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Mais uma vez no curso de Educação Física...

... não tem quadra e os alunos reclamam. E eu lembrando da quadra improvisada que pintei num desses clubes esportivos famosos. Para nossa turma só restou o cimentão mesmo. Mas os alunos reclamam, eles pagam por sua formação. E a gente sabe que a banda toca diferente. Sempre tocará. Nunca haverá condições ideais de ensino, porque o ensino nunca será ideal, basta lembra a psicanálise que coloca a educação no rol das três profissões impossíveis, como governar e psicanalisar. Nunca haverá teoria, universidade, escola ou estrutura que dê conta da totalidade do sujeito. O jeito é esse mesmo, de não se fazer por vencido, e nem digo para todos sermos professores ideaistas ou coisa que o valha, mas pessoas que fazem algo pela vida, e pode contar com um quê de egoísmo, se quiser, com a própria vida. o que não dá é para se acostumar. Ou dá, mas daí foi uma escolha, passar a vida com o pouco que a rede da praia e a água do coqueiro dá. E o pouco pode ser muito, já dizia o livrinho infantil.

Formaturas, Colações e Becas

E a semana veio tinindo. Por msn: “Professora, hoje é a nossa colação, a senhora vai, né?” Não, não é. Quer dizer, seria, se eu tivesse sido convidada. Mas não fui. Não foi? É, não fui. E agora é meio tarde pra chorar o leite derramado. Mas professora...

E o meio da semana veio tinindo. Outro msn, outro aluno, outra turma. “Professora, hoje é a nossa colação, a senhora vai, né?” Não, não é. Quer dizer, seria. Já disse isso, não disse? É que na cópia da vida, não fui convidada. Não foi? É, não fui. E agora é meio tarde, você sabe, o leite.

E o fim de semana veio tinindo num repeteco que mais pareceu ser uma piada. Mais um msn. “Professora, posso te fazer uma pergunta, a senhora não foi convidada para nossa formatura?” Não, não fui. Lembra do leite? Pois é, é, pois é. “Culpa minha professora... eu deveria...”

Não, não se culpe. É assim, de vai-vem que a coisa desatina.

E eu não saberia administrar três bailes no mesmo dia, mais o aniversário da minha prima. Coisas da vida. É, coisas da vida.

De qualquer forma é bom saber que a gente não passou a largo na vida de alguns alunos. E, considerando que eu não dou aulas nestas instituições tem mais de ano, a semana foi boa. Gostei.

Alunos queridos e amados, a gente se vê nas becas que o mundo dá.
Parabéns a vocês pela conquista, pelo título e pela maturidade.
E um beijo especial.

Sexta-Feira

Ontem, sexta-feira, dia de acordar cedo. Dia de ficar das 7:30 às 11:00hs em pé, na quadra. Depois eu iria calmamente até os correios, enviar o projeto de doutorado, a ficha de inscrição, o currículo, estas coisas. Sedex. Mais uma vez minha vida num pacote dos correios. Então às 7:29 encontro o coordenador. Vem logo me dizendo que depois da aula eu teria que ficar com os alunos no teatro porque eles iriam ensaiar a abertura da Semana de Educação Física. E eu me via deixando o almoço e minha vida para depois das 13.

Então eu estava lá, no teatro, sentada, olhando. Apenas olhando. Donos da situação, eles opinavam, debatiam, solucionavam. Mais uma vez eu me dei conta de que este modelo de ensino está errado, que o professor pouco ensina quando está falando sem parar, como um papagaio. São os alunos que devem ser os donos da situação. Devem debater. Pesquisar coisas para solucionar problemas. Tentar. E nós, professores, auxiliaríamos, colocaríamos novos problemas, instigaríamos novos debates para que cada aluno pudesse se envolver ao seu modo.

Eu, na quadra, de pé, falando "façam isso, façam aquilo", acaba sempre por me angustiar. Mas eu ali, sentada, olhando, ajudando vez ou outra (menos do que mais), colocava-me onde eu sempre quis estar como professora. Eu no lugar de objeto, meus alunos no lugar de sujeito, e não o contrário. Eles, donos da situação, que bonito de se ver. Então eu estou aqui para dizer que, sim, eu estarei lá no dia da abertura da Semana de Educação Física (vou acordar cedo e tudo mais) e, depois, para agradecê-los por fazerem parte da minha vida e também para dizer que dará tudo certo no final, principalmente pra quem merece.

Impacto!

PROFESOR, aqui quem fala é seu aluno mudo!

Hierarquia Cômica

Estes e-mails que recebo da coordenação me faz pensar que, de fato, o que vem debaixo não me atinge. Mas o que vem de cima, em compensação, deveria cair feito tonela em cima da minha cabeça. No começo caia mesmo, mas depois eu fiquei esperta (será?) e passei a desviar. E neste jogo de cintura, não é que a coisa toda começou a cair na cabeça dos alunos?

Então eu proponho que se inverta. Quer dizer, o que sobraria de tudo isso, se os alunos também passassem a desviar? Porque quando a coisa bate no dinheiro, reflete. Sobe em vez de descer e o que viria debaixo passaria a incomodar. O aluno aqueceria a bunda do professor (nos casos em que o professor é relapso, claro!). O professor, então, faria esquetar a bunda do coordenador; e este do diretor; e este do reitor. E tudo ia ficar tão quente, mas tão quente, que todos seriam obrigados a tirar a bunda da cadeira, para sobreviverem. Todos mesmo, inclusive os alunos. Tá, e os professores. Os coordenadores, os diretores, os reitores.

Sei que incluo neste pacote de bundões alguns bons alunos, excelentes até. Alguns bons professores, bons coordenadores, bons diretores, bons reitores. Excelentes, inclusive. Sempre tem gente, uma minoria, que pensa diferente do é "assim mesmo" e fazem mais, muito mais do que ficar com sua bunda grudada na cadeira. A estes eu sugiro que andem com uns espetos bem afiados para estarem sempre aptos a darem agulhadas em quem for preciso: nos colegas alunos, nos colegas professores, nos colegas diretores, nos colegas reitores. Em quem está em cima, em quem está embaixo.

Mas estes, que não são bobos nem nada, não querem queimar o filme, e seguem no limite. Ficam, como eu, entristecidos por não conseguirem fazer mais. Ou por não saberem como poderiam fazer mais. E tudo volta para as mãos dos alunos. A idéia de criar um Centro Acadêmico, a idéia de serem reconhecidos, de se tornarem líderes é mesmo muito bacana. Daí os professores teriam que fazer mais do que fazem, e os coordenadores também. Os diretores e os reitores.

Então a gente descobriria que o povo também poderia fazer mais, porque eles são a grande maioria. O que vem debaixo poderia subir tanto e espetar tanto que seria uma loucura maravilhosa. E tudo isso só porque não seria mais preciso acreditar que "é assim mesmo, o país".

Animadores de Circo

Em mais um e-mail da coordenação, fiquei pensando em quem é o professor e quem é o aluno neste circo todo. Infelizmente um circo mesmo. Vai lá o e-mail, adaptado:

"Prezados professores, no dia tal do mês tal às tantas horas e tantos minutos teremos uma palestra com o Prof. Dr. Fulano de Tal. Nessa data não haverá aula no primeiro horário e os alunos deverão se dirigir ao Anfiteatro para acompanhar a palestra. Gostaria de contar com a presença de vocês para acompanhar o evento e controlar a freqüência dos alunos, fazendo chamada ao final da palestra."

(... e por entre as linhas...)

Caro professor, favor punir os alunos com falta, caso eles desistam do palestrante ou julgarem a palestra uma perda de tempo.

(... e analisando a situação...)

O circo precisar funcionar. Caro professor, vire quantas cambalhotas quiser; o importante é que você adestre seus alunos!

E viva o pão e circo! O que mais me impressiona é que nem o professor pode ser professor, nem o aluno pode ser aluno:

"Professores, temos um aluno do segundo semestre com distrofia muscular, proibido por indicação médica de realizar prática. Nesse caso (...), solicitem [ao aluno] que acompanhe a aula e faça relatório - o qual deverá ser avaliado. Nesse caso, especificamente, a nota da teoria deverá valer mais do que a prática."

E viva esta suposta democracia do ensino superior!

Por e-mail...

"Oi Fernanda estou no terceiro semestre de Educação Física, período noturno, e queria tirar uma dúvida já que não conversei com você... Eu não fiz o trabalho de metodologia do primeiro semestre (p1) e nem o do segundo (p2)... no caso estou direto de exame... Gostaria de saber se tem possibilidade de alcançar a média e como faço para isso acontecer. Levo todos os trabalhos , inclusive o do primeiro bimestre, faço alguma prova ... Por favor me mande uma resposta ... Você percebeu que é caso de vida ou morte né... rs..."

Eu não dei, mas toma lá a resposta que eu gostaria de ter enviado: por mim você pode encomendar o caixão!

Mas não depende de mim...

Histórias com os mestres...

Tive grandes professores na graduação. Figuras carimbadas e grandes pessoas. Em época de copa do mundo, conto uma passagem com o Professor João Batista Freire, autor de livros como "Educação de Corpo Inteiro", "De Corpo e Alma", "O Jogo: Entre o Riso e o Choro", dentre outros. Hoje nós dividimos a administração da Lista de Discussões sobre Literatura e Esporte no Centro Esportivo Virtual. É João, a lista está meio capengando, precisamos agitá-la!

Mas então, numa discussão sobre jogos de futebol, em época de outra copa do mundo, ele é categórico:

- Se a gente colocar dois televisores, um ao lado do outro, um com um jogo de futebol e o outro passando um jogo de videogame, a gente não tem mais como identificar um e outro.

E olha que naquele tempo ainda não existia o "Winning Eleven". Fico pensando, o que será que o João nos diria hoje?

Entre um e outro, entre professor e aluno...

Aprendi com a psicanálise que o jogo se joga no entre, e não do professor para o aluno. Entre eles. É a tal da transferência, uma coisa maluca que pega direto no inconsciente, tanto do professor quanto do aluno. Em uma época em que a informação está em todos os lugares e que chovem trabalhos "ctrl/c -ctrl/v", resolvi apostar minhas fichas no entre mesmo, apoiando, mostrando novas possibilidades, falando da vida. Daí um aluno veio de mansinho, queria que eu indicasse caminhos para a carreira acadêmica etc e tal. Vai lá, pouco tempo depois, estou aqui para brindar seu primeiro pôster em congresso científico.

Parabéns Renato!

Memorial

Lembram daquela coisa que eu sempre digo, dos alunos deixarem de ser a piada do dia? Ou então quando eu prefiro que eles sejam sujeitos e não objetos? Na matéria de Metodologia de Pesquisa eu solicitei que eles escrevessem seus memoriais acadêmicos, para se tornarem sujeitos. E não era tarefa obrigatória. Transcrevo abaixo uma frase de cada memorial que recebi, na certeza de que estes alunos deixarão de serem a piada do dia.

"A profissão de marceneiro exerço até hoje em uma escola de menores carentes. Chegando nesta escola a diretora pediu para eu ficar com as crianças na entrada e na saída dos alunos e recreação. Percebi que tenho muito jeito para lidar com crianças, mas jamais me passou pela cabeça entrar em uma universidade (...)."

"Como minha irmã também havia decidido fazer Educação Física, então iniciamos juntos o curso."

"Alguns dias antes do começo das aulas me ligaram da faculdade dizendo que não haviam aberto o curso de turismo por alguns motivos, e perguntaram se eu queria mudar de unidade ou de curso. Sem pensar duas vezes eu mudei para Educação Física para ver no que ia dar, e deu que hoje, em 2006, eu trabalho na área. sou professor de natação, adoro meu curso, não me vejo fazendo outra coisa (...), acho que desde o começo tudo me levava à Educação Física, mas foi preciso algo maior para me fazer enxergar isso."

"No meu primeiro dia de aula quando entrei pela primeira vez em uma faculdade fiquei maravilhado com o tamanho da instalação do lugar, me sentia a menor pessoa do mundo e o relógio neste dia passou muito rápido."

"Quando começou o curso eu não estava muito animado porque fiquei um bom tempo sem estudar, mas hoje posso dizer que estou muito satisfeito com o curso e não me arrependo nada de ter entrado na faculdade."

"Hoje a única coisa que eu lamento é não ter começado mais cedo a fazer o curso, e assim adiquirir experiência profissional, e ter vivenciado mais (...). Vendo professores com minha idade, hj tenho muita vontade de trabalhar na área."

"Estou gostando do curso, podendo utilizá-lo futuramente dentro da minha profissão e podendo me trazer melhores benefícios na carreira."

"Agora em um futuro próximo, assim eu espero, eu pretendo ser um profissional bem conceituado no mercado, não sendo que nem meu professor de natação [ou] que nem o técnico de futebol que tive, mas sim, sendo que nem meu professor de Educação Física na escola, que me incentivava e me colocava de exemplo para os outros alunos. Hoje eu entendo o porque disso: era uma forma de me mostrar que era capaz de ensinar outros sem saber que estava fazendo isso."

"Os professores que tive no colegial não eram muito interessados em dar aula não. No meu ponto de vista só queriam ganhar seu dinheiro no final do mês, mas agora na faculdade tive a convicção que seria e vou ser profissional porque comecei a estudar mais sobre a área e a me interessar mais."

"Diante destes fatos estou (...) levando o estudo mais à sério, realizando meu desejo profissional e o da minha mãe, que é ver o filho dela formado em uma universidade."

"Como faço dança há quase 10 anos, todos falavam que eu deveria fazer algo ligado à essa atividade que tanto amo."

"Gosto muito da faculdade, tirando que ainda tem alunos que acham que estão na 8ª série, que só sabem atrapalhar os outros, que não se comportam como pessoas normais."

"Vinda de uma família simples tive uma boa educação e acredito que isso foi primordial para minha formação e para ser o que sou hoje."

"Na escola em que trabalho fui reconhecida e aumentaram meu salário, tudo que eu precisava para ficar tranquila, pois sabia que com o salário que ganhava não iria resistir por muito tempo e ia chegar o momento de desistir (...)."

"(...) quando estou dando aula me sinto bem, pois vejo a alegria dos alunos e como faz bem para saúde e pro psicológico das pessoas a atividade física."

"O meu futuro profissional será muito promissor, pois tudo que me proponho a realizar faço com todo carinho e dedicação e quando já não estou mais satisfeita com algo procuro não atrapalhar a quem tenta se empenhar para mostrar seu melhor."

"Enfim, minhas expectativas futuras é de me tornar um bom profissional e com isso fazer valer todos esses anos de estudos, lembrando sempre que o tempo não pára e devemos aproveitar todas as oportunidades que nos são concebidas, por isso faço sempre o que gosto."

"E quando se completarem 10 anos eu quero estar completamente satisfeita com minha vida profissional, para assim poder fazer mestrado e ter a oportunidade de ensinar outras pessoas que tenham a mesma vontade que eu, de poder ajudar o desenvolvimeto de quem precisa e poder capacitá-los no seu início de carreira como eu estou hoje."

Na entrega das resenhas...



Para resenhas de 1 parágrafo:
"Professora, escrevi apenas um parágrafo porque não queria encher linguiça!"
- Que poder de síntese, hein?

Para resenhas xerocadas:
"Professora, esqueci de digitar meu nome, colequei à caneta em cima, tudo bem?"
- Que cara de pau, hein?

Para resenhas esquecidas:
"Professora, esqueci o texto em casa, meu computador deu problema, mas eu fiz, posso te trazer samana que vem? Não? Então posso te mandar por e-mail? Não? Ah vai professora, minha vida é mó corrida, eu tenho que trabalhar, vir pra facu, é difícil... não posso ficar de DP!"
- Que coisa, hein?

O aluno esperto!



Aluno:
"Você acha mesmo que a professora vai ler tudo isso? De qualquer jeito a gente vai ter nota!"

Só pra você saber, eu leio. E os meus amigos professores também. Somos responsáveis, coisa que, talvez, você nem saiba o que é! Muitas vezes nós não temos saída e damos a nota, mas não porque você, aluno esperto, está enganando a gente, mas porque nós, professores escolados, desistimos de você. Sim, você terá a nota, mas não me peça vaga no mercado de trabalho. Vou ignorar. Lembra-se? Você é esperto demais ... não precisa da minha ajuda.

Nem bagres nem dourados, gente mesmo!



Eu gosto do basquetebol e, mais, eu adoro a psicanálise. Ambos não batem minha paixão pela pesquisa. É com ela que eu me realizo, relaxo e gozo (com respeito à expressão). Trata-se de uma relação um pouco egoísta até, porque eu me divirto muito mais do que os alunos. Fato que, convenhamos, em metodologia de pesquisa não é nenhum absurdo. Outras coisas são, daí eu apelo para o abecedário. No levantamento bibliográfico da Dona Charmosa, por exemplo, tinham lá dois artigos curiosos: um sobre a flutuação e o estilo de nado do bagre e outro sobre o nado dos dourados. Só peixão! E estaria tudo certo se o tema de pesquisa não fosse em cima de atletas nadadores, gente; mesmo que se pareçam com peixes. Filhotinha, veja só: se bagres e dourados não fazem parte do seu dicionário acadêmico, não servem pra sua pesquisa, entende? Só rindo mesmo!

Lembrança

Então um dia eu percebi que meu português falado em sala de aula não era mais o mesmo. Não concordava como antes, muitas gírias e com um plural oculto. Enfureci, fui para a sala de aula e usei o português correto, sem gírias, articulando sonoramente o "s" do plural e todas as concordâncias. Estava me sentindo vitoriosa até que um aluno vira-se para mim e diz: "professora, não entendi, a senhora está falando muito difícil hoje, dá pra explicar diferente?".

Avaliação Final

Está terminando o ano, e o semestre. Tá, eu não gosto de reprovar aluno, principalmente porque depois ele vai fazer uma DP que não tem lá muita graça. É on-line e eu acho que o aluno aprende pouco. Eu ajudo antes (ou ajudava, semestre que vem não vai ter nada disso). Dou (dava) uma margem de 4 pontos a mais por semestre, são trabalhos extras ou formas extras de participação. Ou deveriam ser, porque os alunos não aproveitaram. Deveriam substituir a DP porque eu faria o cara trabalhar mais, aumentaria sua nota e daria tudo certo. Mas os alunos não estão nem aí. Acham que faço isso porque sou boazinha, apenas. Então não vou fazer mais. Não quero nem saber. Fico chateada, mas hoje eu reprovei um aluno (nunca foi na aula), e por aí vai.

Porque professores e alunos não se entendem...



Recebi um e-mail questionando se a defesa é mesmo o melhor ataque. Reproduzo uma parte:

"Esse assunto foi levantado no meu treino, quando meu professor afirmou que o ex-jogador Oscar tinha um ataque essepicional, porém deixava a desejar na defeza"

Oxi ... não é dificil concluir algo assim, tão elementar:
"Para uma defeza como essa (com z), o ataque tem mesmo que ser 'essepicional'!"

Sim, tem coisas boas!

Basta procurar que as coisas boas, os 5%, aparecem. No último post divulguei uma história que recebi por e-mail, dos 5% que são bons. Foi um aluno que me enviou, o mesmo que comentou o post, logo abaixo. No seu comentário ele pede para que eu conte as coisas boas de ser professora. Fiquei pensando, porque eu sei, elas existem. Então pensei nos 5%. E antes de achar uma história, ou algumas, me passou pela cabeça que um garçon ganha 10% pra servir mesas, que os números são injustos. Pensei que isto deveria ser diferente. Mas como este não é um post para criticar, desabafar, vou contar sobre uma aluna, atleta da Seleção Brasileira de Futebol Feminino. Um dia ela chegou pra mim e disse:

- Professora, adoro sua aula. Acho que tem tudo a ver com o que a gente passa no esporte.

Eu fiquei feliz porque entender minha aula de psicologia não é coisa assim, tão fácil. E eu sou exigente, monto uma prova complicada. Então, passado um tempo ela me manda um e-mail, falando sobre os problemas do time, que ela tinha dado algumas sugestões, que ela passou a entender melhor algumas coisas depois das aulas, que ela pretendia levar estes conhecimentos para a equipe. É gostoso saber que a gente influencia, faz diferença na vida das pessoas. Não fosse coisas deste tipo eu já estaria em outro lugar, com certeza!

Professor, o que é pra escrever nesta linha?

Tenho um amigo, professor universitário. Elaborou uma prova com cuidado, tanto, que até incluiu uma nota de rodapé para dar uma ajudinha, explicar um conceito. Então, lá pelas tantas, no meio da prova, um aluno pergunta:

"Professor, o que é para escrever nesta linha aqui?"
"Que linha?"
"Esta", e apontou para aquela linha que separa qualquer texto das notas de rodapé.
"Nada, não precisa escrever nada."

Este meu amigo, contando isso, me disse meio em surdina:
"Acho que eles nunca leram um livro na vida".

Uma lenda, será?



Uma professora da faculdade onde leciono veio me contar:
- Você não sabe o que escreveram na prova.
- Não, o quê? - Perguntei curiosa. Sempre tem umas pérolas nas provas.
- Vou soletrar pra você como escreveram "ser humano": ésse, e, erre, u (seru, tudo junto), e depois, traço e a palavra mano. SERU-MANO, pode?
- Não acredito, respondi. Mano de que, hein? De Brow? Uhu!!!

O outro lado da moeda...

Ontem à noite foi dia de apresentação de seminários. É quando o papel se inverte: os alunos serão seus próprios professores. E não é fácil, mesmo sendo mais fácil. São amigos e a tendência é se respeitarem mais do que o fazem em relação aos professores, ilustres desconhecidos. Então no fim da aula ouvi: "professora essa aula foi boa pelo menos para uma coisa: nunca serei professor! É uma falta de respeito, uma falta de envolvimento e blá blá blá".