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13.11.07

A Entrevista no Mestrado e Doutorado

Recebi um e-mail com a pergunta: QUAL O SEU CONSELHO PARA SE DAR BEM NA ENTREVISTA? Entevista aqui, refere-se à etapa final da candidatura para o mestrado e/ou doutorado.

De imediato, a minha tendência é responder em letras bem garrafais: É SÓ DIZER AQUILO QUE A BANCA, PRINCIPALMENTE O ORIENTADOR EM POTENCIAL, QUER OUVIR. E mantenho. A coisa vai mesmo por aí. Resta então saber o que é que a banca quer que você responda. Uma matemática bem simples, por sinal.

Vamos as conjecturas: o que, afinal, uma banca espera de um aluno de mestrado e doutorado?

1. Publicação. E com o nome do orientador a tira-colo, mesmo que ele não tenha participado do "paper" (artigo em revista especializada e indexada pelo Qualis-CNPq como "A Internacional", de preferência), do livro, do capítulo de livro etc e tal. Afinal, crê-se que o mundo acadêmico seja medido pelo número destas coisas que o programa têm (isso inclui produção acadêmica tanto de professores quanto de alunos). Muito mais o número do que a qualidade, embora já existam movimentos indo na direção inversa e que eu, particularmente, acho muito mais interessante. De qualquer forma, para a entrevista, como não você não dá murro em ponta de faca (eu, pelo menos, não recomendo), e independente de suas próprias crenças, é óbvio que você terá que ser categórico e deixar bastante claro que HAVERÁ DEDICAÇÃO EXCLUSIVA de sua parte ao programa. Entende-se por dedicação exclusiva aquele 100% de sua vida destinado ao programa. Se você trabalha, é como se você pudesse dizer que o seu sonho é a pós-graduação e que você não vê a hora de se livrar do emprego que tem para virar a mesa, escrever textos, pesquisar e produzir integralmente.

2. Subordinação Ideológica. Também é comum haverem questionamentos ideológicos, em termos de conhecimentos específicos e cientificos relacionados ao tema do seu projeto. É claro que seu projeto de Borboletas Azuis deve ser enviado à um professor que estuda Borboletas Azuis e não àquele professor que você acha que teria mais chances de debater Borboletas Azuis com você, mas que tem como alvo Cratera de Vulcões. Tentar convencer a banca de que Borboletas Azuis e Cratera de Vulcões são diferentes, mas têm mesma base cientifica é correr um risco desnecessário. Afinal, é o seu projeto que deve se adequar ao estudo do professor e não o contrário. E embora você ache que o encontro entre Borboletas Azuis e Crateras de Vulcões seja o melhor encontro do século em termos de ciência, revolucionário, inclusive, você pode sutilmente se esbarrar na insegurança do professor orientador. É que estes, na maioria das vezes, optam por fazerem o bom e velho feijão com arroz e, caso você não tenha encontrado o professor fora da regra (e onde vale o risco), vai esta dica que dou de graça: se o professor questionar sua lealdade acadêmica em relação à linha de pesquisa dele, certamente ele não estará querendo questionar o quanto revolucionário você é, mas o quanto de problema você vai levar para ele. É aí que um bom projeto (adequado ao que o cara pensa, inclusive inédito já que uma coisa não tem a ver com outra) com o mínimo de problemas é a melhor pedida para a futura relação orientador-orientando. Veja bem, não é porque você quer mudar o mundo que aquele cara, o único que pode ter um tema a ver com o seu, vai querer mudar o mundo também. Por isso que eu digo: é muito importante saber quem é o possível orientador, o que ele pensa sobre o mundo acadêmico e qual é a posição dele frente ao tema que você está querendo abordar no seu projeto. Neste sentido, é fácil deduzir que um candidato que, no ano anterior, teve conversas de cantina habituais com o possível orientador está bem mais à frente do que aquele que está encontrando o cara pela primeira vez no dia da entrevista.

3. Confiança e Autonomia. É de bom tom você deixar claro que você é o candidato ideal para aquela vaga, e nos moldes exatos que eles estão oferecendo. Se o sistema funciona desde sempre do mesmo jeito não é você quem vai declarar, no dia da entrevista, sua inadequação a ele ou à periferia que o envolve. Isso é suicídio e só vale caso o professor orientador também seja um suicida em potencial, o que eu duvido. E como nem você e nem o professor em potencial são declaradamente suicidas, faz o maior sentindo você se mostrar confiável, que não vai deixá-lo na mão em nenhum momento do curso. Isso inclui sua capacidade de autonomia na resolução de problemas, caso o professor orientador tenha que se ausentar durante um tempo. Independente de qualquer coisa é importante deixar claro (caso você seja questionado) que você vai entregar as coisas no prazo estabelecido no cronograma do seu projeto, e se possível antes (e você espera que seja antes, que o prazo que você colocou já conta com estes possíveis imprevistos etc e tal). Geralmente a questão tempo é levantada nas entrevistas. A banca vai bater nesta tecla porque há uma pressão institucional em relação a isso. O programa de pós-graduação ganha mais recursos financeiros quanto menos tempo ele gastar com cada aluno inscrito.

4. Argumentação. Seu projeto será questionado no dia da entrevista. É preciso que você saiba dominá-lo integralmente, juntamente com assuntos paralelos ou antagônicos. Quer dizer, se você quer fazer mestrado e doutorado, obviamente você perderá pontos caso não saiba contextualizar seu projeto de acordo com diversas linhas de pesquisa, posicionando-o contra ou a favor etc e tal. O detalhe, aqui, é que os seus argumentos devem bater com os argumentos da banca. Repito, querer mudar o mundo logo no dia da entrevista não é uma boa idéia. E neste ponto é de bom tom reler as dicas acima porque fatalmente uma coisa tem a ver com outra.

A última observação que faço, em termos de entrevista, é básica: diga o essencial. Ou seja, responda consistentemente apenas aquilo que lhe foi perguntado. Não é necessário correr o risco de vender lebre por gato, você pode se embananar todo e se queimar sem necessidade. Tenha bom senso e encare o processo como um jogo cheio de regras. Lembre-se de que algumas destas regras estão escritas e outras são subjetivas. E lembre-se também que a entrada no mestrado e no doutorado envolve relações afetivas e subjetividade. Nada é tão frio assim quanto parece, afinal é nesta suposta relação orientador-orientando que o processo se desenvolverá.

Desta feita, não basta você ser o melhor acadêmico do mundo, mas a melhor opção para o orientador em questão.

8 comentários:

Ênio Cavalcanti disse...

Obrigado pelas dicas!

Júnior Cavalcanti disse...

Cara foram bacanissímas as dicas,,, amanhã é minha entrevista eu pense n frio na barriga que estou hehehehe

Valeu!!!

Honório R. Morais disse...

Amigo, hj é a minha entrevista, aproveitei o intervalo para pesquisar alguma coisa relacionado, achei suas dicas, gostei mtu.
abraços

Idéias... disse...

Otimas dicas!
Amanha é minha entrevista, estou com o frio na barriga que o júnior falou.
Estou muito tenso. Queria ser mais tranquilo quanto a isso..
Valeu pelas dicas

Vanessa disse...

Nossa!!! daqui a pouco é minha entrevista...tó muito tensa!!! Mais, muito obrigada pela dicas..tem hora que parece que meu coração até para de bater...rsrsr vlw.

Anônimo disse...

Valeu pelas dicas foram serão super válidas na minha entrevista amanhã!!!

Gilberto disse...

Hoje é minha entrevista! Espero que corra tudo bem! : )

Anônimo disse...

Hoje é minha entrevista. vC me ajudou muitooo....PARABÉNS.

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