A qualificação do doutorado me fez questionar: afinal, quem é que qualifica, hoje em dia? O aluno, o orientador ou o curso? É melhor que se escolha por um dos três, no máximo dois, mas a confuência é impossível.
No corredor das faculdades o laboratório de lá continua brigando com o laboratório de cá? Vamos apresentar o conceito de WEB 2.0 para eles? Porque bem passou da hora. E como! O departamento de cá brigando com o departamento de lá! WEB 2.0 neles!
As pérolas da faculdade em que faço doutoramento escapam pelas portas e escadas. De repente, o pacto: no nosso grupo de estudos só entra quem a gente quiser e pronto. AMÉM! Quem é que se arrisca ao pacote WEB 2.0 para chacoalhar a universidade?
A pérola da qualificação foi a morte do sujeito decretada por uma das pessoas da banca. Ela começou assim:
- seu trabalho incomodou muito. pesquisei seu lattes e vi que você é professora, então eu pensei que você não poderia acreditar nisso que diz, o professor sabe sim, mais que o aluno, tem mais conhecimento e isso não tem como mudar.
Não? Eis então a morte de um sujeito em que uma pudorosa doutora esquece, talvez porque ela própria tenha sido escamoteada enquanto sujeito, em seus desejos e saberes, e vem repetindo o sistema durante muito tempo. É, deve ser isso.
EU NÃO CONCORDO, caríssima professora doutora fulana de tal. Se eu não puder aprender com meus alunos, e eles não puderem me ensinar, eu jamais serei sujeito da pratíca docente. Apenas uma professora de repetir. Aliás, passei pelo seu lattes também, em retribuição à sua visita no meu. Fica a pergunta: a senhora já deu aulas fora da universidade? Por que assim, olha, analisando bem, aquele único ano na escola pública que lá está registrado, muuitos e muitos anos atrás, deve ter assustado, não? Já que você ficou por tantos anos distante da docencia, só voltando na universidade. A-ham. Ai que delícia ler Rubem Alves para dar mais razão a mim e menos a senhora. Acho que a única fala boa de vossa senhoria foi o colocar sua posição de banca à disposição, pois então saiba, EU ACEITEI!
Ah é, eu aceitei, mas meu orientador não. Arbitrariamente manteve a banca com o intuito, segundo ele, de me proteger. MAS quem foi que disse que eu quero ser protegida? E aquele debate linha por linha? Afinal, pra quê serve uma qualificação senão para irritar o orientando? Cadê a porra do debate dissecante parágrafo a parágrafo?
Meu orientador, este que manteve a banca sem estar em comum acordo com o orientando (no caso sou eu), levou um susto com o email que escrevi a posteriori. ESTOU FORA, querido orientador, pois estou morta enquanto sujeito. AMÉM!
Irritado ele me chamou de egoísta, vamos às suposições.
1. o problema dele e da academia toda chama qualis. E, por motivos de ideologia absolutamente pessoais, não publiquei nada com magnânimo doutor e algumas coisas sem ele, bem mais divertidas.
2. acredito que ele, magnânimo doutor, não tenha lido todo o texto de qualificação. Me prove se for o contrário.
3. Obviamente ele, magnânimo doutor, nunca teve interesse pela minha dissertação de mestrado, porque ela une psicanalise e esporte e bah, onde já se viu? A banca toda não leu. Preciso urgentemente copiar uns trechos completos de um trabalho pro outro. Vai que daí surge um esforço mínimo de tentar entender coisas para além do be-a-bá comum da pedagogia do esporte.
Agora vamos aos fatos e tire suas próprias conclusões:
1. Negociamos a banca, muitos meses antes. Todas as minhas sugestões foram ignoradas. Ouvi não, e não, e não. Autoridade magnânima do doutor magnânimo. Quem é egoísta e pensa só em si próprio?
2. Então eu consegui colocar uma professora que tinha tudo a ver com meu trabalho na suplência. Um dos professores desistiu e então apareceu, sei lá de onde, essa mulher acima que não estava na quadrilha. Drummond, me salve, por favor. Lá se foi de escantei a minha única sugestão aceita. Quem é o egoísta e pensa só em si próprio?
3. Daí, como o incosnciente deixa suas brexas, caiu em minhas mãos o documento oficial da escolha inicial da banca e, pala minha surpresa, notem, a professora que eu indiquei não estava mais lá. Sumiu, caro magnânimo doutor? Quem é egoísta e pensa em si próprio?
4. Disso o magnânimo ainda não sabe que eu sei, mas ouvi em alto e bom som: Fernanda, o orientador precisa proteger o aluno, por isso mantive a banca. MAS quem é que disse que eu quero ser protegida? Eu quero estar viva, ser sujeito do meu texto de doutorado, quero ser debatida, confrontada, dissecada. Quem é que...? Hein?
5. Em debate na banca sobre a presença da psicanalise no meu tabalho (ame-a ou odeie - e lá todos odeiam), ele diz, quando algum participante questiona: não dá para pôr ninguém da psicanalise na banca, nao é minha área. Aha! Eis o ponto. Quem é que quer se proteger? E ter menos trabalho? E ser menos confrontado? E ter finalmente um título de orientador de doutorado pra subir no plano de carreira? Quem é que? Hein?
Sem mais comentários, e olha que eu tenho um monte deles. Mas me lembrei de quando iniciei esse blog, 5 anos atrás, indignada com a banca do processo seletivo do doutorado, pela primeira vez, na mesma universidade. ocasião em que um desses doutores, magnânimos, autoridade máxima, eliminou meu processo do doutorado, eliminou a banca e me eliminou. Ninguem ficou sabendo que eu prestei processo seletivo público para tal. Mas então eu sempre tive as palavras, e sei da força delas. MAIS UMA VEZ EU VOLTO AQUI INDIGNADA COM AS BANCAS, COM OS DOUTORADOS, COM A UNIVERSIDADE PÚBLICA E COM OS PROFESSORES DOUTORES MAGNÂNIMOS.
Está na hora de vocês aprenderem um pouco com os jovens e suas novas concepções de mundo. Talvez o aprender seja mais do que isso, de um professor no lugar de mestre, auge do seu poder. Fico cá pensando com meus botões o quão triste deve ser a vida da mestra que se sentiu ofendida (mas aceitou continuar na banca - vai entender). Afinal, o poder deve lhe dar uma falsa sensação de sei lá o quê.
O conceito colaborativo de WEB 2.0 com urgência na universidade! E menos trabalhadores servis em prol de pessoas mais criativas e pensadoras!
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De volta ao baille
Quatro anos longe da universidade, na condição de docente, as mesmas coisas, como se nada ficasse diferente, e tem anos que o ensino superior tem sido o mesmo, com a diferença de estar cada vez menos do que mais. O resto é igual: lousa, professores falantes, alunos calados. Quanto mais não reclamam do professor, melhor. Outra diferença: a tecnologia, nunca disponivel para o professor montar suas aulas mais atraentes, custa caro para a instituição ter um data show disponivel pra cada sala, mas não custa muito nas mãos dos alunos, fones e games em prol do silêncio universitário. ao professor, custa mesmp sua própria ideologia.
A crônica acadêmica
Para minha amiga Solange, diretamente da aula dela na universidade.
Local: laboratório de informática.
Aula: Jornalismo de Revista.
No quadro: Diferença entre a crônica e o artigo de opinião.
A fotografia.
Atrás do monitor, uma donzela.
Talvez não nos termos de séculos atrás, de virgindade, pureza e coisa e tal. E, no auge dos seus vinte e poucos anos, ela saca da bolsa- enquanto a professora diz que artigo de opinião é um texto que defende uma idéia - seu kit de beleza, espelhinho, base, pincel, blush e pó.
Depois de uma análise criteriosa na porosidade aparente, ela ainda nem percebeu que o assunto mudou do artigo para a crônica, um algo escrito que permeia uma visão de mundo através de dados factuais. E ela era o fato, o tema cotidiano, a ironia e, muito provavelmente a vergonha alheia. A minha vergonha.
De olho no espelho, passou a base com o dedo como se preparasse o rosto para a maquiagem. Preparou. Em seguida pegou o lápis, passou ao redor dos olhos, para dar cor à tela ainda embranquecida. Um rosa nas bochechas. Um tempo para os retoques. E o batom só pulou da necessaire quando a aula dizia do escrever.
Assuntos interessantes para os futuros jornalistas. Aquela coisa de laboratório mesmo, de prática, a vida na lida e no lide: como fazer um perfil, como fazer uma entrevista, onde se pode ou não pode usar adjetivos no texto jornalístico. Mas ela ali, ausente disso tudo, levantou os lábios narcísios, piscou suas pestanas tingidas de preto, analisou o rosto de um lado e de outro e imagem e tal.
Por certo que a professora até se sentiria lisongeada se toda essa dedicação tivesse sido em prol da prática do jornalismo em revista, cujos detalhes em tons, cores, coisas, pestanas etc e tal sobre a pele se tornasse literatura. E em pauta caísse como uma luva o jornalismo literário. Mas ela ali, ausente de tudo, nenhuma atenção para como se constrói uma linha de tempo, a importância da narração dos fatos para os meios jornalísticos e blá blá blá.
Coisa e tal ela tira da mesma necessaire de couro preto um fio dental. Seu olhar se volta novamente para o espelhinho, lábios esticados de modo a mostrar tanto os dentes de cima, quanto os de baixo, de modo a poder contar os 32, exceção feita ao siso. Corta um pedaço do fio e com movimentos ritmados para frente e para trás, um dente ao lado do outro, algumas babas caem sobre o monitor, tela em descanso, "professora, é muito difícil".
De volta à diferença entre os artigos de opinião e a crônica, o primeiro com argumentos abstratos, o outro mais preso ao cenário, a aluna verifica, confere o rosto, tudo em ordem, ajeita os cachos dos cabelos. Um depois do outro e na conferida final, e nos finalmentes, e no último minuto do segundo tempo faz funcionar o computador para ver as novidades do dia. Hotmail.
Do lado de lá, propõe-se um exercício de escrita. Curso de jornalismo. Brasília. Arruda? Então ela, inocente no tema, balança a cabeça, não sabe direito o que está acontecendo. Nega. Diz não. Começa o exercício, ela se levanta, arruma a blusinha, verifica a calça jeans, dá uma última olhada no espelhinho, verifica o bico do sapato do tipo chinelas havainas e pede para ir ao banheiro. Vai e não volta.
(...) E no retrato do Ensino Superior Brasileiro, em que alunos não ambicionam nada além de continuar nos seus centros de telemarketing e desfilando suas roupinhas de grifes, resta, como na maioria das vezes, as imitações (...)
Isso me lembra outra vez, em que uma colega dava uma aula empolgadíssima, quando uma das alunas levanta a mão. A professora toda contente com o interesse:
"Sim, sim, em que posso ajudar?"
Mas a resposta veio como um tiro certeiro:
"Professora, onde você comprou seu tênis?"
Bléim, bléim, bléim. Os sinos tocam. A aluna imaculada em jornalismo de revista volta para a sala de aula. Parece que não vai ser hoje que ela vai tirar o cabaço, no bom português. Sobre a mesa uma lixa de unhas, um vidrinho de esmalte cintilante, acetona e um palitinho com algodão.
a banca
A BANCA (dos escritos antigos)
Para aqueles que pensam em entrar num mestrado, num doutorado ou prestar um concurso público vai a dica de que nem sempre a competência é a alma do negócio. E se por um acaso você não puder ser o dono da banca (geralmente é ele quem dá as cartas, marcadas?), seja, no mínimo, seu melhor amigo. Prostitua-se academicamente, se assim for necessário. Não é tão cruel se você pensar na perspectiva dos interesses, que sempre são subjetivos e, portanto, inexplicavelmente válidos. Mas, se você não concorda, vire a banca pois, de fato, não se trata de um jogo de azar.
Quando se presta um concurso o que a gente quer (ou deveria) é abafar a banca, ou seja, causar admiração, e pelo talento. E tem muita gente por aí que, ao contrário, vai botar a maior banca: vão tentar vangloriarem-se por suas qualidades ou bens pessoais, por sua posição, seu status. Ou então preferirão causar admiração pela beleza, as mulheres principalmente, e com o sublime intuito sedutor de levar os homens à banca rota. O inverso também existe, mas o golpe da barriga, este ainda é insuperável, dá às mulheres um certo poder estarrecedor e é bom que se esclareça, o lugar do poder é assim mesmo: autocrático e subjetivo.
Mas se estamos falando de concurso, a democracia, de fato, deveria sobrepor-se. E está representada pela própria idéia de se constituir uma banca de avaliação. Uma banca pressupõe que um grupo de pessoas supostamente qualificadas e eticamente comprometidas.
No entanto, sempre que se quer pensar em democracia, criam-se bancas em nome do compromisso ético. Trata-se de um conjunto de pessoas que têm como função avaliar uma situação ou representá-la considerando outros pontos de vista. Mas a banca examinadora, um grupo de pessoas supostamente qualificadas e eticamente comprometidas, está lá para exercer um papel democrático, pois tratam do conjunto das idéias e opiniões daqueles que a compõem, nem que o parecer final tenha sido pelo voto, representando a maioria. Sem exercer este papel a banca perde respeitabilidade, vide o exemplo do Poder Público. Nestes casos a banca não passa de uma mesa, um tampo sobre cavaletes, grande e de qualidade inferior. Quer dizer, neste caso nem a mesa é uma simples mesa, existem aqueles que a compõem e a mesa volta ao seu lugar de banca. ele pode ser diferente. Basta que se construa uma outra banca, um conjunto de poderes a tomar decisões de causas discutidas e avaliadas, para que se torne democrático.
Garantem a participação de todos, Mas tem gente que não bota banca, mas que também não tem opinião formada ou, pior, não compreende o sistema em que está inserido e as decisões passam a ser subjetivas antes de serem democráticas. Eu também já fiz isso por diversas vezes e sei que vou continuar por mais algumas outras tantas. Não tem como fugir porque a banca ela está sempre lá. Está no jornaleiro, no mobiliário e no jogo de cartas. Eu escolhi o caminho mais difícil, preferi quebrar a banca.
Quando se presta um concurso o que a gente quer (ou deveria) é abafar a banca, ou seja, causar admiração, e pelo talento. E tem muita gente por aí que, ao contrário, vai botar a maior banca: vão tentar vangloriarem-se por suas qualidades ou bens pessoais, por sua posição, seu status. Ou então preferirão causar admiração pela beleza, as mulheres principalmente, e com o sublime intuito sedutor de levar os homens à banca rota. O inverso também existe, mas o golpe da barriga, este ainda é insuperável, dá às mulheres um certo poder estarrecedor e é bom que se esclareça, o lugar do poder é assim mesmo: autocrático e subjetivo.
Mas se estamos falando de concurso, a democracia, de fato, deveria sobrepor-se. E está representada pela própria idéia de se constituir uma banca de avaliação. Uma banca pressupõe que um grupo de pessoas supostamente qualificadas e eticamente comprometidas.
No entanto, sempre que se quer pensar em democracia, criam-se bancas em nome do compromisso ético. Trata-se de um conjunto de pessoas que têm como função avaliar uma situação ou representá-la considerando outros pontos de vista. Mas a banca examinadora, um grupo de pessoas supostamente qualificadas e eticamente comprometidas, está lá para exercer um papel democrático, pois tratam do conjunto das idéias e opiniões daqueles que a compõem, nem que o parecer final tenha sido pelo voto, representando a maioria. Sem exercer este papel a banca perde respeitabilidade, vide o exemplo do Poder Público. Nestes casos a banca não passa de uma mesa, um tampo sobre cavaletes, grande e de qualidade inferior. Quer dizer, neste caso nem a mesa é uma simples mesa, existem aqueles que a compõem e a mesa volta ao seu lugar de banca. ele pode ser diferente. Basta que se construa uma outra banca, um conjunto de poderes a tomar decisões de causas discutidas e avaliadas, para que se torne democrático.
Garantem a participação de todos, Mas tem gente que não bota banca, mas que também não tem opinião formada ou, pior, não compreende o sistema em que está inserido e as decisões passam a ser subjetivas antes de serem democráticas. Eu também já fiz isso por diversas vezes e sei que vou continuar por mais algumas outras tantas. Não tem como fugir porque a banca ela está sempre lá. Está no jornaleiro, no mobiliário e no jogo de cartas. Eu escolhi o caminho mais difícil, preferi quebrar a banca.
Cairá o Rei? Pró-reitor diz que não está nem aí, hein?
Pró-reitor da unigranrio disse não se importar com o vestibular. E se pra ele, e outros como ele, tanto faz, quem é responsável pela qualidade do Ensino Superior Particular num sistema onde o MEC dá autonomia para que estas instituições cuidem de si?Pra que serve um reitor? E um pró-reitor?
O reitor é aquele que rege, governa, administra ou dirige alguma coisa, no caso do Ensino Superior, uma universidade ou certas corporações escolares. Já o pró-reitor é o homem que está antes do reitor e assume algumas legalidades em termos de distribuição de algumas funções. Pode-se dizer que se trata de um filtro ante a reitoria, mas não diminui a legitimidade do cargo.
Em "Cai o Rei de Ouros, Cai o Rei de Paus: os estudantes chacoalham o sistema", alertei para o fato de que, nos últimos tempos, alguns estudantes têm derrubado alguns grandes personagens do Ensino Superior atual, geralmente envolvidos em escândalos, corrupção ou por terem dito algo que lhe fugia à competência, fatos caracterizados por menosprezo, preconceito e irresponsabilidade.
Nesta matéria do Fantástico, o pró-reitor admite: “Mesmo não estudando para o vestibular, você pode fazer esta prova até no chute. Eu, por exemplo, que estou defasado, posso fazer 25 pontos”, e completa quando o repórter pergunta qual é a nota mínima de corte, por exemplo, num curso como administração: “Eu não me preocupo com isso. Olhando nos seus olhos: eu não me preocupo com isso. Eu não preciso disso. Eu não valorizo isso”.
Ao se pensar nas denúncias da matéria exibida:
- 5 milhões de candidatos para o Ensino Superior;
- 2, 5 milhões de vagas disponíveis, sendo 300 mil em Universidades Públicas;
- 80% dos universitários estão na rede particular de ensino;
- 100 faculdades, em média, surgem por ano na rede particular, o que aumenta a concorrência;
fica claro, como diz o educador Zacarias Gama, que “esse sistema particular se inchou e precisa de alunos como condição de sobrevivência. Ele começa a usar estratégias de mercado no sentido de ter o aluno que ele precisa com o potencial de pagar a mensalidade, com potencial de comprar as coisas que existem dentro dos seus shoppings, menos interessado talvez no seu mérito acadêmico, na reflexão que o aluno é capaz de fazer. Então, é um grande mercado de diplomas”.
Desta feita, há uma banalização dos vestibulares o que implica em levar para o Ensino Superior alunos despreparados e descontextualizados. Então eu pergunto: também haverá mobilização destes estudantes, quer dizer, dos estudantes que são alunos da unigranrio e, portanto, submetidos à fala do pró-reitor, para derrubá-lo? Cairá o rei? Tomarão a reitoria? Fica a dúvida...
Entre a autoria e a culpa?
No post abaixo eu reproduzi alguns e-mails do grupo de estudos. Eticamente questionáveis, inclusive. A questão ainda é esta, sobre a autoria, ou os autores de papers científicos. E se alguém ainda tinha esperanças de que a cabeça no travesseiro e uma noite mal dormida desse conta do recado e os envolvidos esquecessem a idéia de jirico que tiveram, este alguém se enganou. O máximo que uma noite mal dormida conseguiu fazer com esse bando sem noção foi por outra conta, a de justificar a imbecilidade para os organizadores do congresso. Acompanhe:E-mail 1: “Olá pessoal! Estou escrevendo o resumo para o Congresso e estou em dúvida e queria a sugestão de vcs. Na introdução escrevi sobre o que se trata o texto, resumidamente, de onde, método, objetivo. Finalizei da seguinte forma: ‘Este estudo faz parte da proposta de dissertação de mestrado em bla bla blá na área de blé blé blé, que está atualmente em fase de finalização, realizada na bló bló bló. Seu conteúdo também é discutido por um grupo de estudos na área blé blé blé e suas relações sociais, mediado pelo professor orientador deste pesquisador e tendo como participantes seus demais orientandos. Desta forma todo texto produzido passa pelo crivo do grupo o que proporciona críticas e sugestões para a sua construção, justificando-se a co-autoria de seus integrantes.’ Vcs acham que é necessário justificar todos os nomes dos co-autores. Achei que sim pq se colocasse apenas como dissertação, caberia na lógica, apenas o meu nome e do orientador, não é? Fico no aguardo de suas sugestões, ok? Fiquem com Deus!”
E-mail 2: Nossa bibi, não sei se é a melhor escolha, mas dentro das razões levantadas concordo com o que você fez para não ficar estranho (mais em cima do muro impossível né?). Eu manteria tal justificativa. Talvez possamos colocar em todos uma menção ao grupo de estudos pelo menos nos painéis (ainda que não estejamos oficializados como um grupo) consulto a opinião de todos também. Abraço.”
Em tempo, o orientador, na leva de e-mails anteriores anunciou por uma porta-voz de que, então, o nome dele deveria constar como último da lista em cada um dos trabalhos. Não no meu, bebé! Estou fora, sacou? Quanta vergonha, quanta vergonha!
Papers de Mel e Pesquisadores de Chocolate
Ah, pois eu então lhe digo porque tanto me incomoda estar onde estou. Para os desavisados, a idéia de montar este blog foi por conta de um processo seletivo para o ingresso ao doutorado, nos idos de 2005. Então eu escrevi A Banca, e questionei a ética da coisa. A história rendeu, um professor, em negociata, tomou as dores, estava certo de que eu deveria passar por cima de todas as desavenças e então fazer doutorado, porque meu lugar era no doutorado e coisa e tal. Em parte eu concordava, eu passei quase três anos tentando encontrar uma vaga de doutorado que fosse a minha cara e não achei. Nem aqui, nem fora do país. É que no doutorado, por mais autonomia que o estudante tenha em relação ao seu orientador, tem muitas coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia. São contratos escusos, e a ética é facilmente confrontada. Seja aqui, seja ali.
Não faço muito segredo de que, então, não estou onde eu gostaria de estar. O primeiro detalhe é que fiz o projeto de doutorado para ser orientada por um professor, e me restou outro. É aí que os problemas surgem, pelo preço que cada um resolve pagar, seja pela endogamia acadêmica, seja pelas relações das quais se espera ganhar com o outro.
Também já falei aqui sobre a engodamia dos livros, criticando as correntes de autores. Já falei dos sustos que levei no grupo de estudos e já passou um bocado de tempo de tudo isso. Mas, então, a coisa se repete, sempre repete (e foi um dos motivos de eu ter encerrado este blog em outra ocasião). A coisa se repete e eu fico com vergonha alheia.
Querendo ou não querendo, quando eu disse sim à orientação de doutorado eu aceitei o jogo. Pelo menos o jogo da instituição que me abrigou. E para ir mais além, sou bolsista do CNPq. Mais institucional do que isso, só pegando mais verbas na reitoria de pós, o que não vai acontecer tão cedo porque estou querendo me manter à distância.
Eu sei que não sou uma pessoa 100% ética, ou apenas já cansei de lutar contra algumas coisas. Mas tem coisa que não dá para não ser ética. O fato é que eu estou passada com a negociação via e-mail que está acontecendo com meu grupo de estudos (do qual faço questão de me ausentar, pela cretinice dos acontecimentos vigentes por lá). Agora resolveram fazer uma lista (exceção feita ao meu nome, ainda bem) de todos participantes. A idéia é simples e não é novidade no meio acadêmico. Para cada resumo que um dos participantes enviar para uns dos congressos de maior prestígio na área – já questionado por mim – acrescenta-se todos os outros nomes do grupo de estudos, criando-se uma rede. Um pesquisador de chocolate acaba fazendo apenas um trabalho e ganhando outros 5, ou 6, ou 7, dependendo do número de integrantes escusos e complacentes do tipo “me add que eu te add”. [Parênteses: esta minha comparação com o mundo internetês é injusta. Na internet, um sistema de redes, há muito mais instrumentos de combater esse tipo de ação para que sites e blogs subam seu page rank do que sonha o mundo acadêmico, uma questão de seriedade].
Meus ombros suportam o mundo, mas não suportam pesquisadores vagabundos. Por isso não carrego nomes sem sentido, apenas de gente competente e que, de fato, contribuiu para o estudo. Mas nessa corrida papers de mel, promovida pelas instituições regulamentadoras (que eu apoio, já disse em outras ocasiões) têm contribuído para o outro lado da moeda deixando a coisa um pouco à deriva. Talvez seja a hora deste sistema acompanhar os esforços das redes sérias que se criam pela internet. Com ela, os jovens aprendem que sozinho não se ganha o mundo, nem com fraudulências. É que na internet os mecanismos de buscas e ranqueamento de sites e blogs já rastream e punem que faz uso de links como uma rede para ganhar acessos, dentre outras coisinhas a mais.
Navegando e aprendendo.
Abaixo a troca de e-mails dos Pesquisadores de Chocolate em busca de Papaers de Mel:
E-mail 1: Olá pessoal, vcs irão mandar resumos para o congresso em Porto Alegre? O que vcs acham de cada um fazer um e colocar os nomes dos outros no trabalho, pois dessa forma (como fazem em outros institutos) todos terão mais publicações e também, não sei se todos poderão ir até o congresso para apresentar ou expor. Abraço.
E-mail 2: Olá pessoal! Eu concordo plenamente. Pretendo fazer um resumo ampliado. Vamos ver se consigo. Fiquem com Deus.
E-mail 3: Concordo!
E-mail 4: Bom, se todos estamos de acordo, faremos o seguinte, cada um envie organize um resumo e coloque o nome de todos. Só para confirmar os nomes completos são esses: Beltrano de Tal [este é o orientador dos alunos, inclusive o meu, que vergonha! Me digas com que andas, professor, que te direi quem és], Fulano de Tal, Cicrano de Tal, Lá lá lá de Tal, Li li li, Ló ló ló. Não sei se alguém mais vai mandar (Lê lê lê de Tal? Lu lu lu? Tan tan tan?) Lembrando que cada autor pode ter até 6 trabalhos, Abraço a todos.
E-mail 5: e cada trabalho pode ter 6 autores.
Rá! Fizeram as contas? Em uma tacada só, o pesquisador de chocolate pode, de 6 trabalhos, ter bem uns 30 papers de mel. Rá! Quanta vergonha! Quanta vergonha!
Não faço muito segredo de que, então, não estou onde eu gostaria de estar. O primeiro detalhe é que fiz o projeto de doutorado para ser orientada por um professor, e me restou outro. É aí que os problemas surgem, pelo preço que cada um resolve pagar, seja pela endogamia acadêmica, seja pelas relações das quais se espera ganhar com o outro.
Também já falei aqui sobre a engodamia dos livros, criticando as correntes de autores. Já falei dos sustos que levei no grupo de estudos e já passou um bocado de tempo de tudo isso. Mas, então, a coisa se repete, sempre repete (e foi um dos motivos de eu ter encerrado este blog em outra ocasião). A coisa se repete e eu fico com vergonha alheia.
Querendo ou não querendo, quando eu disse sim à orientação de doutorado eu aceitei o jogo. Pelo menos o jogo da instituição que me abrigou. E para ir mais além, sou bolsista do CNPq. Mais institucional do que isso, só pegando mais verbas na reitoria de pós, o que não vai acontecer tão cedo porque estou querendo me manter à distância.
Eu sei que não sou uma pessoa 100% ética, ou apenas já cansei de lutar contra algumas coisas. Mas tem coisa que não dá para não ser ética. O fato é que eu estou passada com a negociação via e-mail que está acontecendo com meu grupo de estudos (do qual faço questão de me ausentar, pela cretinice dos acontecimentos vigentes por lá). Agora resolveram fazer uma lista (exceção feita ao meu nome, ainda bem) de todos participantes. A idéia é simples e não é novidade no meio acadêmico. Para cada resumo que um dos participantes enviar para uns dos congressos de maior prestígio na área – já questionado por mim – acrescenta-se todos os outros nomes do grupo de estudos, criando-se uma rede. Um pesquisador de chocolate acaba fazendo apenas um trabalho e ganhando outros 5, ou 6, ou 7, dependendo do número de integrantes escusos e complacentes do tipo “me add que eu te add”. [Parênteses: esta minha comparação com o mundo internetês é injusta. Na internet, um sistema de redes, há muito mais instrumentos de combater esse tipo de ação para que sites e blogs subam seu page rank do que sonha o mundo acadêmico, uma questão de seriedade].
Meus ombros suportam o mundo, mas não suportam pesquisadores vagabundos. Por isso não carrego nomes sem sentido, apenas de gente competente e que, de fato, contribuiu para o estudo. Mas nessa corrida papers de mel, promovida pelas instituições regulamentadoras (que eu apoio, já disse em outras ocasiões) têm contribuído para o outro lado da moeda deixando a coisa um pouco à deriva. Talvez seja a hora deste sistema acompanhar os esforços das redes sérias que se criam pela internet. Com ela, os jovens aprendem que sozinho não se ganha o mundo, nem com fraudulências. É que na internet os mecanismos de buscas e ranqueamento de sites e blogs já rastream e punem que faz uso de links como uma rede para ganhar acessos, dentre outras coisinhas a mais.
Navegando e aprendendo.
Abaixo a troca de e-mails dos Pesquisadores de Chocolate em busca de Papaers de Mel:
E-mail 1: Olá pessoal, vcs irão mandar resumos para o congresso em Porto Alegre? O que vcs acham de cada um fazer um e colocar os nomes dos outros no trabalho, pois dessa forma (como fazem em outros institutos) todos terão mais publicações e também, não sei se todos poderão ir até o congresso para apresentar ou expor. Abraço.
E-mail 2: Olá pessoal! Eu concordo plenamente. Pretendo fazer um resumo ampliado. Vamos ver se consigo. Fiquem com Deus.
E-mail 3: Concordo!
E-mail 4: Bom, se todos estamos de acordo, faremos o seguinte, cada um envie organize um resumo e coloque o nome de todos. Só para confirmar os nomes completos são esses: Beltrano de Tal [este é o orientador dos alunos, inclusive o meu, que vergonha! Me digas com que andas, professor, que te direi quem és], Fulano de Tal, Cicrano de Tal, Lá lá lá de Tal, Li li li, Ló ló ló. Não sei se alguém mais vai mandar (Lê lê lê de Tal? Lu lu lu? Tan tan tan?) Lembrando que cada autor pode ter até 6 trabalhos, Abraço a todos.
E-mail 5: e cada trabalho pode ter 6 autores.
Rá! Fizeram as contas? Em uma tacada só, o pesquisador de chocolate pode, de 6 trabalhos, ter bem uns 30 papers de mel. Rá! Quanta vergonha! Quanta vergonha!
Cai o Rei de Ouros, Cai o Rei de Paus: os estudantes chacoalham o sistema!
Cai o Rei de Ouros, Cai o Rei de Paus: os estudantes chacoalham o sistema!
por Fernanda Ramirez
por Fernanda Ramirez
Cai, não fica nada.
Nos últimos tempos tem-se visto uma movimentação dos Estudantes do Ensino Superior em franca manifestação país adentro. Primeiro foram os estudantes da USP, em maio do ano passado, que tomaram conta do prédio da reitoria. Estavam contra os decretos do Governador José Serra anunciados em janeiro de 2007 (dentre outras coisas, os decretos proibiam por tempo indeterminado a contratação de professores e funcionários para a instituição; impediam que as universidades usassem a verba sem autorização do secretário da Educação Superior e tiravam a autonomia universitária). Cai, não fica nada!
Depois foi a vez dos brasilienses da UnB que tomaram sua reitoria. Queriam a saída imediata do reitor Thimothy Mulholland, do vice Edgar Mamiya e de todas as fundações envolvidas em processos de corrupção. O estopim, em abril de 2008, foram os gastos superfaturados do reitor e sua lixeira de 1000 reais. Em janeiro deste ano, surgiram diversas denúncias de corrupção envolvendo a atual gestão da reitoria da UnB, envolvendo desvio de verbas por meio da FINATEC para uso privado do reitor. O Ministério Publico abriu inquérito e nas investigações descobriu mais irregularidades envolvendo a FUB e a FUNSAUDE. O grupo que estava à frente da reitoria desde 1998 já esteve envolvido também em outros escândalos como o do Centro de Seleção e de Promoção de Eventos (CESPE), o da Casa do Estudante (CEU) e o da própria eleição da atual gestão. Vale lembrar que desde 1996 após o decreto do Governo FHC, a UnB não tinha eleições paritárias para reitor, outra exigência dos estudantes. Cai, não fica nada!
Nesta semana, os donos da bola foram os estudantes e os professores da Universidade Federal da Bahia. É que o infeliz do coordenador do curso de Medicina, Antônio Dantas, declarou que a baixa no rendimento dos alunos no ENADE (Exame Nacional de Desempenho, do MEC) se deu devido ao fato dos baianos terem QI inferior ao restante do país. Hein? Nos dias de hoje é bom que se proteja ou cai, não fica nada!
É claro que a imprensa distorce fatos e é capaz de dizer grandes mentiras contando apenas verdades e não se sabe ao certo em que contexto o coordenador do curso disse tal blasfêmia. A pesquisa acadêmica e os papers também permitem esta falácia, na medida em que o pesquisador manipula os dados e publica apenas aqueles que lhe interessam. Para os acadêmicos há revisão por pares e coisa e tal dentre os inúmeros indexadores de pesquisa mundo afora. Para os cursos superiores há o ENADE e o fato histórico de que os alunos das universidades públicas têm uma tendência a boicotar o exame, porque não estão de acordo. Esta poderia ser uma das explicações para o baixo desempenho dos alunos da Bahia, segundo Arquimedes Ciloni, presidente da Andifes (associação que representa os reitores das universidades federais).
Independente do acontecido, este fato traz à baila novamente a legalidade de exames como o ENADE e outros instrumentos que regulam os cursos superiores. Há uma tendência da população em rejeitar números e índices, principalmente no tocante à educação. É que então, os números não seriam capazes de dizer como, de fato, a coisa funciona. Números são números, não provariam a qualidade do ensino. Mas trazem deduções lógicas. São indicadores essenciais de repasse financeiro e, convenhamos, deixar a educação ao-deus-dará não faz sentido. Pode ser pouco, pode ser insuficiente, pode ser inadequado, pode um monte de coisas, mas não se pode negar que é necessário haver agentes reguladores, principalmente em se tratando de universidade pública, que deve explicações à nação.
Desta forma, eu concordo com Naomar de Almeida, reitor da Universidade Federal da Bahia, que declarou em entrevista para a televisão que, de certa forma, o boicote dos estudantes ao exame nacional é um erro. No entanto, de outro lado há algo de positivo. O boicote é uma das formas dos estudantes se declararem insatisfeitos com o sistema e é o jeito que eles encontraram para “pedir” melhorias, coisa que também é muito válida, como a invasão nas reitorias ou esta última manifestação pública que resultou na renuncia do coordenador do curso de medicina do cargo.
Em conjunto, o que estes acontecimentos mostram é que os estudantes sempre estiveram com a faca e o queijo na mão. Basta que façam uso deles, pelas razões certas ou pelas razões erradas, para que o sistema chacoalhe. Então, que caiam os reis e que se questione a canção: “nos dias de hoje, não lhes dê motivo, porque na verdade, eu te quero vivo”.
Nos últimos tempos tem-se visto uma movimentação dos Estudantes do Ensino Superior em franca manifestação país adentro. Primeiro foram os estudantes da USP, em maio do ano passado, que tomaram conta do prédio da reitoria. Estavam contra os decretos do Governador José Serra anunciados em janeiro de 2007 (dentre outras coisas, os decretos proibiam por tempo indeterminado a contratação de professores e funcionários para a instituição; impediam que as universidades usassem a verba sem autorização do secretário da Educação Superior e tiravam a autonomia universitária). Cai, não fica nada!
Depois foi a vez dos brasilienses da UnB que tomaram sua reitoria. Queriam a saída imediata do reitor Thimothy Mulholland, do vice Edgar Mamiya e de todas as fundações envolvidas em processos de corrupção. O estopim, em abril de 2008, foram os gastos superfaturados do reitor e sua lixeira de 1000 reais. Em janeiro deste ano, surgiram diversas denúncias de corrupção envolvendo a atual gestão da reitoria da UnB, envolvendo desvio de verbas por meio da FINATEC para uso privado do reitor. O Ministério Publico abriu inquérito e nas investigações descobriu mais irregularidades envolvendo a FUB e a FUNSAUDE. O grupo que estava à frente da reitoria desde 1998 já esteve envolvido também em outros escândalos como o do Centro de Seleção e de Promoção de Eventos (CESPE), o da Casa do Estudante (CEU) e o da própria eleição da atual gestão. Vale lembrar que desde 1996 após o decreto do Governo FHC, a UnB não tinha eleições paritárias para reitor, outra exigência dos estudantes. Cai, não fica nada!
Nesta semana, os donos da bola foram os estudantes e os professores da Universidade Federal da Bahia. É que o infeliz do coordenador do curso de Medicina, Antônio Dantas, declarou que a baixa no rendimento dos alunos no ENADE (Exame Nacional de Desempenho, do MEC) se deu devido ao fato dos baianos terem QI inferior ao restante do país. Hein? Nos dias de hoje é bom que se proteja ou cai, não fica nada!
É claro que a imprensa distorce fatos e é capaz de dizer grandes mentiras contando apenas verdades e não se sabe ao certo em que contexto o coordenador do curso disse tal blasfêmia. A pesquisa acadêmica e os papers também permitem esta falácia, na medida em que o pesquisador manipula os dados e publica apenas aqueles que lhe interessam. Para os acadêmicos há revisão por pares e coisa e tal dentre os inúmeros indexadores de pesquisa mundo afora. Para os cursos superiores há o ENADE e o fato histórico de que os alunos das universidades públicas têm uma tendência a boicotar o exame, porque não estão de acordo. Esta poderia ser uma das explicações para o baixo desempenho dos alunos da Bahia, segundo Arquimedes Ciloni, presidente da Andifes (associação que representa os reitores das universidades federais).
Independente do acontecido, este fato traz à baila novamente a legalidade de exames como o ENADE e outros instrumentos que regulam os cursos superiores. Há uma tendência da população em rejeitar números e índices, principalmente no tocante à educação. É que então, os números não seriam capazes de dizer como, de fato, a coisa funciona. Números são números, não provariam a qualidade do ensino. Mas trazem deduções lógicas. São indicadores essenciais de repasse financeiro e, convenhamos, deixar a educação ao-deus-dará não faz sentido. Pode ser pouco, pode ser insuficiente, pode ser inadequado, pode um monte de coisas, mas não se pode negar que é necessário haver agentes reguladores, principalmente em se tratando de universidade pública, que deve explicações à nação.
Desta forma, eu concordo com Naomar de Almeida, reitor da Universidade Federal da Bahia, que declarou em entrevista para a televisão que, de certa forma, o boicote dos estudantes ao exame nacional é um erro. No entanto, de outro lado há algo de positivo. O boicote é uma das formas dos estudantes se declararem insatisfeitos com o sistema e é o jeito que eles encontraram para “pedir” melhorias, coisa que também é muito válida, como a invasão nas reitorias ou esta última manifestação pública que resultou na renuncia do coordenador do curso de medicina do cargo.
Em conjunto, o que estes acontecimentos mostram é que os estudantes sempre estiveram com a faca e o queijo na mão. Basta que façam uso deles, pelas razões certas ou pelas razões erradas, para que o sistema chacoalhe. Então, que caiam os reis e que se questione a canção: “nos dias de hoje, não lhes dê motivo, porque na verdade, eu te quero vivo”.
Caiu na orientação, é peixe!
Tá, eu não sou a melhor aluna, nem a melhor pesquisadora, nem a melhor acadêmica, nem a melhor articulista, nem a melhor professora do mundo. Eu sou uma mulher que se multiplica em várias outras, como tantas que existem. Mas também não sou daquelas que só pensam nos seus esmaltes, nos seus lábios gloss e em alisar os cabelos. Então, tem coisa na endogamia (leia-se putaria) acadêmica que só termina de me descabelar:
(na reunião de orientação)
- Ei, você não imprimiu?
- Não, vamos ver na tela.
- Você leu? Porque eu prefiro discutir direto.
- Não, quero ler com você.
- Bom, deixa eu por uma cadeira para me sentar mais perto da tela...
- Se quiser sentar no colo do orientador, não tem problema.
Tem, tem problema sim senhor. Aliás, isso tá ficando com problemas demais. Ora!
A Educação Vai-Vai
A Educação Vai-Vai de mal a pior. Mainha, tome um patuá porque a coisa tá preta. E branca também, lá na avenida do Anhembi. E as manchetes dos jornais anunciam: Vai-Vai leva o tema educação para o sambódromo, e vence o desfile. Vai-vai explorar falta de leitura alheia lá na China, por favor. Ou que os comentaristas, jurados, críticos e jornalistas usem palavras mais adequadas, porque, convenhamos, o enredo da Vai-Vai foi o projeto de Sílvio Bacarelli, que tem um projeto de educação musical na favela de Heliópolis. Projeto bem bacana por sinal. Daí sim, eu concordo, Vai-Vai fez um desfile impecável, com suas alegorias musicais. Agora dizer que a escola explorou o tema Educação na avenida, pra mim já é demais. Eu estava lá e não vi alegorias com livros. Por certo que o incentivo à leitura não faz parte da educação. Apenas uma ala de universitários com seus canudos nas mãos. Uma alusão à sociedade de diplomas. E nós, professores que trabalhamos nas instituições particulares espalhadas país afora bem sabemos que o cara consegue ficar quatro anos dentro de uma sala de aula sem ler um livro. Vai-vai ver foi por isso que ele não foi pra avenida. No lugar deles, partituras. Tá bom, é legal esse negócio de usar a música para educar. Só não me venham fazer engolir que o enredo da escola foi um “acorda educação”, porque não foi. Não levantou os problemas reais do setor. Apenas fez aquele comum aos governantes despreocupados. Não se preocupou em jogar na cara do povo a aprovação automática e o analfabetismo funcional dela decorrente. Não falou da má formação dos professores de Ensino Fundamental, principalmente nas áreas rurais. Não falou dos baixos salários dos professores e que sobram vagas no Ensino Superior para quem quiser fazer licenciatura, e que há campanhas para isso, já que os jovens universitários fazem de um tudo, menos licenciatura. Não falou da falta das bibliotecas, dos laboratórios de ciência e de informática em grande parte das escolas da rede pública, nem que um a cada cinco jovens do ensino fundamental abandona o curso. Nem disse qualquer coisa sobre os míseros 25% dos jovens em idade universitária que freqüentam um curso superior, ou melhor, qualquer curso superior. E os outros 75%? Sabe-se Deus. Isso e uma lista infindável de abordagens mais significativas de uma educação que vai-vai mesmo de mal a pior. E vai-vai assim porque todo mundo achou que o que foi pra avenida já foi suficiente em termos de crítica à educação. E o apelo funcionou, pelo menos para a escola de samba, porque as outras escolas vão-vão continuar de mal a pior.
Pedragogia Universitária
Nesta semana os professores estão de volta às universidades. Oa alunos ainda não. Alunos só para depois do carnaval. Antes, as famosas reuniões pedagógicas, ou como diz minha prima, pedragógicas. Na pauta temas importantíssimos: "o que nós vamos fazer com alunos que atendem celular em sala de aula?" Uma voz ao fundo responde na certeza de seu cargo de coordenação: "registraremos falta para o aluno". Que bonito isso. Ele fala alô e o sistema gera uma falta. Entende-se por sistema o mané do professor que vai parar sua aula para registrar a tal da falta. E se for só mensagem de texto? Meia-falta? Celular no vibracall também conta? Ó meu santinho, perdoe os coordenadores, eles não sabem o que dizem.
E se o aluno atender o celular duas vezes? Vai ficar devendo um curso todo no fim do semestre? Cinco vezes é imperdoável. E para tal repetição: jubilo. Hein? Arregala a coordenação, não podemos perder nossos alunos. Ou melhor, o dinheiro deles, porque aluno é tudo igual e tanto faz. Ok. Ok. Para saldar o problema, os professores - trinta minutos depois - suplicaram em coro: não dá só para colocar um cartazinho dizendo que é proibido uso de celular nas salas de aula?
Mas o estresse chega mesmo com a anarquia da distribuição das aulas durante a semana. E é unânime: aulas na segunda de manhã e sexta à noite é a morte. Ideal para professor é entrar na sala de aula na terça à noite e parar na quinta de manhã. Duas férias por ano. É, assim tá bom. Outra condição que não esta é coisa para novatos, ou para subordinados. Eu posso, então dane-se você. Ulalá! Desta feita, a tortura de início de ano já vem dar na cara logo no primeiro dia daqueles que dividem disciplinas. Porque eu já fiz minha agenda e pronto. Mas e eu? Ora, dane-se você. E por aí vai. Vai é dar nos nervos. Por que você não me consultou? Porque eu sou o coordenador e eu decido. Voilá, perdoe os coordenadores, eles não sabem o que dizem.
E se o aluno atender o celular duas vezes? Vai ficar devendo um curso todo no fim do semestre? Cinco vezes é imperdoável. E para tal repetição: jubilo. Hein? Arregala a coordenação, não podemos perder nossos alunos. Ou melhor, o dinheiro deles, porque aluno é tudo igual e tanto faz. Ok. Ok. Para saldar o problema, os professores - trinta minutos depois - suplicaram em coro: não dá só para colocar um cartazinho dizendo que é proibido uso de celular nas salas de aula?
Mas o estresse chega mesmo com a anarquia da distribuição das aulas durante a semana. E é unânime: aulas na segunda de manhã e sexta à noite é a morte. Ideal para professor é entrar na sala de aula na terça à noite e parar na quinta de manhã. Duas férias por ano. É, assim tá bom. Outra condição que não esta é coisa para novatos, ou para subordinados. Eu posso, então dane-se você. Ulalá! Desta feita, a tortura de início de ano já vem dar na cara logo no primeiro dia daqueles que dividem disciplinas. Porque eu já fiz minha agenda e pronto. Mas e eu? Ora, dane-se você. E por aí vai. Vai é dar nos nervos. Por que você não me consultou? Porque eu sou o coordenador e eu decido. Voilá, perdoe os coordenadores, eles não sabem o que dizem.
Me dando (a) conta!

Como não estou no Congresso da Faculdade, hoje eu me torno oficialmente uma aluna de doutorado rebelde.
Estou contrariando o e-mail do orientador
(“todo aluno deve enviar trabalho ao congresso da faculdade”),
as normas da coordenação
(“todo aluno com bolsa deve obrigatoriamente participar dos eventos promovidos pela faculdade”)
e as expectativas do ex-amante
(com tanta ausência, só a mulher dele pode respirar em paz).
Lição de Casa
Diz a história que a República andava muito relapsa com os seus deveres. Então a professora Dona Sociedade, indignada, colocou ela de castigo, pediu para que escrevesse no caderno (PAC?) por 508 vezes (referência à sua idade) a seguinte frase:
Uma Educação de Qualidade é dever do Estado.
Uma Educação de Qualidade é dever do Estado.
tetas da pós-graduação
Sob pena de “multa”, todos os alunos de pós-graduação deverão responder um questionário de Avaliação Interna. Gugu-Dadá.
Sob pena de “multa”, todos os alunos deverão enviar um resumo para o Congresso da Faculdade. Gugu-Dadá.
Sob pena de “multa”, todos os alunos deverão participar de todos os eventos organizados pela pós-graduação. Gugu-Dadá.
Cansei, cansei, cansei. Existe um eu nesta coisa toda "me dá chupeta que eu quero mamar"?.
Sob pena de “multa”, todos os alunos deverão enviar um resumo para o Congresso da Faculdade. Gugu-Dadá.
Sob pena de “multa”, todos os alunos deverão participar de todos os eventos organizados pela pós-graduação. Gugu-Dadá.
Cansei, cansei, cansei. Existe um eu nesta coisa toda "me dá chupeta que eu quero mamar"?.
tempo temporário
Rá! Eu quero rir. Ainda me lembro da frase que ouvi de um professor no dia da entrevista de doutorado:
- Fernanda, você me trouxe um grade problema.
E o problema deveria ser grande mesmo, já que para contorná-lo o cara, ingenuamente (?), optou por excluir a banca do processo, restando um bate-pronto entre eu e ele, apenas. Nada muito inteligente, nada muito ético. Eu já cheguei lá sabendo das coisas, mesmo assim o golpe da ilegitimidade, o golpe do “por baixo dos panos”, o golpe tipo “eu adianto uma semana sua entrevista, não componho uma banca para você (que jeito bom de manter o poder) e não preciso me justificar com meus pares” é um golpe duro de engolir. Já tem quase três anos isso e eu ainda não engoli. Acho que só estou dando tempo ao tempo.
Boa. Quanto tempo dura uma entrevista de doutorado? Rá. Temporário demais. E neste vai-vem, as frases continuam fazendo eco entre meus neurônios.
- Você não conhece o projeto da fulana. Ela tem muito mais a ver comigo do que você.
(Aí ele desconsiderou os anos que trabalhei no projeto dele na faculdade, claro!). E eu achei suspeito, afinal, a fulana estuda Borboletas Azuis (projeto de outra professora) e o cara Crateras de Vulcões (meu projeto). Rá, rá! O que eu poderia dizer naquele dia em relação a isso? Nada! Eu, de fato, não conhecia o projeto da fulana.
Mas, salve o big brother do currículo lattes. Tema do projeto dela: Borboletas Azuis. Salve o tempo temporário demais e do qual eu sou amiga. No meio da semana uma amiga me perguntou: eles têm um caso? (Uma dúvida pertinente para uma história assim, meio sem pé nem cabeça).
Só por comparação resolvi pesquisar o currículo do professor que estuda as tais das Crateras de Vulcões e o currículo da aluna que estuda as tais das Borboletas Azuis. Só de curiosidade mesmo, para ver aumento de currículo, dedicação à pesquisa, desenvolvimento docente, saber o tamanho do meu engano. De repente ela teria mesmo mais a ver com ele do que eu.
Produção dela: Borboletas Azuis, Borboletas Azuis, Borboletas Azuis.
Produção dele: Cratera de Vulcões, Cratera de Vulcões, Cratera de Vulcões.
Rá, eles não tem mesmo grande coisa a ver um com o outro, do mesmo jeito que eu não tenho a ver com o meu atual orientador de doutorado. Rá. O preço que se paga pelas negociatas escusas e obscuras que envolvem o processo de vagas e de pertencimento ao mestrado e ao doutorado.
E você, que preço quer pagar?
- Fernanda, você me trouxe um grade problema.
E o problema deveria ser grande mesmo, já que para contorná-lo o cara, ingenuamente (?), optou por excluir a banca do processo, restando um bate-pronto entre eu e ele, apenas. Nada muito inteligente, nada muito ético. Eu já cheguei lá sabendo das coisas, mesmo assim o golpe da ilegitimidade, o golpe do “por baixo dos panos”, o golpe tipo “eu adianto uma semana sua entrevista, não componho uma banca para você (que jeito bom de manter o poder) e não preciso me justificar com meus pares” é um golpe duro de engolir. Já tem quase três anos isso e eu ainda não engoli. Acho que só estou dando tempo ao tempo.
Boa. Quanto tempo dura uma entrevista de doutorado? Rá. Temporário demais. E neste vai-vem, as frases continuam fazendo eco entre meus neurônios.
- Você não conhece o projeto da fulana. Ela tem muito mais a ver comigo do que você.
(Aí ele desconsiderou os anos que trabalhei no projeto dele na faculdade, claro!). E eu achei suspeito, afinal, a fulana estuda Borboletas Azuis (projeto de outra professora) e o cara Crateras de Vulcões (meu projeto). Rá, rá! O que eu poderia dizer naquele dia em relação a isso? Nada! Eu, de fato, não conhecia o projeto da fulana.
Mas, salve o big brother do currículo lattes. Tema do projeto dela: Borboletas Azuis. Salve o tempo temporário demais e do qual eu sou amiga. No meio da semana uma amiga me perguntou: eles têm um caso? (Uma dúvida pertinente para uma história assim, meio sem pé nem cabeça).
Só por comparação resolvi pesquisar o currículo do professor que estuda as tais das Crateras de Vulcões e o currículo da aluna que estuda as tais das Borboletas Azuis. Só de curiosidade mesmo, para ver aumento de currículo, dedicação à pesquisa, desenvolvimento docente, saber o tamanho do meu engano. De repente ela teria mesmo mais a ver com ele do que eu.
Produção dela: Borboletas Azuis, Borboletas Azuis, Borboletas Azuis.
Produção dele: Cratera de Vulcões, Cratera de Vulcões, Cratera de Vulcões.
Rá, eles não tem mesmo grande coisa a ver um com o outro, do mesmo jeito que eu não tenho a ver com o meu atual orientador de doutorado. Rá. O preço que se paga pelas negociatas escusas e obscuras que envolvem o processo de vagas e de pertencimento ao mestrado e ao doutorado.
E você, que preço quer pagar?
de cima pra baixo
Enquanto eu vejo alguns colegas achando injusto a nota do programa de pós-graduação no qual estou inserida cair de 5 para 4 (num máximo de 7), eu vou somando negativamente os fatos. Acho que a minha conta até bate com a conta da Capes, do CNPq, do MEC, do Guia do Estudante e do que mais for contabilizador, medidor, avaliador, classificador, istaurador de um parâmetro comparativo com o que for. É preciso comparar sim, saber dos nossos pares e das relações políticas aí envolvidas. É preciso contextualizar, saber onde estamos inseridos e para onde pretendemos ir. E é preciso tudo isso porque é preciso fazer parte. É preciso pertencer e eu quero existir academicamente. Fazer sentido. Fazer diferença.
Tem 11 anos que eu estudo na mesma instituição. Graduação, Mestrado e, agora, Doutorado. Só que eu não estudei apenas nesta instituição. Perambulei por outras, em diversas áreas, cursos, institutos, faculdades. Fome de conhecimento. Necessidade de ir além, de contextualizar. Experimentar e poder comparar. Enriquecer os pensamentos com pensamentos contrários, distantes, próximos, diferentes, a contra-gosto. Compreender que viver academicamente num lugar só não é suficiente, é arreio de burro. Compreender que tudo aquilo que gira em torno do próprio eixo amargura a impossibilidade de se parir outra coisa, qualquer coisa que faça ir por onde não se foi. Compreender, enfim, o que fez a nota cair de 5 para 4, inclusive.
Cai a nota e lá vem aquele que está em cima cobrar quem está embaixo, fugindo das cagadas administradas. Foram anos sacrificando os mais fracos: corte de bolsa, compensações idiotas do tipo "ou você publica ou você está fora do programa" e por ai vai, a corda sempre explode em quem é menos. Explodiu comigo no mestrado. Para darem uma "guinada" no programa, fizeram uma limpa e todo mundo perdeu a bolsa quando virou o ano. Perdemos a bolsa mas o programa se enquadrou e teve sua nota aumentada de 4 para 5. Brilhante! Mas foda-se quem está embaixo. É quem está embaixo que se vê obrigado a escrever artigos de nível internacional para salvar a pele de quem está em cima. É quem está embaixo que, no Programa de Estágio Docente, dá a aula de quem está em cima. O de cima (orientador) manda e o de baixo (orientando) obedece numa negociata sem fim. É! Quem está embaixo tem mesmo é que dar pra quem está em cima. Por isso faz tanto sucesso uma rede endogâmica no Ensino Superior.
Agora a corda explodiu. A nota caiu de 5 para 4. E eu fico cá pensando com meus botões na obviedade da coisa. Quem está embaixo cansou de se foder, será? Ou foi mesmo esta política infantilizada do tipo gugu-dadá que ferrou de vez a coisa? Quer dizer, até quanto tempo os caras lá de cima acharam que a coisa "olha, eu sou o dono da bola" e eu tiro o doce da criança quando eu quiser iria funcionar num sistema um pouco mais amadurecido? E, convenhamos, a Pedagogia da Opressão já foi contestada tem tempos. Não cola mais. Quem está embaixo cresceu. Alôooo! Num sistema falido, onde o valor negociado é apenas um diploma, o exemplo daquele que está em cima é seguido à risca. Afinal, se o de cima não faz, porque é que eu, que estou embaixo, haveria de fazer? Então, aquele que está embaixo (e que só quer mesmo o diploma) liga o foda-se, descobriu que não é muito bom para este tanto de contabilidade ter, num programa de pós-graduação, alunos que se vão antes de terminar a dissertação ou tese. A nota cai. Rá! Viva a corda-bamba. E não é que o de baixo acaba tendo mais poder do que o de cima?
Eu sinceramente não me assusto com a contabilidade suicida do sistema acadêmico. Poderia enumerar uma série de situações sem sentido, e algumas delas não éticas, que fui submetida à contra-regra. E quando a coisa vai à contra-regra o bicho pega mesmo. Na veia da ética, da moral, da credibilidade etc e tal. É quando a coisa vira estupro e aquele que está embaixo acaba dando mesmo sem querer. Com o tempo se acostuma e se prostitui. Ou se prostitui mesmo sem se acostumar. O preço que se paga. E de cima pra baixo a nota cai. É o be-a-bá da coisa.
Tem 11 anos que eu estudo na mesma instituição. Graduação, Mestrado e, agora, Doutorado. Só que eu não estudei apenas nesta instituição. Perambulei por outras, em diversas áreas, cursos, institutos, faculdades. Fome de conhecimento. Necessidade de ir além, de contextualizar. Experimentar e poder comparar. Enriquecer os pensamentos com pensamentos contrários, distantes, próximos, diferentes, a contra-gosto. Compreender que viver academicamente num lugar só não é suficiente, é arreio de burro. Compreender que tudo aquilo que gira em torno do próprio eixo amargura a impossibilidade de se parir outra coisa, qualquer coisa que faça ir por onde não se foi. Compreender, enfim, o que fez a nota cair de 5 para 4, inclusive.
Cai a nota e lá vem aquele que está em cima cobrar quem está embaixo, fugindo das cagadas administradas. Foram anos sacrificando os mais fracos: corte de bolsa, compensações idiotas do tipo "ou você publica ou você está fora do programa" e por ai vai, a corda sempre explode em quem é menos. Explodiu comigo no mestrado. Para darem uma "guinada" no programa, fizeram uma limpa e todo mundo perdeu a bolsa quando virou o ano. Perdemos a bolsa mas o programa se enquadrou e teve sua nota aumentada de 4 para 5. Brilhante! Mas foda-se quem está embaixo. É quem está embaixo que se vê obrigado a escrever artigos de nível internacional para salvar a pele de quem está em cima. É quem está embaixo que, no Programa de Estágio Docente, dá a aula de quem está em cima. O de cima (orientador) manda e o de baixo (orientando) obedece numa negociata sem fim. É! Quem está embaixo tem mesmo é que dar pra quem está em cima. Por isso faz tanto sucesso uma rede endogâmica no Ensino Superior.
Agora a corda explodiu. A nota caiu de 5 para 4. E eu fico cá pensando com meus botões na obviedade da coisa. Quem está embaixo cansou de se foder, será? Ou foi mesmo esta política infantilizada do tipo gugu-dadá que ferrou de vez a coisa? Quer dizer, até quanto tempo os caras lá de cima acharam que a coisa "olha, eu sou o dono da bola" e eu tiro o doce da criança quando eu quiser iria funcionar num sistema um pouco mais amadurecido? E, convenhamos, a Pedagogia da Opressão já foi contestada tem tempos. Não cola mais. Quem está embaixo cresceu. Alôooo! Num sistema falido, onde o valor negociado é apenas um diploma, o exemplo daquele que está em cima é seguido à risca. Afinal, se o de cima não faz, porque é que eu, que estou embaixo, haveria de fazer? Então, aquele que está embaixo (e que só quer mesmo o diploma) liga o foda-se, descobriu que não é muito bom para este tanto de contabilidade ter, num programa de pós-graduação, alunos que se vão antes de terminar a dissertação ou tese. A nota cai. Rá! Viva a corda-bamba. E não é que o de baixo acaba tendo mais poder do que o de cima?
Eu sinceramente não me assusto com a contabilidade suicida do sistema acadêmico. Poderia enumerar uma série de situações sem sentido, e algumas delas não éticas, que fui submetida à contra-regra. E quando a coisa vai à contra-regra o bicho pega mesmo. Na veia da ética, da moral, da credibilidade etc e tal. É quando a coisa vira estupro e aquele que está embaixo acaba dando mesmo sem querer. Com o tempo se acostuma e se prostitui. Ou se prostitui mesmo sem se acostumar. O preço que se paga. E de cima pra baixo a nota cai. É o be-a-bá da coisa.
Mestrados e Doutorados
Novamente a primavera diz para que veio no Ensino Superior. Ou ao que não veio. Desta vez com a Avaliação Trienal da Capes, que pontua os cursos de mestrado e doutorado com notas que variam até 7. Então, vamos aos números:
cerca de 10% dos programas de mestrado e doutorado tiveram notas 6 ou 7 e foram considerados do mesmo nível dos grandes centros institucionais como Harvard (EUA) e Sorbonne (Fr);
81 programas de mestrado e doutorado correm o risco de fechar por não terem atingido notas maiores ou iguais a 3 na avaliação;
nenhum programa da área de ciências sociais aplicadas (direito, economia, administração e comunicação social) tiveram notas 6 ou 7;
houve mais de 1% de queda na excelência dos programas de pós-graduação no país.
Vamos aos fatos: para um programa ser considerado de nível alto, sua nota deve ser igual ou maior que 5. E o programa que estou inserida caiu de 5 para 4. Injusto? Parece que não. Houve queda de qualidade? Também acho que não. Talvez tenha sido aumento na exigência pela Capes. Eu, honestamente, estou de acordo com instrumentos reguladores, ou ficaria um oba-oba (de faculdades que não se preocupam com a formação dos alunos, vide o índice de reprovação na OAB). É, já é um oba-oba, afinal temos 81 programas prontos para serem descredenciados.
O ex reitor da USP Roberto Lobo afirma acreditar que ainda são poucos os programas de pós-graduação de alto nível no país. "Temos uma pressão muito grande para a formação de mestres e doutores, mas é preciso que haja mais cursos de excelência no país." Assino embaixo.
cerca de 10% dos programas de mestrado e doutorado tiveram notas 6 ou 7 e foram considerados do mesmo nível dos grandes centros institucionais como Harvard (EUA) e Sorbonne (Fr);
81 programas de mestrado e doutorado correm o risco de fechar por não terem atingido notas maiores ou iguais a 3 na avaliação;
nenhum programa da área de ciências sociais aplicadas (direito, economia, administração e comunicação social) tiveram notas 6 ou 7;
houve mais de 1% de queda na excelência dos programas de pós-graduação no país.
Vamos aos fatos: para um programa ser considerado de nível alto, sua nota deve ser igual ou maior que 5. E o programa que estou inserida caiu de 5 para 4. Injusto? Parece que não. Houve queda de qualidade? Também acho que não. Talvez tenha sido aumento na exigência pela Capes. Eu, honestamente, estou de acordo com instrumentos reguladores, ou ficaria um oba-oba (de faculdades que não se preocupam com a formação dos alunos, vide o índice de reprovação na OAB). É, já é um oba-oba, afinal temos 81 programas prontos para serem descredenciados.
O ex reitor da USP Roberto Lobo afirma acreditar que ainda são poucos os programas de pós-graduação de alto nível no país. "Temos uma pressão muito grande para a formação de mestres e doutores, mas é preciso que haja mais cursos de excelência no país." Assino embaixo.
Primavera Educacional
Toda primavera é igual para o Ensino Superior. É quando chegam as respostas das avaliações institucionais. Tem o Enade, tem o exame da OAB, e por aí vai, sempre rola um exame de consciência. É quando a ruindade do sistema educacional brasileiro só se confirma, como todos os anos e, como todos os anos, nada muda. Nada muda, mas a gente fala sobre ele, sobre o que está ruim nele, sobre nossa indignação, sobre o que poderia ser melhorado. E todo ano, ou as coisas se mantém, ou pioram. Alguns poucos projetos deram resultados, mas nem isso a gente não vê na tv de massas, o que é uma pena, porque com mais gente vendo as coisas boas, mais as coisas boas poderiam ser copiadas. Como só tem notícia ruim nos jornais televisionados (quem lê jornal impresso?), mais a ruindade é copiada. Se um ladrão teve uma idéia inteligente, outro pode copiá-lo. E assim vão se abrindo túneis de ignorância pelo país. É que a televisão também diz, que além da educação, nossa polícia não presta, nossa política não presta, nossa sociedade é mesmo uma pindaíba.
Toda primavera é igual para o Ensino Superior. É quando se iniciam as propagandas de faculdades, universidades e institutos nas mídias digital, impressa e falada. Até hoje chega a minha casa opções de onde eu poderia estudar dentre todas as melhores universidades do país, e quase todas as faculdades, universidades e institutos - que fazem propaganda - estão entre as melhores do país, pelo menos em alguma coisa. São faculdades, universidades e institutos que sabem trabalhar com os números de todas as avaliações que sofrem, até com as estrelinhas do guia do estudante. E como são muitas as avaliações, sempre sobra um número favorável para algum curso em específico, mas que no reclame eles generalizam para todos os outros, que ficam igualmente favorecidos. E quando não é este o caso, eles contratam gente de peso para falar. Eu, sinceramente, estou com raiva da Fernanda Montenegro que anda apoiando uma instituição aí, junto com o Pedro Mariano. Bah! Eles não sabem o que dizem. Só quem está dentro pode dizer.
Toda primavera é igual para o Ensino Superior. É quando o vestibular surge como um bicho de sete cabeças e os jovens são bombardeados de lá pra cá, de cá pra lá, e é quando as faculdades, universidades e institutos começam a somar seus lucros. Se há poucos inscritos, fazem propaganda para aumentar. E todo ano se pensa em bater o recorde. Aumentar o número de alunos por turma, aumentar o número de turmas com o número aumentado de alunos. E somos nós, professores, que cortamos um dobrado. Encaramos 30 horas por semana em salas de aulas com o mínimo de 80 alunos, que é o padrão vigente das universidades, faculdades e institutos.
E toda primavera é a mesma para os professores do Ensino Superior. É quando as instituições reavaliam os seus planos de carreira e diminuem o valor da hora-aula do professor que por lá ingressará no próximo verão.
Um brinde à pindaíba, um brinde aos meus cento e poucos alunos por turma e aos setecentos e poucos alunos que eu vejo por semana, e que eu não sei o nome (o meu, qual é mesmo?). Um brinde!
Toda primavera é igual para o Ensino Superior. É quando se iniciam as propagandas de faculdades, universidades e institutos nas mídias digital, impressa e falada. Até hoje chega a minha casa opções de onde eu poderia estudar dentre todas as melhores universidades do país, e quase todas as faculdades, universidades e institutos - que fazem propaganda - estão entre as melhores do país, pelo menos em alguma coisa. São faculdades, universidades e institutos que sabem trabalhar com os números de todas as avaliações que sofrem, até com as estrelinhas do guia do estudante. E como são muitas as avaliações, sempre sobra um número favorável para algum curso em específico, mas que no reclame eles generalizam para todos os outros, que ficam igualmente favorecidos. E quando não é este o caso, eles contratam gente de peso para falar. Eu, sinceramente, estou com raiva da Fernanda Montenegro que anda apoiando uma instituição aí, junto com o Pedro Mariano. Bah! Eles não sabem o que dizem. Só quem está dentro pode dizer.
Toda primavera é igual para o Ensino Superior. É quando o vestibular surge como um bicho de sete cabeças e os jovens são bombardeados de lá pra cá, de cá pra lá, e é quando as faculdades, universidades e institutos começam a somar seus lucros. Se há poucos inscritos, fazem propaganda para aumentar. E todo ano se pensa em bater o recorde. Aumentar o número de alunos por turma, aumentar o número de turmas com o número aumentado de alunos. E somos nós, professores, que cortamos um dobrado. Encaramos 30 horas por semana em salas de aulas com o mínimo de 80 alunos, que é o padrão vigente das universidades, faculdades e institutos.
E toda primavera é a mesma para os professores do Ensino Superior. É quando as instituições reavaliam os seus planos de carreira e diminuem o valor da hora-aula do professor que por lá ingressará no próximo verão.
Um brinde à pindaíba, um brinde aos meus cento e poucos alunos por turma e aos setecentos e poucos alunos que eu vejo por semana, e que eu não sei o nome (o meu, qual é mesmo?). Um brinde!
Propostas Inconscientes
Há um inconsciente coletivo? Será? Deve haver um.
Hoje um amigo me ligou, questionando o tema, querendo saber se isso é algum tipo de doença mental que acontece nas universidades. Mas o assunto é relativo, porque cada caso é um caso. Cada instituição é particular e cada professor se encontra em contextos diferentes, de ideologia e de salário.
Meu amigo está puto porque lhe convidaram a fazer uma palestra. Não ficou assim por conta do convite, claro, mas pelas condições impostas. Ou melhor, pela condição “sem pró-labore” imposta. “Sem pró-labore a puta que lhe pariu”, ouvi em tom de um desabafo contínuo:
“Então, quer dizer que eles me oferecem os ouvintes? Tenho-os às tampas, é só eu sair por aí, agora uma universidade daquelas, com todo aquele dinheiro, convidar palestrantes a título de gratuidade me é ofensivo”.
“Concordo”.
“Quem eles pensam que são, quem lhes dão o direito de me exigir, exigir não, de me solicitar uma viagem de 400 quilômetros em prol de divulgar um conhecimento que me custou e que me custa um tanto? Mercenários! Capitalistas! Sanguessugas!”
“Concordo, concordo, concordo”.
“Foda-se esta droga de inconsciente coletivo que se instaurou nas universidades, de que professor deve ser proletário. Eu sou profissional. Você não acredita, outro dia recebi outro convite indecoroso, de um clube de futebol, destes de ponta e tradição. Me ofereciam os atletas e com isso acharam que eu não cobraria nada.”
“Já sei: mercenários, capitalistas, sanguessugas!”
É, eu concordo com o desespero do meu amigo. E perguntei a uma amiga, que é gente legal, o que ela pensa:
“Uma vez me disseram que o preço que se cobra por uma palestra é o poder de compra do consumidor dela. Para uma ONG pobre, vá de graça. Agora se a ONG for rica, cobre muito!”
É daí que dou razão à putisse e ao profissionalismo de meu amigo, que trocou a palavra ONG por "faculdade" e por "clube de futebol". Em ambos os casos, nadavam em dinheiro.
É! Deve haver um inconsciente coletivo que luta em manter professores estagnados. Uma rede de corrupção, talvez.
Hoje um amigo me ligou, questionando o tema, querendo saber se isso é algum tipo de doença mental que acontece nas universidades. Mas o assunto é relativo, porque cada caso é um caso. Cada instituição é particular e cada professor se encontra em contextos diferentes, de ideologia e de salário.
Meu amigo está puto porque lhe convidaram a fazer uma palestra. Não ficou assim por conta do convite, claro, mas pelas condições impostas. Ou melhor, pela condição “sem pró-labore” imposta. “Sem pró-labore a puta que lhe pariu”, ouvi em tom de um desabafo contínuo:
“Então, quer dizer que eles me oferecem os ouvintes? Tenho-os às tampas, é só eu sair por aí, agora uma universidade daquelas, com todo aquele dinheiro, convidar palestrantes a título de gratuidade me é ofensivo”.
“Concordo”.
“Quem eles pensam que são, quem lhes dão o direito de me exigir, exigir não, de me solicitar uma viagem de 400 quilômetros em prol de divulgar um conhecimento que me custou e que me custa um tanto? Mercenários! Capitalistas! Sanguessugas!”
“Concordo, concordo, concordo”.
“Foda-se esta droga de inconsciente coletivo que se instaurou nas universidades, de que professor deve ser proletário. Eu sou profissional. Você não acredita, outro dia recebi outro convite indecoroso, de um clube de futebol, destes de ponta e tradição. Me ofereciam os atletas e com isso acharam que eu não cobraria nada.”
“Já sei: mercenários, capitalistas, sanguessugas!”
É, eu concordo com o desespero do meu amigo. E perguntei a uma amiga, que é gente legal, o que ela pensa:
“Uma vez me disseram que o preço que se cobra por uma palestra é o poder de compra do consumidor dela. Para uma ONG pobre, vá de graça. Agora se a ONG for rica, cobre muito!”
É daí que dou razão à putisse e ao profissionalismo de meu amigo, que trocou a palavra ONG por "faculdade" e por "clube de futebol". Em ambos os casos, nadavam em dinheiro.
É! Deve haver um inconsciente coletivo que luta em manter professores estagnados. Uma rede de corrupção, talvez.
um orientador para chamar de tio
No raso da coisa, um e-mail sutil da pós-graduação:
"A partir desta data, é obrigatória a participação dos alunos bolsistas nas atividades e eventos organizados pela Coordenadoria de Pós-Graduação."
E a ameaça:
"os alunos poderão ter suas bolsas suspensas e/ou canceladas".
Tanto faz se o evento é de mariposas azuis e você estuda cratera de vulcões. Importante mesmo é, depois de 20, 30 anos de estudos, assinar a famosa lista de presença. Vamos chamar a Super Nanny então, cuidar destas crianças que fazem mestrado, principalmente das que fazem doutorado. E vamos esquecer de tudo, caminhar para a imaturidade da coisa, chamar orientador de tio, igual na pré-escola.
"A partir desta data, é obrigatória a participação dos alunos bolsistas nas atividades e eventos organizados pela Coordenadoria de Pós-Graduação."
E a ameaça:
"os alunos poderão ter suas bolsas suspensas e/ou canceladas".
Tanto faz se o evento é de mariposas azuis e você estuda cratera de vulcões. Importante mesmo é, depois de 20, 30 anos de estudos, assinar a famosa lista de presença. Vamos chamar a Super Nanny então, cuidar destas crianças que fazem mestrado, principalmente das que fazem doutorado. E vamos esquecer de tudo, caminhar para a imaturidade da coisa, chamar orientador de tio, igual na pré-escola.
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