? Eu, com uma tampinha de garrafa, ensinaria até no morro!
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