Olha você! O MEC está de visita. Ó! Uma correria para os coordenadores arrumarem tudo o que não fizeram durante o ano todo em 1 semana e meia. Hein? Cópias e cópias de documentos assinados de reuniões que nunca existiram. Mas vai provar ao MEC que elas nunca existiram? Deve ser assim com todas as instituições, hoje em dia parece que o pessoal está mesmo afim de enrolar do que cada um fazer sua parte. Enquanto um finge que administra, outro que é, de fato, uma instituição de ensino superior. Ontem saiu o resultado do ENADE, 1 em cada 5 insituições se salvam. Hein? Cursos com notas baixas, muito baixas. E eu, em muitas ocasiões, ensinando o abcedário no ensino superior. Leitura e compreensão de texto. Alfabetização básica. Não canso de me surpreender com o analfabetismo digital. Dei uma escorregada, achei que a maioria do país já estivesse incluida, principalmente pessoas da grande são paulo. Erro meu. A coisa está pior do que a gente pensa. E os ministros estão caindo, que caiam todos, e que a coisa fique um pouco mais ética em todas as esferas. É preciso mudarmos o comportamento do brasileiro. Não podemos ficar nem de braços cruzados, nem conformados acreditando que as coisas nunca mundam.

Para aliviar, um quadrinho irônico...

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Ou melhor dizendo... os problemas da universidade...

* O professor ainda acredita que é o bonzão e se coloca no lugar de poder.

* O aluno ainda acredita no discurso desse professor e se coloca no lugar de objeto quando, na verdade, é que... enfim.

* A universidade esqueceu que ela se faz da interação entre professores, alunos e comunidade e que é, então um sistema aberto.

* A universidade pública está preocupada com o repasse de recursos e, então, reflete a falta de ética da própria política nacional, mesmo em ambas as esfores, universidade e política, hajam pessoas de bom caráter.

* A universidade particular que se diz filantrópica está mais preocupada com a margem de lucro que outra coisa - o resultado do exame da oab deixa isso bem claro.

* Todo sistema de ensino reflete as metas do milênio para a educação: produzir trabalhadores servis, aptos na universidade, técnicos no ensino médio, lixeiros com ensino fundamental.

E vamos que vamos, relembrando frase já postada por aqui antes:


Professor, aqui quem fala é seu aluno Mudo! E vice-versa!
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A qualificação do doutorado me fez questionar: afinal, quem é que qualifica, hoje em dia? O aluno, o orientador ou o curso? É melhor que se escolha por um dos três, no máximo dois, mas a confuência é impossível.

No corredor das faculdades o laboratório de lá continua brigando com o laboratório de cá? Vamos apresentar o conceito de WEB 2.0 para eles? Porque bem passou da hora. E como! O departamento de cá brigando com o departamento de lá! WEB 2.0 neles!

As pérolas da faculdade em que faço doutoramento escapam pelas portas e escadas. De repente, o pacto: no nosso grupo de estudos só entra quem a gente quiser e pronto. AMÉM! Quem é que se arrisca ao pacote WEB 2.0 para chacoalhar a universidade?

A pérola da qualificação foi a morte do sujeito decretada por uma das pessoas da banca. Ela começou assim:

- seu trabalho incomodou muito. pesquisei seu lattes e vi que você é professora, então eu pensei que você não poderia acreditar nisso que diz, o professor sabe sim, mais que o aluno, tem mais conhecimento e isso não tem como mudar.

Não? Eis então a morte de um sujeito em que uma pudorosa doutora esquece, talvez porque ela própria tenha sido escamoteada enquanto sujeito, em seus desejos e saberes, e vem repetindo o sistema durante muito tempo. É, deve ser isso.

EU NÃO CONCORDO, caríssima professora doutora fulana de tal. Se eu não puder aprender com meus alunos, e eles não puderem me ensinar, eu jamais serei sujeito da pratíca docente. Apenas uma professora de repetir. Aliás, passei pelo seu lattes também, em retribuição à sua visita no meu. Fica a pergunta: a senhora já deu aulas fora da universidade? Por que assim, olha, analisando bem, aquele único ano na escola pública que lá está registrado, muuitos e muitos anos atrás, deve ter assustado, não? Já que você ficou por tantos anos distante da docencia, só voltando na universidade. A-ham. Ai que delícia ler Rubem Alves para dar mais razão a mim e menos a senhora. Acho que a única fala boa de vossa senhoria foi o colocar sua posição de banca à disposição, pois então saiba, EU ACEITEI!

Ah é, eu aceitei, mas meu orientador não. Arbitrariamente manteve a banca com o intuito, segundo ele, de me proteger. MAS quem foi que disse que eu quero ser protegida? E aquele debate linha por linha? Afinal, pra quê serve uma qualificação senão para irritar o orientando? Cadê a porra do debate dissecante parágrafo a parágrafo?

Meu orientador, este que manteve a banca sem estar em comum acordo com o orientando (no caso sou eu), levou um susto com o email que escrevi a posteriori. ESTOU FORA, querido orientador, pois estou morta enquanto sujeito. AMÉM!

Irritado ele me chamou de egoísta, vamos às suposições.

1. o problema dele e da academia toda chama qualis. E, por motivos de ideologia absolutamente pessoais, não publiquei nada com magnânimo doutor e algumas coisas sem ele, bem mais divertidas.

2. acredito que ele, magnânimo doutor, não tenha lido todo o texto de qualificação. Me prove se for o contrário.

3. Obviamente ele, magnânimo doutor, nunca teve interesse pela minha dissertação de mestrado, porque ela une psicanalise e esporte e bah, onde já se viu? A banca toda não leu. Preciso urgentemente copiar uns trechos completos de um trabalho pro outro. Vai que daí surge um esforço mínimo de tentar entender coisas para além do be-a-bá comum da pedagogia do esporte.

Agora vamos aos fatos e tire suas próprias conclusões:

1. Negociamos a banca, muitos meses antes. Todas as minhas sugestões foram ignoradas. Ouvi não, e não, e não. Autoridade magnânima do doutor magnânimo. Quem é egoísta e pensa só em si próprio?

2. Então eu consegui colocar uma professora que tinha tudo a ver com meu trabalho na suplência. Um dos professores desistiu e então apareceu, sei lá de onde, essa mulher acima que não estava na quadrilha. Drummond, me salve, por favor. Lá se foi de escantei a minha única sugestão aceita. Quem é o egoísta e pensa só em si próprio?

3. Daí, como o incosnciente deixa suas brexas, caiu em minhas mãos o documento oficial da escolha inicial da banca e, pala minha surpresa, notem, a professora que eu indiquei não estava mais lá. Sumiu, caro magnânimo doutor? Quem é egoísta e pensa em si próprio?

4. Disso o magnânimo ainda não sabe que eu sei, mas ouvi em alto e bom som: Fernanda, o orientador precisa proteger o aluno, por isso mantive a banca. MAS quem é que disse que eu quero ser protegida? Eu quero estar viva, ser sujeito do meu texto de doutorado, quero ser debatida, confrontada, dissecada. Quem é que...? Hein?

5. Em debate na banca sobre a presença da psicanalise no meu tabalho (ame-a ou odeie - e lá todos odeiam), ele diz, quando algum participante questiona: não dá para pôr ninguém da psicanalise na banca, nao é minha área. Aha! Eis o ponto. Quem é que quer se proteger? E ter menos trabalho? E ser menos confrontado? E ter finalmente um título de orientador de doutorado pra subir no plano de carreira? Quem é que? Hein?

Sem mais comentários, e olha que eu tenho um monte deles. Mas me lembrei de quando iniciei esse blog, 5 anos atrás, indignada com a banca do processo seletivo do doutorado, pela primeira vez, na mesma universidade. ocasião em que um desses doutores, magnânimos, autoridade máxima, eliminou meu processo do doutorado, eliminou a banca e me eliminou. Ninguem ficou sabendo que eu prestei processo seletivo público para tal. Mas então eu sempre tive as palavras, e sei da força delas. MAIS UMA VEZ EU VOLTO AQUI INDIGNADA COM AS BANCAS, COM OS DOUTORADOS, COM A UNIVERSIDADE PÚBLICA E COM OS PROFESSORES DOUTORES MAGNÂNIMOS.

Está na hora de vocês aprenderem um pouco com os jovens e suas novas concepções de mundo. Talvez o aprender seja mais do que isso, de um professor no lugar de mestre, auge do seu poder. Fico cá pensando com meus botões o quão triste deve ser a vida da mestra que se sentiu ofendida (mas aceitou continuar na banca - vai entender). Afinal, o poder deve lhe dar uma falsa sensação de sei lá o quê.

O conceito colaborativo de WEB 2.0 com urgência na universidade! E menos trabalhadores servis em prol de pessoas mais criativas e pensadoras!
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Eu queria ser policial para poder rastrear emails, ou hacker dos bons e de bom caráter, desses que a gente conta pra desvendar crimes. Ah, eu queria, para dizer do absurdo e prender o mané (remetente automático: fernandezias7Z5W@connectionfree.com) que me mandou esse email aqui:




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Eq! uipe Universidades UNI-7
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... da mesma novela. O mercantilismo acadêmico. E sempre na mesma tecla. Dinheiro. E todo inicio de semestre é a mesma coisa de sempre. Os alunos se unem para estabelecerem as regras que melhor lhes cabem nesse latifúndio. Digo das bolsas de mestrado e doutorado que, convenhamos, não são grande coisa. Mas todo ano eles estão lá, estabelecendo regras que nunca funcionam, brigam, discutem, se matam. Agora que esse lance está virando coisa de cotista (demanda social, saca?, negros, pobres, etc, etc, etc) a discussão parece não ter mais fim. Claro que eu defendo o meu pão, e o meu pão é sempre pela capacidade de cada um. Cotas? Que tal a sociedade se unir para melhorar o ensino básico e fundamental pra todos chegarem com as mesmas condições? Há quem prefira se matar por conta de certas migalhas. Tá, estou sendo rude, mas vamos lá, o jogo se joga no dentro!

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está me custando, e muito. Não digo de dinheiro, digo da alma, que está sendo roubada, e o tempo que perdi ano passado por conta de desilusões. De todas as negociatas que estão envolvidas nesse projeto, desde o ingresso, até seu final, o que mais me incomoda é a indisponibilidade. Desta feita que, na última reunião, tive certeza de que meu orientador nunca se disponibilizou em me conhecer academicamente. Está mais preocupado em não levar porrada da banca enquanto eu, pelo inverso, já vesti as luvas. Tese.
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... não tem quadra e os alunos reclamam. E eu lembrando da quadra improvisada que pintei num desses clubes esportivos famosos. Para nossa turma só restou o cimentão mesmo. Mas os alunos reclamam, eles pagam por sua formação. E a gente sabe que a banda toca diferente. Sempre tocará. Nunca haverá condições ideais de ensino, porque o ensino nunca será ideal, basta lembra a psicanálise que coloca a educação no rol das três profissões impossíveis, como governar e psicanalisar. Nunca haverá teoria, universidade, escola ou estrutura que dê conta da totalidade do sujeito. O jeito é esse mesmo, de não se fazer por vencido, e nem digo para todos sermos professores ideaistas ou coisa que o valha, mas pessoas que fazem algo pela vida, e pode contar com um quê de egoísmo, se quiser, com a própria vida. o que não dá é para se acostumar. Ou dá, mas daí foi uma escolha, passar a vida com o pouco que a rede da praia e a água do coqueiro dá. E o pouco pode ser muito, já dizia o livrinho infantil.
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Quatro anos longe da universidade, na condição de docente, as mesmas coisas, como se nada ficasse diferente, e tem anos que o ensino superior tem sido o mesmo, com a diferença de estar cada vez menos do que mais. O resto é igual: lousa, professores falantes, alunos calados. Quanto mais não reclamam do professor, melhor. Outra diferença: a tecnologia, nunca disponivel para o professor montar suas aulas mais atraentes, custa caro para a instituição ter um data show disponivel pra cada sala, mas não custa muito nas mãos dos alunos, fones e games em prol do silêncio universitário. ao professor, custa mesmp sua própria ideologia.
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Para minha amiga Solange, diretamente da aula dela na universidade.

Local: laboratório de informática.
Aula: Jornalismo de Revista.
No quadro: Diferença entre a crônica e o artigo de opinião.


A fotografia.

Atrás do monitor, uma donzela.

Talvez não nos termos de séculos atrás, de virgindade, pureza e coisa e tal. E, no auge dos seus vinte e poucos anos, ela saca da bolsa- enquanto a professora diz que artigo de opinião é um texto que defende uma idéia - seu kit de beleza, espelhinho, base, pincel, blush e pó.

Depois de uma análise criteriosa na porosidade aparente, ela ainda nem percebeu que o assunto mudou do artigo para a crônica, um algo escrito que permeia uma visão de mundo através de dados factuais. E ela era o fato, o tema cotidiano, a ironia e, muito provavelmente a vergonha alheia. A minha vergonha.

De olho no espelho, passou a base com o dedo como se preparasse o rosto para a maquiagem. Preparou. Em seguida pegou o lápis, passou ao redor dos olhos, para dar cor à tela ainda embranquecida. Um rosa nas bochechas. Um tempo para os retoques. E o batom só pulou da necessaire quando a aula dizia do escrever.

Assuntos interessantes para os futuros jornalistas. Aquela coisa de laboratório mesmo, de prática, a vida na lida e no lide: como fazer um perfil, como fazer uma entrevista, onde se pode ou não pode usar adjetivos no texto jornalístico. Mas ela ali, ausente disso tudo, levantou os lábios narcísios, piscou suas pestanas tingidas de preto, analisou o rosto de um lado e de outro e imagem e tal.

Por certo que a professora até se sentiria lisongeada se toda essa dedicação tivesse sido em prol da prática do jornalismo em revista, cujos detalhes em tons, cores, coisas, pestanas etc e tal sobre a pele se tornasse literatura. E em pauta caísse como uma luva o jornalismo literário. Mas ela ali, ausente de tudo, nenhuma atenção para como se constrói uma linha de tempo, a importância da narração dos fatos para os meios jornalísticos e blá blá blá.

Coisa e tal ela tira da mesma necessaire de couro preto um fio dental. Seu olhar se volta novamente para o espelhinho, lábios esticados de modo a mostrar tanto os dentes de cima, quanto os de baixo, de modo a poder contar os 32, exceção feita ao siso. Corta um pedaço do fio e com movimentos ritmados para frente e para trás, um dente ao lado do outro, algumas babas caem sobre o monitor, tela em descanso, "professora, é muito difícil".

De volta à diferença entre os artigos de opinião e a crônica, o primeiro com argumentos abstratos, o outro mais preso ao cenário, a aluna verifica, confere o rosto, tudo em ordem, ajeita os cachos dos cabelos. Um depois do outro e na conferida final, e nos finalmentes, e no último minuto do segundo tempo faz funcionar o computador para ver as novidades do dia. Hotmail.

Do lado de lá, propõe-se um exercício de escrita. Curso de jornalismo. Brasília. Arruda? Então ela, inocente no tema, balança a cabeça, não sabe direito o que está acontecendo. Nega. Diz não. Começa o exercício, ela se levanta, arruma a blusinha, verifica a calça jeans, dá uma última olhada no espelhinho, verifica o bico do sapato do tipo chinelas havainas e pede para ir ao banheiro. Vai e não volta.

(...) E no retrato do Ensino Superior Brasileiro, em que alunos não ambicionam nada além de continuar nos seus centros de telemarketing e desfilando suas roupinhas de grifes, resta, como na maioria das vezes, as imitações (...)

Isso me lembra outra vez, em que uma colega dava uma aula empolgadíssima, quando uma das alunas levanta a mão. A professora toda contente com o interesse:

"Sim, sim, em que posso ajudar?"

Mas a resposta veio como um tiro certeiro:

"Professora, onde você comprou seu tênis?"

Bléim, bléim, bléim. Os sinos tocam. A aluna imaculada em jornalismo de revista volta para a sala de aula. Parece que não vai ser hoje que ela vai tirar o cabaço, no bom português. Sobre a mesa uma lixa de unhas, um vidrinho de esmalte cintilante, acetona e um palitinho com algodão.
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Tem algum tempo, pouco, que passei a me interessar pelo ensino à distância. Escolhi a palavra ensino em detrimento da palavra educação. Ainda elaboro pensamentos a cerca das múltiplas possibilidades educacionais ou “educadoras”. Vai entre aspas porque, de acordo com algumas pesquisas, o significante é dado em aspecto restrito, destinado à capacitação. Esta distinção é, de fato, uma particularidade minha. Sei que outros autores já navegaram tentando ponderar o assunto, mas eu ainda tenho dúvidas, visto que minha tendência, em relação ao ensino, está, junto com outros fatores, em associá-lo ao acumulo de informações, que eu acho, corresponde ao papel social do saber levado à distância. Sei que esta é uma discussão ampla, que não terá fim com estas linhas e, talvez, apresente uma opção funcional, em termos de alcance.

Dos tópicos discutidos nos fóruns, onde percebo que muitas mensagens foram postadas a esmo, as dúvidas que me inquietam até o presente momento estão em relação à objetividade e praticidade do ensino à distância. Acho que com este aperto do curso, em uma semana, muitos assuntos de ordem prática acabaram ficando para segundo plano. Nem eu tive tempo de debater sobre a estrutura do ambiente virtual, sobre a questão dos tutores, dos atores e das personagens.

Tem algum tempo que freqüento cursos a distancia, participando de diversos tipos de ambientes e de concepções. Fiz cursos desde mecânica de automóveis até cursos de negócios, estes últimos pelo ambiente do Sebrae. Ainda tive oportunidade de participar de um curso de especialização e capacitação docente em outra instituição de ensino superior. Dada esta experiência e esta diversidade de cenários e, também, minha busca em colher elementos em que meu próprio espaço virtual se constitua e vá para além da troca de e-mails, percebo, inclusive com este curso, que a questão do ensino à distância gira em torno da informação, e esta gera conhecimento para aqueles que são capazes ou desejam operá-las. Daí que entram minhas considerações a cerca da certificação e do sistema de avaliação. Este, no meu modo de pensar, deve ser rígido mesmo estando suscetível que outra pessoa faça login para um aluno ou que haja o plágio. As formas ainda são questionáveis, mas o risco é válido na medida em que os certificados incluem trabalhadores na sociedade, quando os certificados geram aumento de renda.

Já em relação às novas tecnologias, aos novos métodos de ensino, acredito que serão uma freqüente no ensino à distância como são no ensino presencial. Ambos estão em freqüente mudança ou a mudança é vista sempre como uma possibilidade imediata, dados os diagnósticos anteriores, avaliadas as necessidades.

Não tenho dúvidas que a eficiência de um processo de ensino e aprendizagem gira em torno de relações transferências, e foi o que tentei contribuir nos tópicos que participei. Acredito que tanto o ensino à distância quanto o ensino presencial devem deixar o saber emergir do aluno, para que estes se tornem sujeitos do processo, e não objetos, aquele que tudo escuta, mas aquele que também é escutado. O detalhe que considero importante é que esta escuta tem que ser individual. Mensagens jogadas (por colegas, professores, tutores), no sentido de mostrar-se presente não é suficiente neste sentido, porque não foram estabelecidos significantes e o que está sendo escrito se perde por aí além.

Acho que em ambos os casos, no ensino presencial e no ensino a distância, o desafio está em estabelecer este processo transferencial em que o professor devolve ao aluno o significado do que ele disse, que é um processo muito diferente do professor dizer/escrever alguma coisa, o aluno escutar/ler, o aluno escrever/falar e o professor escutar/ler. Para isso dou o nome de interação, mas a construção do saber está além é subjetiva, precisa ser, de fato, reconhecida, para que uma folha como esta tenha razão de sua existência.
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Será que a festa acabou para o grupo de estudos? Aquele que negocia autoria em trabalhos acadêmicos? A onda por e-mail continua:

Mail 1
Olá! Estou enviando 2 resumos ampliados para o congresso. Caso aceitos, qual a indexação na publicação no livro digital do evento? Obrigado!


Mail 2

Prezado, seus trabalhos são bem-vindos. No entanto, a organização do evento gostaria de informar que, conforme os critérios atualmente vigentes da CAPES, trabalhos em eventos não são avaliados pelo sistema Qualis, sejam eles publicados em formato de resumo, resumo ampliado ou na íntegra. Att.


E agora, José? E agora, José?
Infelizmente os Pesquisadores de Chocolate não entenderam o que é ciência e para quê se faz. Blá!
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As AACC ou Atividades Acadêmicas Culturais Complementares, de acordo com a legislação vigente: LDB 1996, Resoluções 18 e 19 de fevereiro de 2002, Pareceres do Ministério da Educação e do Conselho Nacional de Educação de 2004 e 2005, constituem aquelas que propiciam conhecimento relevante para o processo de ensino/aprendizagem na área específica do curso, com base nos critérios de interdisciplinaridade e de flexibilização curricular, contribuindo para a formação complementar profissional e cidadã do aluno. A carga horária mínima é de 200 horas (em 5 módulos de 40 horas cada) e valem atividades extra-curriculares como idas ao cinema, teatros, palestras, congressos, eventos relacionados e por ai vai. Cada curso de ensino superior determina como estas horas serão creditadas. E o tipo de comprovação aceita:

* ingressos, fotografias, certificados ou declarações de participação, presença, etc.

E depois o aluno entrega um listamento destas atividades e uma breve ata, ou resumo. Bom ou ruim? Tudo parece mesmo ser uma faca de dois gumes. A proposta é interessante, faz o aluno sair em busca do conehcimento e o torna mais participativo. Ruim é a parte do eu finjo que aprendo enquanto você finge que ensina. Aí não dá. Gera medidas como esta, do Centro Cultural São Paulo, notificada recentemente:


AVISO

A partir de 1º de junho de 2008 não será mais fornecido o carimbo e o comprovante de visita a estudantes nos espaços expositivos.

Desde março de 2007 o Centro Cultural São Paulo fornece para o público comprovantes de visita às exposições. No entanto, este procedimento não atestou uma participação efetiva em atividades culturais. Considerando que o comprovante de uma visita pode valer por até cinco horas de estágio e que, na grande maioria das vezes, a duração da visita não chega a cinco minutos, decidimos abolir os certificados e carimbos por acreditar que essa prática atua na contramão dos objetivos de uma ação educativa responsável. Portanto, o CCSP informa que a Ação Cultural e Educativa, a partir de 1º de junho de 2008, não fornecerá mais a estudantes o carimbo e o comprovante de visita aos espaços expositivos.

Em contrapartida, informamos que continuará sendo fornecido o comprovante aos estudantes que o solicitarem quando participarem de visitas monitoradas previamente agendadas. Também serão oferecidos certificados de participação em cursos e workshops, com inscrições prévias. Clique aqui para mais informações sobre as visitas monitoradas.


Me engana que eu gosto? Não no Centro Cultural. Louvável!
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A BANCA (dos escritos antigos)


Para aqueles que pensam em entrar num mestrado, num doutorado ou prestar um concurso público vai a dica de que nem sempre a competência é a alma do negócio. E se por um acaso você não puder ser o dono da banca (geralmente é ele quem dá as cartas, marcadas?), seja, no mínimo, seu melhor amigo. Prostitua-se academicamente, se assim for necessário. Não é tão cruel se você pensar na perspectiva dos interesses, que sempre são subjetivos e, portanto, inexplicavelmente válidos. Mas, se você não concorda, vire a banca pois, de fato, não se trata de um jogo de azar.

Quando se presta um concurso o que a gente quer (ou deveria) é abafar a banca, ou seja, causar admiração, e pelo talento. E tem muita gente por aí que, ao contrário, vai botar a maior banca: vão tentar vangloriarem-se por suas qualidades ou bens pessoais, por sua posição, seu status. Ou então preferirão causar admiração pela beleza, as mulheres principalmente, e com o sublime intuito sedutor de levar os homens à banca rota. O inverso também existe, mas o golpe da barriga, este ainda é insuperável, dá às mulheres um certo poder estarrecedor e é bom que se esclareça, o lugar do poder é assim mesmo: autocrático e subjetivo.

Mas se estamos falando de concurso, a democracia, de fato, deveria sobrepor-se. E está representada pela própria idéia de se constituir uma banca de avaliação. Uma banca pressupõe que um grupo de pessoas supostamente qualificadas e eticamente comprometidas.

No entanto, sempre que se quer pensar em democracia, criam-se bancas em nome do compromisso ético. Trata-se de um conjunto de pessoas que têm como função avaliar uma situação ou representá-la considerando outros pontos de vista. Mas a banca examinadora, um grupo de pessoas supostamente qualificadas e eticamente comprometidas, está lá para exercer um papel democrático, pois tratam do conjunto das idéias e opiniões daqueles que a compõem, nem que o parecer final tenha sido pelo voto, representando a maioria. Sem exercer este papel a banca perde respeitabilidade, vide o exemplo do Poder Público. Nestes casos a banca não passa de uma mesa, um tampo sobre cavaletes, grande e de qualidade inferior. Quer dizer, neste caso nem a mesa é uma simples mesa, existem aqueles que a compõem e a mesa volta ao seu lugar de banca. ele pode ser diferente. Basta que se construa uma outra banca, um conjunto de poderes a tomar decisões de causas discutidas e avaliadas, para que se torne democrático.

Garantem a participação de todos, Mas tem gente que não bota banca, mas que também não tem opinião formada ou, pior, não compreende o sistema em que está inserido e as decisões passam a ser subjetivas antes de serem democráticas. Eu também já fiz isso por diversas vezes e sei que vou continuar por mais algumas outras tantas. Não tem como fugir porque a banca ela está sempre lá. Está no jornaleiro, no mobiliário e no jogo de cartas. Eu escolhi o caminho mais difícil, preferi quebrar a banca.
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Pró-reitor da unigranrio disse não se importar com o vestibular. E se pra ele, e outros como ele, tanto faz, quem é responsável pela qualidade do Ensino Superior Particular num sistema onde o MEC dá autonomia para que estas instituições cuidem de si?

Pra que serve um reitor? E um pró-reitor?

O reitor é aquele que rege, governa, administra ou dirige alguma coisa, no caso do Ensino Superior, uma universidade ou certas corporações escolares. Já o pró-reitor é o homem que está antes do reitor e assume algumas legalidades em termos de distribuição de algumas funções. Pode-se dizer que se trata de um filtro ante a reitoria, mas não diminui a legitimidade do cargo.

Em "Cai o Rei de Ouros, Cai o Rei de Paus: os estudantes chacoalham o sistema", alertei para o fato de que, nos últimos tempos, alguns estudantes têm derrubado alguns grandes personagens do Ensino Superior atual, geralmente envolvidos em escândalos, corrupção ou por terem dito algo que lhe fugia à competência, fatos caracterizados por menosprezo, preconceito e irresponsabilidade.

Nesta matéria do Fantástico, o pró-reitor admite: “Mesmo não estudando para o vestibular, você pode fazer esta prova até no chute. Eu, por exemplo, que estou defasado, posso fazer 25 pontos”, e completa quando o repórter pergunta qual é a nota mínima de corte, por exemplo, num curso como administração: “Eu não me preocupo com isso. Olhando nos seus olhos: eu não me preocupo com isso. Eu não preciso disso. Eu não valorizo isso”.

Ao se pensar nas denúncias da matéria exibida:

- 5 milhões de candidatos para o Ensino Superior;
- 2, 5 milhões de vagas disponíveis, sendo 300 mil em Universidades Públicas;
- 80% dos universitários estão na rede particular de ensino;
- 100 faculdades, em média, surgem por ano na rede particular, o que aumenta a concorrência;

fica claro, como diz o educador Zacarias Gama, que “esse sistema particular se inchou e precisa de alunos como condição de sobrevivência. Ele começa a usar estratégias de mercado no sentido de ter o aluno que ele precisa com o potencial de pagar a mensalidade, com potencial de comprar as coisas que existem dentro dos seus shoppings, menos interessado talvez no seu mérito acadêmico, na reflexão que o aluno é capaz de fazer. Então, é um grande mercado de diplomas”.

Desta feita, há uma banalização dos vestibulares o que implica em levar para o Ensino Superior alunos despreparados e descontextualizados. Então eu pergunto: também haverá mobilização destes estudantes, quer dizer, dos estudantes que são alunos da unigranrio e, portanto, submetidos à fala do pró-reitor, para derrubá-lo? Cairá o rei? Tomarão a reitoria? Fica a dúvida...


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No post abaixo eu reproduzi alguns e-mails do grupo de estudos. Eticamente questionáveis, inclusive. A questão ainda é esta, sobre a autoria, ou os autores de papers científicos. E se alguém ainda tinha esperanças de que a cabeça no travesseiro e uma noite mal dormida desse conta do recado e os envolvidos esquecessem a idéia de jirico que tiveram, este alguém se enganou. O máximo que uma noite mal dormida conseguiu fazer com esse bando sem noção foi por outra conta, a de justificar a imbecilidade para os organizadores do congresso. Acompanhe:

E-mail 1: “Olá pessoal! Estou escrevendo o resumo para o Congresso e estou em dúvida e queria a sugestão de vcs. Na introdução escrevi sobre o que se trata o texto, resumidamente, de onde, método, objetivo. Finalizei da seguinte forma: ‘Este estudo faz parte da proposta de dissertação de mestrado em bla bla blá na área de blé blé blé, que está atualmente em fase de finalização, realizada na bló bló bló. Seu conteúdo também é discutido por um grupo de estudos na área blé blé blé e suas relações sociais, mediado pelo professor orientador deste pesquisador e tendo como participantes seus demais orientandos. Desta forma todo texto produzido passa pelo crivo do grupo o que proporciona críticas e sugestões para a sua construção, justificando-se a co-autoria de seus integrantes.’ Vcs acham que é necessário justificar todos os nomes dos co-autores. Achei que sim pq se colocasse apenas como dissertação, caberia na lógica, apenas o meu nome e do orientador, não é? Fico no aguardo de suas sugestões, ok? Fiquem com Deus!”

E-mail 2: Nossa bibi, não sei se é a melhor escolha, mas dentro das razões levantadas concordo com o que você fez para não ficar estranho (mais em cima do muro impossível né?). Eu manteria tal justificativa. Talvez possamos colocar em todos uma menção ao grupo de estudos pelo menos nos painéis (ainda que não estejamos oficializados como um grupo) consulto a opinião de todos também. Abraço.”

Em tempo, o orientador, na leva de e-mails anteriores anunciou por uma porta-voz de que, então, o nome dele deveria constar como último da lista em cada um dos trabalhos. Não no meu, bebé! Estou fora, sacou? Quanta vergonha, quanta vergonha!
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Ah, pois eu então lhe digo porque tanto me incomoda estar onde estou. Para os desavisados, a idéia de montar este blog foi por conta de um processo seletivo para o ingresso ao doutorado, nos idos de 2005. Então eu escrevi A Banca, e questionei a ética da coisa. A história rendeu, um professor, em negociata, tomou as dores, estava certo de que eu deveria passar por cima de todas as desavenças e então fazer doutorado, porque meu lugar era no doutorado e coisa e tal. Em parte eu concordava, eu passei quase três anos tentando encontrar uma vaga de doutorado que fosse a minha cara e não achei. Nem aqui, nem fora do país. É que no doutorado, por mais autonomia que o estudante tenha em relação ao seu orientador, tem muitas coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia. São contratos escusos, e a ética é facilmente confrontada. Seja aqui, seja ali.

Não faço muito segredo de que, então, não estou onde eu gostaria de estar. O primeiro detalhe é que fiz o projeto de doutorado para ser orientada por um professor, e me restou outro. É aí que os problemas surgem, pelo preço que cada um resolve pagar, seja pela endogamia acadêmica, seja pelas relações das quais se espera ganhar com o outro.

Também já falei aqui sobre a engodamia dos livros, criticando as correntes de autores. Já falei dos sustos que levei no grupo de estudos e já passou um bocado de tempo de tudo isso. Mas, então, a coisa se repete, sempre repete (e foi um dos motivos de eu ter encerrado este blog em outra ocasião). A coisa se repete e eu fico com vergonha alheia.

Querendo ou não querendo, quando eu disse sim à orientação de doutorado eu aceitei o jogo. Pelo menos o jogo da instituição que me abrigou. E para ir mais além, sou bolsista do CNPq. Mais institucional do que isso, só pegando mais verbas na reitoria de pós, o que não vai acontecer tão cedo porque estou querendo me manter à distância.

Eu sei que não sou uma pessoa 100% ética, ou apenas já cansei de lutar contra algumas coisas. Mas tem coisa que não dá para não ser ética. O fato é que eu estou passada com a negociação via e-mail que está acontecendo com meu grupo de estudos (do qual faço questão de me ausentar, pela cretinice dos acontecimentos vigentes por lá). Agora resolveram fazer uma lista (exceção feita ao meu nome, ainda bem) de todos participantes. A idéia é simples e não é novidade no meio acadêmico. Para cada resumo que um dos participantes enviar para uns dos congressos de maior prestígio na área – já questionado por mim – acrescenta-se todos os outros nomes do grupo de estudos, criando-se uma rede. Um pesquisador de chocolate acaba fazendo apenas um trabalho e ganhando outros 5, ou 6, ou 7, dependendo do número de integrantes escusos e complacentes do tipo “me add que eu te add”. [Parênteses: esta minha comparação com o mundo internetês é injusta. Na internet, um sistema de redes, há muito mais instrumentos de combater esse tipo de ação para que sites e blogs subam seu page rank do que sonha o mundo acadêmico, uma questão de seriedade].

Meus ombros suportam o mundo, mas não suportam pesquisadores vagabundos. Por isso não carrego nomes sem sentido, apenas de gente competente e que, de fato, contribuiu para o estudo. Mas nessa corrida papers de mel, promovida pelas instituições regulamentadoras (que eu apoio, já disse em outras ocasiões) têm contribuído para o outro lado da moeda deixando a coisa um pouco à deriva. Talvez seja a hora deste sistema acompanhar os esforços das redes sérias que se criam pela internet. Com ela, os jovens aprendem que sozinho não se ganha o mundo, nem com fraudulências. É que na internet os mecanismos de buscas e ranqueamento de sites e blogs já rastream e punem que faz uso de links como uma rede para ganhar acessos, dentre outras coisinhas a mais.

Navegando e aprendendo.

Abaixo a troca de e-mails dos Pesquisadores de Chocolate em busca de Papaers de Mel:

E-mail 1: Olá pessoal, vcs irão mandar resumos para o congresso em Porto Alegre? O que vcs acham de cada um fazer um e colocar os nomes dos outros no trabalho, pois dessa forma (como fazem em outros institutos) todos terão mais publicações e também, não sei se todos poderão ir até o congresso para apresentar ou expor. Abraço.

E-mail 2: Olá pessoal! Eu concordo plenamente. Pretendo fazer um resumo ampliado. Vamos ver se consigo. Fiquem com Deus.

E-mail 3: Concordo!

E-mail 4: Bom, se todos estamos de acordo, faremos o seguinte, cada um envie organize um resumo e coloque o nome de todos. Só para confirmar os nomes completos são esses: Beltrano de Tal [este é o orientador dos alunos, inclusive o meu, que vergonha! Me digas com que andas, professor, que te direi quem és], Fulano de Tal, Cicrano de Tal, Lá lá lá de Tal, Li li li, Ló ló ló. Não sei se alguém mais vai mandar (Lê lê lê de Tal? Lu lu lu? Tan tan tan?) Lembrando que cada autor pode ter até 6 trabalhos, Abraço a todos.

E-mail 5: e cada trabalho pode ter 6 autores.

Rá! Fizeram as contas? Em uma tacada só, o pesquisador de chocolate pode, de 6 trabalhos, ter bem uns 30 papers de mel. Rá! Quanta vergonha! Quanta vergonha!
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Cai o Rei de Ouros, Cai o Rei de Paus: os estudantes chacoalham o sistema!
por Fernanda Ramirez

Cai, não fica nada.

Nos últimos tempos tem-se visto uma movimentação dos Estudantes do Ensino Superior em franca manifestação país adentro. Primeiro foram os estudantes da USP, em maio do ano passado, que tomaram conta do prédio da reitoria. Estavam contra os decretos do Governador José Serra anunciados em janeiro de 2007 (dentre outras coisas, os decretos proibiam por tempo indeterminado a contratação de professores e funcionários para a instituição; impediam que as universidades usassem a verba sem autorização do secretário da Educação Superior e tiravam a autonomia universitária). Cai, não fica nada!

Depois foi a vez dos brasilienses da UnB que tomaram sua reitoria. Queriam a saída imediata do reitor Thimothy Mulholland, do vice Edgar Mamiya e de todas as fundações envolvidas em processos de corrupção. O estopim, em abril de 2008, foram os gastos superfaturados do reitor e sua lixeira de 1000 reais. Em janeiro deste ano, surgiram diversas denúncias de corrupção envolvendo a atual gestão da reitoria da UnB, envolvendo desvio de verbas por meio da FINATEC para uso privado do reitor. O Ministério Publico abriu inquérito e nas investigações descobriu mais irregularidades envolvendo a FUB e a FUNSAUDE. O grupo que estava à frente da reitoria desde 1998 já esteve envolvido também em outros escândalos como o do Centro de Seleção e de Promoção de Eventos (CESPE), o da Casa do Estudante (CEU) e o da própria eleição da atual gestão. Vale lembrar que desde 1996 após o decreto do Governo FHC, a UnB não tinha eleições paritárias para reitor, outra exigência dos estudantes. Cai, não fica nada!

Nesta semana, os donos da bola foram os estudantes e os professores da Universidade Federal da Bahia. É que o infeliz do coordenador do curso de Medicina, Antônio Dantas, declarou que a baixa no rendimento dos alunos no ENADE (Exame Nacional de Desempenho, do MEC) se deu devido ao fato dos baianos terem QI inferior ao restante do país. Hein? Nos dias de hoje é bom que se proteja ou cai, não fica nada!

É claro que a imprensa distorce fatos e é capaz de dizer grandes mentiras contando apenas verdades e não se sabe ao certo em que contexto o coordenador do curso disse tal blasfêmia. A pesquisa acadêmica e os papers também permitem esta falácia, na medida em que o pesquisador manipula os dados e publica apenas aqueles que lhe interessam. Para os acadêmicos há revisão por pares e coisa e tal dentre os inúmeros indexadores de pesquisa mundo afora. Para os cursos superiores há o ENADE e o fato histórico de que os alunos das universidades públicas têm uma tendência a boicotar o exame, porque não estão de acordo. Esta poderia ser uma das explicações para o baixo desempenho dos alunos da Bahia, segundo Arquimedes Ciloni, presidente da Andifes (associação que representa os reitores das universidades federais).

Independente do acontecido, este fato traz à baila novamente a legalidade de exames como o ENADE e outros instrumentos que regulam os cursos superiores. Há uma tendência da população em rejeitar números e índices, principalmente no tocante à educação. É que então, os números não seriam capazes de dizer como, de fato, a coisa funciona. Números são números, não provariam a qualidade do ensino. Mas trazem deduções lógicas. São indicadores essenciais de repasse financeiro e, convenhamos, deixar a educação ao-deus-dará não faz sentido. Pode ser pouco, pode ser insuficiente, pode ser inadequado, pode um monte de coisas, mas não se pode negar que é necessário haver agentes reguladores, principalmente em se tratando de universidade pública, que deve explicações à nação.

Desta forma, eu concordo com Naomar de Almeida, reitor da Universidade Federal da Bahia, que declarou em entrevista para a televisão que, de certa forma, o boicote dos estudantes ao exame nacional é um erro. No entanto, de outro lado há algo de positivo. O boicote é uma das formas dos estudantes se declararem insatisfeitos com o sistema e é o jeito que eles encontraram para “pedir” melhorias, coisa que também é muito válida, como a invasão nas reitorias ou esta última manifestação pública que resultou na renuncia do coordenador do curso de medicina do cargo.

Em conjunto, o que estes acontecimentos mostram é que os estudantes sempre estiveram com a faca e o queijo na mão. Basta que façam uso deles, pelas razões certas ou pelas razões erradas, para que o sistema chacoalhe. Então, que caiam os reis e que se questione a canção: “nos dias de hoje, não lhes dê motivo, porque na verdade, eu te quero vivo”.
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Tá, eu não sou a melhor aluna, nem a melhor pesquisadora, nem a melhor acadêmica, nem a melhor articulista, nem a melhor professora do mundo. Eu sou uma mulher que se multiplica em várias outras, como tantas que existem. Mas também não sou daquelas que só pensam nos seus esmaltes, nos seus lábios gloss e em alisar os cabelos. Então, tem coisa na endogamia (leia-se putaria) acadêmica que só termina de me descabelar:


(na reunião de orientação)

- Ei, você não imprimiu?
- Não, vamos ver na tela.
- Você leu? Porque eu prefiro discutir direto.
- Não, quero ler com você.
- Bom, deixa eu por uma cadeira para me sentar mais perto da tela...
- Se quiser sentar no colo do orientador, não tem problema.

Tem, tem problema sim senhor. Aliás, isso tá ficando com problemas demais. Ora!
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Tudo que o seu orientador quer (a maioria deles) é que você produza um texto, de preferência Qualis A Internacional, porque ele, com muitas outras atividades provenientes do seu cargo acumulativo disso e daquilo outro (que lhe rende uma bela grana extra), está sempre precisando de artigos, capítulos, livros para aumentar sua produção intelectual. Produção de quem mesmo?

E com a desculpa de que ele é muito e você é pouco (eita hipocrisia da porra!), e com a velha questão ética vinda do fato dele ter lhe dado a vaga (do verbo dar mesmo, lembre-se que nunca foi você que a conquistou), o que obriga, de fato, que você coloque o nome dele no seu trabalho pelo nada que ele fez, você nem terá a chance de colocá-lo à prova. É que existe uma regra na pós-graduação que diz que se o orientando publicar mais artigos que o orientador num prazo x qualquer, o orientador está automaticamente excluido do programa de pós.

O interessante é que em todos os casos, sempre, o poder está nas mãos dos alunos. Infelizmente eles não sabem disso. E é por isso que as coisas se mantém gugu-dadá.
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Só para constar: a tal da lista de chamadas gugu-dadá que a pós-graduação insiste em manter ativa, não é tão fácil de ser encontrada. É que o professor responsável por ela nunca se encontra na universidade, que é pública. Sendo ela uma universidade pública, obviamente que nem todos os professores doutores, principalmente os livre-docentes cumprem suas 40 horas em dedicação exclusiva. Vai ver que é por isso que a pós-graduação colocou uma lista de chamadas gugu-dadá para alunos de pós-graduação. Alguém tem que fazer a universidade ir pra frente. Que sejam os alunos já que os professores, estes estão indo de mal a pior.
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Talvez tivesse sido melhor se eu tivesse desistido da pós-graduação antes do tempo. Corrijo: desistido desta pós-graduação gugu-dadá, dá chupeta pro bebê não chorar. Basta eu sair pra qualquer outro instituto ou faculdade dentro da universidade que a coisa muda, embora existam outros centros gugu-dadá. Que o mundo está infantilizado eu não tenho dúvidas, mas me causa dor ver uma pós-graduação assim gugu-dadá do mesmo jeito que me dói saber que existe um programa Super Nanny pra ensinar pais e mães darem um mínimo de atenção aos seus filhos e um mínimo de limites. É coisa só do Brasil? Não, não é. Lá em Portugal 65% da população é analfabeta funcional. E a Africa? A Índia. Os países terminados em ão: Paquistão, Uzbequistão, ão, ão, ão tudo de um jeito inho. Tadinhos. O que sobra do sistema capitalista de um mundo hipotecado. Mas talvez tivesse sido melhor se eu tivesse desistido antes do tempo, para que este tempo gugu-dadá da pós-graduação que está em sobra nem existisse.
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Prezadas Marias

Ontem tivemos um encontro muito acolhedor, agradecemos o carinho (se bem que faltou um cafezinho, biscoitos e água ou um suco, mas tudo bem, a gente se virou sem essa porque entendemos que se trata de uma prefeitura. Não, não entendemos não. Não entendemos nada, isso não tem nada a ver, foi falta de tino mesmo, e mesmo para encontro de última hora. Por hora compreendemos a urgência, mas para uma próxima...).

Agradecemos e colocamo-nos à disposição para o que for possível (e como é claro que isso também se trata de um embuste, corrijo: para o que for possível de se fazer naquilo que a gente tiver vontade, e só). Já estamos nos organizando (eu sei, eu sei. Porque tudo ainda está só em pensamento, o mais honesto seria dizer que estamos nos concentrando, mas vocês sabem bem como as coisas são, a gente não pode, aqui, usar verbos contra a nossa pró-atividade porque não nos cairia bem em se tratando de uma mensagem como essa para fino trato, ops, tratado, ops, parceria, ops, negócio, ops, sei lá o quê).

Já estamos nos concentrando para realizarmos as nossas propostas e coisa e tal (para que não haja dúvidas, vou desenhar um pouco este coisa e tal: estamos usando nossos esforços com o foco para o nosso próprio lucro, a nossa marca e coisa e tal. E por falar nisso, lembram-se da atividade que oferecemos em troca? Pois então, este é o verdadeiro motivo de estarmos vos escrevendo, mas como não podemos ser, assim, tão diretas, não encontrei meios mais adequados para terminar este escrito senão o que está por vir). Para as outras (entenda-se nossas) atividades, projetos e idéias, esperamos as coordenadas. (Sinceramente, espero que as senhoras captem este “entre-linhas” que está gritando bem na frente de vossos olhos, e em letras garrafais: ATIVIDADE! ATIVIDADE! NOSSA! NOSSA!)

Atenciosamente (que aqui vai no lugar de “aguardamos um retorno imediatamente, principalmente naquilo que diz respeito à NOSSA ATIVIDADE”),
R&R Sociedade Anônima.

(Ps: também não podemos deixar de registrar que é uma heresia pedir que façamos isso ou aquilo outro com um “mas infelizmente não temos verbas”. Nós sabemos que quando uma prefeitura quer alguma coisa, ela consegue e também sabemos que o mundo não é tão insano tanto quanto parece. E que a política é para os dois lados. Só para esclarecer, nós não temos nada a ver com esse contrato de cavalheiros que diz que prefeitura, e professor, e coisa e tal devam trabalhar em troca de projeção e currículo, apenas. Nós trabalhamos para comer, beber, dormir e trepar num motel de luxo sempre quando quisermos. Por isso, providenciem nossas atividades com máxima urgência, caso queiram que, na próxima, vos agradecemos de maneira mais cordial, e verdadeira).

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Texto produzido para o Letra Corrida. Laboratório de Escrita Criativa.

Prezadas Tu e Ti
Ontem tivemos um encontro muito acolhedor, agradecemos e colocamo-nos à disposição para o que for possível. Já estamos nos concentrando para realizarmos as propostas conversadas. Para outras atividades, projetos e idéias, esperamos as coordenadas.

Atenciosamente
Eu e Ela
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Na crise das orientações acadêmicas, as lamentações me chegam por todos os poros. É ex-aluno que invade meu msn num apelo “professora, a senhora faz falta naquela universidade, posso ter fazer uma perguntinha?”. Como eu dava aulas de Metodologia de Pesquisa não era difícil imaginar o que estava por vir: como fazer busca, onde encontrar material, como fazer citação, como isso, como aquilo ou, então: “professora, o meu orientador não consegue entender que meu tema não tem referências bilbiográficas...”. Bom, isso eu também não entendo. Em última instância sempre se pode recorrer aos socráticos, aos pós-socráticos e aos pré-socráticos. E que vontade de gritar: contextualize-se fulano, contextualize-se! Ah, sim, foi essa turma que reclamou, um dia, que minha prova estava difícil: “professora, o que a senhora quer dizer com contextualize?”. Hein? Tá.

Mas como eu ia dizendo, as lamentações me chegam por todos os poros. Minha amiga que está no doutorado está indignada. É que o orientador dela não quer aceitar um co-orientador. Eita vaidade socrática, pré-socrática e pós-socrática. Então ela desabafa: “o que ele entende deste assunto? Acha que entende, mas não entende. Nós precisamos de ajuda, pow!”. Nós eu não sei, ela com certeza. E muita. Bom é que se legalmente não se pode contar com um co-orientador, pode-se perfeitamente pagar um supervisor (vou juntar ao cargo de palestrante: supervisora). Sem contar pro orientador? Ó deus, haverá alguma ética acadêmica neste jogo de esconde-esconde?

E por aí caminha a vida acadêmica. Hoje o ex-amante ligou (foda-se se a mulher dele ler este post, e tomara que sim). Perguntou da minha vida e coisa e tal. E a minha vida acadêmica está ótima. O bom de estar no doutorado é que você já sacou o esquema e deixa os orientados de mestrado lamberem o seu orientador. Eles mostram serviço enquanto os doutorandos cuidam de suas próprias vidas. Isso é bom porque dá para desestressar um pouco da política gugu-dadá da pós.

Mas na lista de lamentações, outra amiga disse que emburrou com a orientadora e desistiu do mestrado. Ainda tem aquela amiga que diz que não quer pagar preço tão alto no doutorado. E por aí vai. Mas os homens? Eles são orientandos tão mais práticos, como o ex-amante professor doutor que veio numa frase dolorida: "pega o que você já tem do seu livro e termina o doutorado, daí você entra num concurso público, e vai dar aula!". E neste pega=pega socrático, pré-socrático, pós-socrático eu esqueci de avisá-lo que já deixei de ser professora para ser palestrante... que não me atrai a idéia de ter 60 anos (a idade dele) contando os dias de licença prêmio ou os dias para a aposentadoria, nem viver um casamento acomodado. É, eu não contei nada disso. E que tristeza saber que ele não entendeu nada. Que eu aceitei fazer este doutorado maluco, pagando o preço do amor (do amor passado), numa tentativa louca de virar a mesa. A palestrante... A escritora... A supervisora... A editora ... Aquela coisa meio socrática, pré-socrática e pós-socrática de felicidade...
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Trabalho, Amor e Diversão
Por Fernanda Ramirez


Só um ano depois eu entendi que aquela frase poderia me ter sido um tapa na cara:
- Professora, a senhora se diverte mais que a gente!

Na época eu não dei por conta, mas era uma crítica capital. E das grandes. Daquelas que chegam de mansinho e se instalam bem no meio do nosso peito, onde se grudam, e se grudam, e se grudam, e cuja mais-valia esbarra-se no não ser. Eu era. Sempre fui uma qualquer coisa que sorri. Uma qualquer coisa que sente prazer. Uma qualquer coisa viva que exige da vida a vida.

Anos antes, e porque eu sorri demais, me deram as contas. Embraveci. Então eu briguei, questionei, berrei e lutei por ser quem eu era: uma professora, e das boas. O chefe do campus (não o do curso), que tinha enviado meu nome para a reitoria com o doce propósito de se esbanjar no alto do seu poder para me demitir, voltou atrás com a ressalva de que eu, naquele campus (e só naquele em que ele era chefe), não poria mais meus pés, finalizando sua fala com um tiro certeiro: quem ela pensa que é?

Uma qualquer coisa que sorri quando chega na sala dos professores e, contrariando o mundo amargo do trabalho, diz bom dia. Uma qualquer coisa que sente prazer e, contrariando a ordem natural do trabalho, se diverte mais que alunos desesperados em busca de um diploma e aumento nos seus salários de operadores de telemarketing, onde seguirão carreira, algo bem comum em se tratando de universidade particular. Uma qualquer coisa viva que exige da vida a vida traçada pelas próprias mãos.

Só muito tempo depois eu entendi que aquela frase poderia me ter sido um tapa na cara:
- Professora, além de dar aulas, a senhora também trabalha?

E porque eu sempre fiz arte da docência e da docência, arte, o tom da censura, que me dou conta apenas agora, chega ao apelo da surdina: “arte? Ora pois, minha querida, o trabalho gera é sofrimento. Entende? E na roleta-russa da nova ordem capital das coisas, todo sofrimento gera um mercado. De empregos, de diplomas, de eu finjo que ensino enquanto você finge que aprende”.

A censura que no passado não vi, hoje me desvela uma verdade que me incomoda há muito tempo. Que a diversão não é dada ao trabalho. Alguém, um dia, profetizou esta combinação de impossível, e a regra se fez: trabalho é trabalho, lazer é lazer. E no fio que aí se tece, não pode a professora rir mais que o aluno, ou ela ter mais prazer que diretor, porque ambiente de trabalho é ambiente árduo, com tarefas pesadas e desgostosas, onde a alegria não põe banca. Tem só um tal de bater o ponto, seguir ordens, dar ordens, cumprir metas e um filetinho de cartilagem para facilitar a respiração apenas por um segundo, e dentro do banheiro, quando não tem ninguém olhando.

Na fila dos desempregados, qualquer primeiro emprego serve. Isso me parece bizarro, não parece para você? E chora-se de alívio por uma vaga de ascensorista, de gari ou qualquer coisa destinada à sobrevida. Parece mesmo é que a sociedade está mal organizada porque bem diz um amigo meu, que está prestando prova para ser diplomata (e será), este tipo de trabalho deveria ser feito por esta gente que anda por estes presídios, e de justa causa. Ele continua: “matou? Vai limpar bosta nos esgotos, durante a madrugada, e levar descarga na cara”. Taí, a idéia é boa e eu to assinando embaixo.

Mas no fim das contas, a coisa me vem na veia:
- Você sorri demais, quem é que vai levar você a sério?

E quando a frase vem do amigo mais amigo que a gente tem, é de bom tom parar um pouco pra pensar. No susto, a constatação de que uma vida alegre não é séria. Respeito? Meu amigo tem dúvidas, os alunos questionam e os homens me avaliam pela minha juventude com uma navalha na minha carne quando me dizem “eu não tenho mais trinta anos” (e logo em seguida saem desfilando mulheres ainda mais jovens e mais menininhas – acho que é pra juntar com o menininho que muitos deles são). E se no mundo do trabalho não se pode mais sorrir, no mundo do amor a diversão pode ser sinal de falta de compromisso. “Por isso os homens não te levam à serio, minha querida!” Mas que explicação mais chinfrim esta, viu.

Foi só muitos meses depois eu me dei conta de que aquela frase poderia me ter sido um tapa na cara:
- Você se diverte com isso, não é?

Isso era eu e ele. Eu tinha achado mesmo muito bizarro a tietagem das outras mulheres. Então fiz o fato virar crônica, virar humor, virar vida. Achei graça dele. Sorri. Eu queria dizer que eu ria do prazer da vida, da alegria daquele dia, da sensação boa da amizade que entre nós ameaçava existir, da felicidade que me levou até ele. Eu queria dizer que eu rio à beça quando faço sexo e que quando eu tenho um orgasmo eu rio por dentro. E que isso poderia ter sido eu e ele.

Eu ainda queria dizer que eu rio de novo só de lembrar. Que eu me divirto. Que eu sou assim, um riso sincero, verdadeiro e pau-pra-toda-obra. Que sou muito mal-humorada quando não estou rindo, que minha cara fica feia e parece um buldogue abandonado. E por parecer um buldogue abandonado eu rio da minha cara e do meu mal-humor. E que eu me divirto da minha incoerência, das minhas dúvidas, do meu desejo. Que eu rio porque eu levo a vida muito a sério e não há melhor maneira de amar, nem de trabalhar, que não seja rindo.

Desse jeito, quando eu voltasse pra nossa casa depois de um dia, eu não precisaria soltar aquela: em casa não se discute trabalho.
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Então tá. A partir desta data, anote, eu não serei mais professora. Desde já, quando alguém for me apresentar por aí, diga que sou palestrante. E escritora. Diga que eu, ex-professora universitária, ainda estarei lutando pelo Ensino Superior, ainda estarei acreditando que é com EDUCAÇÃO que se constrói um país de letrados, e que esta luta pelo analfabetismo funcional não é solução adequada. Precisamos de uma cultura de letramento. Precisamos que a grande massa populacional tenha gosto pela leitura, e saia de casa para comprar um bom jornal de notícias não tão massificante como a Folha, nem como o Estadão. Precisamos de uma cultura de letramento alternativa. Caros Amigos, Revista Piauí, Revista OCAS e tantas outras publicações inteligentes e não vendidas ao sistema que existem por aí e lutam para sobreviverem. É por isso que, a partir de hoje, eu não sou mais professora universitária. Eu sou palestrante, e escritora. Palestrante não por ideologismo, mas por necessidade. É que palestrante profissional recebe muito mais do que professor que se atreve a fazer palestra. E eu quero ter algumas regalias consumistas. Eu quero poder ter uma casa num bairro bacana, ter dinheiro para colocar meus filhos na melhor escola que eu acreditar existir e fazer depilação definitiva. E ser escritora não vai me dar isso. Vai me dar palestras. É que num pais de não letrados, escrever um livro é status. E mesmo que poucos se darão o trabalho de ler linhas que demoraram 1 ou dois anos para serem escritas, as tiragens de 500, 1000 ou 2000 exemplares me renderão palavras para serem ditas nos eventos de cá e acolá. Por isso que eu digo, a partir desta data, palestrante. E escritora. Artista plástica nas horas vagas.
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Nas listas de discussão do CEV (Centro Esportivo Virutal) o tema publicar ou perecer sempre volta à tona, principalmente em época de credenciamento e descredenciamento de professor doutor, aqueles que estão na universidade pública e que são obrigados a manterem seus currículos lattes atualizados. E muitos o fazem, muitas vezes, às custas de seus alunos, os orientandos de mestrado e doutorado (algumas vezes sobra para os de iniciação científica).

E sempre aparece um alguém para comparar o país de cá com o país de lá. Aqui é assim, lá é de outro jeito e coisa e tal. Nesta última leva eu resolvi argumentar. É que eu estou cansada de ver um bando de professor doutor metendo o pau no sistema. Que o sistema é isso ou é aquilo outro, e vai-e-vem eu fico no meu cantinho pensando se não dá pra trocar o disco, se não daria para se fazer uma ação mais efetiva além destas destinadas à reclamação.

Eu, formada em esportes, entendo de regras. Entendo que o mundo não pode viver de um relativismo tosco de que tudo é permitido, e que depende só disso ou só daquilo. Então eu voto pela ética, pelos costusmes e pela moral. E voto pelo fim do relativismo. Mas sou a favor, notem bem, de ações eficazes que tenham propostas de mudanças efetivas porque eu também cansei do idealismo. Este é quase sempre pouco palpável devido a sua incretude.

Ações, inclusive àquelas das bolsas de valores, é o que me interessam. Eu também não concordo com parte dos critérios acadêmicos definidos pela Capes na sua classificação Qualis isso, Qualis aquilo outro. Mas eu sou capaz de ver o quê de mudanças as novas normas trouxeram aos professores doutores desavisados, aqueles que nos últimos 10 anos se viram obrigados a tirarem suas bundas da cadeira e a fazerem pesquisas para publicarem resultados novos. O que eu acho, no fim das contas, uma coisa mais do que justa: professor doutor pesquisador fazendo pesquisa, finalmente. É, a rapadura é doce, mas não é mole não, jacaré. O que teve de professor doutor rebolando pra se reenquadrar profissionalmente não foi brincadeira. Sorte das universidades públicas, que a cada ano se superam em pesquisas, ganharam laboratórios, ganharam isso e aquilo outro.

Quer sejam as pesquisas boas ou ruins, os artigos sejam festivais de citações ou recorta e cola. Quer seja isso e mais sei lá o quê que fere a qualidade da informação, eu vejo como algo muito positivo professores doutores tendo que arregaçar as mangas e fazer um qualquer algo. E digo mais, num país de não letrados como o nosso, também vejo como muito positivo este controle rígido da Capes em prol do aumento de produções acadêmicas. É que obriga muita gente que nunca esteve nem aí a estarem muito aí, e isso não tem preço. E mesmo que as pesquisas seja um fiasco, ou uma fraude, ler e escrever voltam a ocupar um papel interessante no sistema educacional. Que seja parte do Ensino Superior, então.

Infelizmente tem o lado negro da coisa. Estes mesmos professores doutores, no alto das concepções acadêmicas promovidas por titulações hierárquicas, já arrumaram atalhos. Publicam um mesmo artigo não sei quantas vezes, mas com título diferente. Publicam pesquisas em partes de I, II e III para ganharem na multiplicação das falácias, estas mesmas que até fazem corrente de autoria. Explico. Um pesquisador do grupo de estudos escreve um artigo, os outros 10 assinam, e no fim, haja espaço no currículo lattes desse povo todo com uma produção assim, tão exemplar quando todos os 11 pesquisadores terminarem seus textos e coisa e tal. E haja talento a ser reconhecido destes pesquisadores que em um mês conseguem publicar 10 artigos com assuntos correlatos mas absurdamente diferentes. É, porque há mesmo muita genialidade em fingir que se escreve, que se produz, que isso e que aquilo, quando a Capes finge que aceita, ou as FAPs, ou o CNPq ou qualquer órgão que o valha.

O bom é que todo sistema está aí para ser melhorado. Daí a minha birra: não gosta de como está, vai lá e muda. Só não me venha lotar minha caixa postal se achando o professor doutor rei da cocada preta, que o seu descredenciamento do programa é porque a Capes não te entende por trazer consigo critérios tão injustos. Ô coitado! Um bom analista lhe cairia bem, fique com este conselho que lhe dou de graça. Publicar ou perecer? Publicar o que for publicável e perecer quando se quiser.
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Tem coisas que me cansam. Em se tratando da universidade, algumas me cansam mais ainda. Então umas pessoas resolveram pautar que doutor é quem tem doutorado. E apenas quem tem doutorado. E o doutor como sinal de respeito, já era? O doutor advogado, o doutor psicólogo, o doutor patrão, o doutor vereador (tem aquele que o valha), o doutor prefeito (tem aquele que o valha), o doutor padeiro e o doutor motorista de carro diante de alguém pedindo esmola, ajuda ou coisa que o valha? Este doutor aí já morreu só porque, para alguns que não teêm mais o que pensar em termos sociais (como se o país não precisasse de boas idéias para problemas mais emergenciais, como o básico saneamento básico), doutor é quem tem doutorado? Não morreu não, e nem vai porque se trata de um doutor de respeito.

Então eu fico meio puta, ou escandalizada, quando eu vejo pesquisadores doutores, cujo título lhe veio por mérito acadêmico - o que impõe um certo respeito, concordo - brigando por causa pouco nobre ao gritarem pelos quatro cantos do mundo que doutor é quem tem doutorado (acadêmico, insitucional, escravizador) como se isso fosse a briga mais importante do mundo, que vai mudar os padrões sociais e coisa e tal. Só que no paradoxo da coisa, doutor que é doutor assim não merece lá tanto respeito porque isso parece revelar apenas uma vaidade e uma insegurança de mercado. Em último caso eu considero que, talvez, possa ser uma luta para que a sociedade respeite a educação, e coisa e tal, mas isso seria muito ingênuo de minha parte, deixando tudo uma coisa meio tosca mesmo, fadada ao "eu é que sou mais e coisa e tal".

Neste foda-se você sem título, sem estar digno de sapiência sobre qualquer tema, esta briga de classes me parece mais uma heresia. Então eu quero deixar bem claro: cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é. Com ou sem título. E nem preciso lembrar aqui os ínumeros títulos de doutor comprados, a falta de responsabilidade e critérios acadêmicos pouco adequados e coisa e tal, né? É, acho que não preciso.
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E a semana veio tinindo. Por msn: “Professora, hoje é a nossa colação, a senhora vai, né?” Não, não é. Quer dizer, seria, se eu tivesse sido convidada. Mas não fui. Não foi? É, não fui. E agora é meio tarde pra chorar o leite derramado. Mas professora...

E o meio da semana veio tinindo. Outro msn, outro aluno, outra turma. “Professora, hoje é a nossa colação, a senhora vai, né?” Não, não é. Quer dizer, seria. Já disse isso, não disse? É que na cópia da vida, não fui convidada. Não foi? É, não fui. E agora é meio tarde, você sabe, o leite.

E o fim de semana veio tinindo num repeteco que mais pareceu ser uma piada. Mais um msn. “Professora, posso te fazer uma pergunta, a senhora não foi convidada para nossa formatura?” Não, não fui. Lembra do leite? Pois é, é, pois é. “Culpa minha professora... eu deveria...”

Não, não se culpe. É assim, de vai-vem que a coisa desatina.

E eu não saberia administrar três bailes no mesmo dia, mais o aniversário da minha prima. Coisas da vida. É, coisas da vida.

De qualquer forma é bom saber que a gente não passou a largo na vida de alguns alunos. E, considerando que eu não dou aulas nestas instituições tem mais de ano, a semana foi boa. Gostei.

Alunos queridos e amados, a gente se vê nas becas que o mundo dá.
Parabéns a vocês pela conquista, pelo título e pela maturidade.
E um beijo especial.
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Quem foi? Quem foi o professor louco que inventou isso de que na semana acadêmica professor convidado não precisa receber, que é cortesia? Que ir à uma banca de tcc na universidade vizinha é só ajuda de custo? Que ir à uma qualificação de mestrado, ou de doutorado é apenas um troca-troca feito pra reitor ver? Então nem se paga. Ah, mas vale pro seu currículo lattes. E eu este tempo todo tentando entender pra que serve esta droga de curriculo que registra até o pum que eu dou. Registra o pum, mas não o contabiliza. Deveria existir um sistema de segurança, isso sim.

E para os desavisados, eu já aviso: recursos do cnpq apenas para os que já são doutores. Mestre não tem apoio para publicação, coitados. Não tem passagem aérea para congresso internacional. Talvez se ele estiver num bom programa de doutorado, daí são outras vias. Mas não vem ao caso. Quero mesmo é saber quem foi o imbecil que, numa sociedade capitalista, inventou que para um monte de tarefa acadêmica se vai de graça? Quem foi que disse que professor é voluntário? Que professor universitário não põe comida na mesa? Ou que não gosta de trepar num motel de primeira? Mas o motel de primeira tem a hora bem mais cara que a hora do professor universitário restando-lhe um motel só de cama mesmo, o que já está muito bom.

Ó, supimpa. Dos deuses! É, porque pra trepar em cama de luxo, só sendo Monica Veloso, né? É. Ou ter acesso à cartão de crédito ilimitado do governo, né? É. Mas professor não tem. Professor universitário tem 100 alunos por turma, metade não sabe ler. Professor universitário tem coordenador de disciplina, coordenador de curso por unidade (e são tantos prédios espalhados por ai), coordenador geral de curso, coordenador de área, coordenador geral de área, vice-reitor, reitor e os amigos de todos eles. Ah, sim, tem o professor. É, tem o professor universitário. E o que ele tem mesmo? Tem garganta de ferro. Tem paciência de jó. Tem fôlego de babá. Tem cartilha de mobral pra ensinar o be-a-bá. Tem a bomba de ter o primeiro semestre estudando na mesma sala do segundo semestre, né?

É. Professor é papagaio. Ah, é. Professor é papagaio, repete pro segundo semestre aquilo que já disse pro primeiro. Repete pro segundo aquilo que já disse pro primeiro. Mas isso não vem ao caso, né? É. Eu quero mesmo é saber quem foi que disse que dar palestras é serviço voluntário? Que qualquer dinheiro basta. Que tudo isso aí é amizade? Amigo da onça. Ora pois. Amigo que é amigo de verdade põe dinheiro no bolso um do outro e não tira. E olha que nesse caso o dinheiro nem é do amigo em questão. É da grande instituição educacional, que ocasionalmente é filantropica e que, enfim, faz o dono morar em mansão de luxo e pagar motel 5 estrela para as amantes. Blá Blá Blá. Que coisa mais tosca é este troca-troca docente.

Então vamos combinar desde já. Se você me quer na banca de um aluno seu, me paga. Eu faço o mesmo por você, ok? É, estamos ditos. Palestras, consultorias, etc e tal. Tudo tem um preço. E se pagam por isso, eu tenho mesmo é que receber, certo? É. Certo. Certíssimo.
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Acho que esta é a primeira vez que eu apoio a igreja. Igreja enquanto instituição. Que ela anda falindo mundo afora eu não tenho dúvidas, então, o que se fazer com isso? Quero dizer, com o espaço ocioso destes templos destinados à oração? Boekhandel Selexyz Dominicanen em Maastricht, Holanda, montou uma livraria. Que legal isso de transformar uma igreja em livraria. E não se trata de uma livraria para temas religiosos, de maneira alguma. Livraria tipo Cultura, Fnac, Saraiva e outras. Destas megas, que você pode sentar e ler o livro, e tomar um cafezinho. Um centro de entretenimento intelectual. Isso. Brilhante. Fazer das igrejas centro de entretenimento intelectual. E dos cinemas pornôs. Não seria preciso deixar de passar filme, só encher o espaço ocioso de livros. É que no cinema pornô, menos de 1/3 das cadeiras são ocupadas por visitação. Sobra muito espaço. Bom para livros. E sobram espaços em vários lugares: no estacionamento do supermercado, nos parques, canteiros, cemitérios. É, nos cemitérios, porque até os coveiros têm direito a leitura. E todo o resto, e tudo e todos em todos os lugares, fazer deste país um lugar mais crítico, mais lido, mais pensado e menos enganador. É, falta-nos leitura. E para isso, nada mais justo trocar deus por um bom livro. Tá, vou aliviar, e refazer: nada mais justo tocar deus com um bom livro (para os que ainda acreditam). Minha amiga Solange acha que isso só não vai funcionar se os padres resolverem tirar phd. Daí danou-se.





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Amiga Solange responde:

Sim. Seria sensacional transformar os templos religiosos em livrarias. Transformar Deus em livro. Ir à igreja "rezar" com os clássicos, com os contemporâneos, com a vanguarda.

Ir ao altar reverenciar Platão, Aristóteles, Cervantes, Machado de Assis, Rubem Alves... Trocar estatuetas de santos milagreiros por obras escritas de fato milagrosas. Trocar a hóstia pelos contos das mil e uma noites. Fazer do confessionário um laboratório de escrita. Trocar cada bolinha do terço pela leitura de um livro inteiro. Redimir os pecados lendo Italo Calvino. Ouvir os sermões de Nietzche, Sartre, Bourdieu... Ajoelhar aos pés de Fernando Pessoa para inspirar o valor do amor. Sim. Seria sensacional transformar os templos religiosos em livrarias. Bibliotecas. Salas de aula.

Mas quando padre começasse a virar mestre, bispo doutor e o papa PHD, as igrejas seriam como as escolas hoje são. Então, danou-se!
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A Educação Vai-Vai de mal a pior. Mainha, tome um patuá porque a coisa tá preta. E branca também, lá na avenida do Anhembi. E as manchetes dos jornais anunciam: Vai-Vai leva o tema educação para o sambódromo, e vence o desfile. Vai-vai explorar falta de leitura alheia lá na China, por favor. Ou que os comentaristas, jurados, críticos e jornalistas usem palavras mais adequadas, porque, convenhamos, o enredo da Vai-Vai foi o projeto de Sílvio Bacarelli, que tem um projeto de educação musical na favela de Heliópolis. Projeto bem bacana por sinal. Daí sim, eu concordo, Vai-Vai fez um desfile impecável, com suas alegorias musicais. Agora dizer que a escola explorou o tema Educação na avenida, pra mim já é demais. Eu estava lá e não vi alegorias com livros. Por certo que o incentivo à leitura não faz parte da educação. Apenas uma ala de universitários com seus canudos nas mãos. Uma alusão à sociedade de diplomas. E nós, professores que trabalhamos nas instituições particulares espalhadas país afora bem sabemos que o cara consegue ficar quatro anos dentro de uma sala de aula sem ler um livro. Vai-vai ver foi por isso que ele não foi pra avenida. No lugar deles, partituras. Tá bom, é legal esse negócio de usar a música para educar. Só não me venham fazer engolir que o enredo da escola foi um “acorda educação”, porque não foi. Não levantou os problemas reais do setor. Apenas fez aquele comum aos governantes despreocupados. Não se preocupou em jogar na cara do povo a aprovação automática e o analfabetismo funcional dela decorrente. Não falou da má formação dos professores de Ensino Fundamental, principalmente nas áreas rurais. Não falou dos baixos salários dos professores e que sobram vagas no Ensino Superior para quem quiser fazer licenciatura, e que há campanhas para isso, já que os jovens universitários fazem de um tudo, menos licenciatura. Não falou da falta das bibliotecas, dos laboratórios de ciência e de informática em grande parte das escolas da rede pública, nem que um a cada cinco jovens do ensino fundamental abandona o curso. Nem disse qualquer coisa sobre os míseros 25% dos jovens em idade universitária que freqüentam um curso superior, ou melhor, qualquer curso superior. E os outros 75%? Sabe-se Deus. Isso e uma lista infindável de abordagens mais significativas de uma educação que vai-vai mesmo de mal a pior. E vai-vai assim porque todo mundo achou que o que foi pra avenida já foi suficiente em termos de crítica à educação. E o apelo funcionou, pelo menos para a escola de samba, porque as outras escolas vão-vão continuar de mal a pior.
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Nesta semana os professores estão de volta às universidades. Oa alunos ainda não. Alunos só para depois do carnaval. Antes, as famosas reuniões pedagógicas, ou como diz minha prima, pedragógicas. Na pauta temas importantíssimos: "o que nós vamos fazer com alunos que atendem celular em sala de aula?" Uma voz ao fundo responde na certeza de seu cargo de coordenação: "registraremos falta para o aluno". Que bonito isso. Ele fala alô e o sistema gera uma falta. Entende-se por sistema o mané do professor que vai parar sua aula para registrar a tal da falta. E se for só mensagem de texto? Meia-falta? Celular no vibracall também conta? Ó meu santinho, perdoe os coordenadores, eles não sabem o que dizem.

E se o aluno atender o celular duas vezes? Vai ficar devendo um curso todo no fim do semestre? Cinco vezes é imperdoável. E para tal repetição: jubilo. Hein? Arregala a coordenação, não podemos perder nossos alunos. Ou melhor, o dinheiro deles, porque aluno é tudo igual e tanto faz. Ok. Ok. Para saldar o problema, os professores - trinta minutos depois - suplicaram em coro: não dá só para colocar um cartazinho dizendo que é proibido uso de celular nas salas de aula?

Mas o estresse chega mesmo com a anarquia da distribuição das aulas durante a semana. E é unânime: aulas na segunda de manhã e sexta à noite é a morte. Ideal para professor é entrar na sala de aula na terça à noite e parar na quinta de manhã. Duas férias por ano. É, assim tá bom. Outra condição que não esta é coisa para novatos, ou para subordinados. Eu posso, então dane-se você. Ulalá! Desta feita, a tortura de início de ano já vem dar na cara logo no primeiro dia daqueles que dividem disciplinas. Porque eu já fiz minha agenda e pronto. Mas e eu? Ora, dane-se você. E por aí vai. Vai é dar nos nervos. Por que você não me consultou? Porque eu sou o coordenador e eu decido. Voilá, perdoe os coordenadores, eles não sabem o que dizem.
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Tese de doutorado: A História

Ele veio sem muita conversa, sem muito esperar
Eu só sei que falava de bolsa e artigos a publicar
Sei que ela tinha perfume no rosto e no peito um brilhante
Trazia seu corpo num vestido branco, meio estonteante

Ele veio assim, como o relatório, apressado em acabar
E com tudo por entender a bolsa continuou a rolar
Ela esperando, na sala, sentada em cima de um banco
Com seu belo vestido novo cada dia mais branco

Como vão seu pai e sua mãe, perguntou o pobre galante
E a orientanda sorriu por dentro, ainda que distante
Mas ela não tinha saco praquilo tudo, preferia um café
E ele ainda achava que dava aulas num cabaré

Já o protocolo não tardou alertar toda a vizinhança
A mostrar que ali estava um nobre doutor pagando fiança
Depois que ele, não sei bem se por nota ou se por conceito
Resolveu chamá-la de “aluna bonita” sem muito respeito

Então a história deste doutorado ela carrega nos braços
Embalando virtudes, não assina quaisquer tratados
E colegas de estudo, famintos por lattes e suas amantes
A conhecem só pelo seu jeito de aluna de diamantes

Laiá Laiá
Laiá Laiá

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Produzido em 4 mãos:
- Fernanda = duas
- Soll = duas
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Depois de alguns anos, este é o primeiro que chego na semana de natal sem estar estressada, sem estar angustiada, sem saber se no futuro eu ainda estaria empregada ou não. Eu pedi demissão então não me preocupo se estou ou não empregada, não espero aquele telegrama de fim de ano dizendo "favor acertar suas contas no RH". Mas meus amigos não escapam. E hoje, quase véspera de natal, o e-mail chegou sem aviso prévio. "Fernandinha, fui demitido!". Para quem acompanhou os quatro anos de politicagem e de pressão por qual o meu chefe e coordenador do curso passou, sabia que os dias estavam contados. E não falo de competência não. É política mesmo. Infelizmente.
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Como não estou no Congresso da Faculdade, hoje eu me torno oficialmente uma aluna de doutorado rebelde.

Estou contrariando o e-mail do orientador
(“todo aluno deve enviar trabalho ao congresso da faculdade”),

as normas da coordenação
(“todo aluno com bolsa deve obrigatoriamente participar dos eventos promovidos pela faculdade”)

e as expectativas do ex-amante
(com tanta ausência, só a mulher dele pode respirar em paz).
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Diz a história que a República andava muito relapsa com os seus deveres. Então a professora Dona Sociedade, indignada, colocou ela de castigo, pediu para que escrevesse no caderno (PAC?) por 508 vezes (referência à sua idade) a seguinte frase:

Uma Educação de Qualidade é dever do Estado.
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Sob pena de “multa”, todos os alunos de pós-graduação deverão responder um questionário de Avaliação Interna. Gugu-Dadá.

Sob pena de “multa”, todos os alunos deverão enviar um resumo para o Congresso da Faculdade. Gugu-Dadá.

Sob pena de “multa”, todos os alunos deverão participar de todos os eventos organizados pela pós-graduação. Gugu-Dadá.

Cansei, cansei, cansei. Existe um eu nesta coisa toda "me dá chupeta que eu quero mamar"?.
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Rá! Eu quero rir. Ainda me lembro da frase que ouvi de um professor no dia da entrevista de doutorado:

- Fernanda, você me trouxe um grade problema.

E o problema deveria ser grande mesmo, já que para contorná-lo o cara, ingenuamente (?), optou por excluir a banca do processo, restando um bate-pronto entre eu e ele, apenas. Nada muito inteligente, nada muito ético. Eu já cheguei lá sabendo das coisas, mesmo assim o golpe da ilegitimidade, o golpe do “por baixo dos panos”, o golpe tipo “eu adianto uma semana sua entrevista, não componho uma banca para você (que jeito bom de manter o poder) e não preciso me justificar com meus pares” é um golpe duro de engolir. Já tem quase três anos isso e eu ainda não engoli. Acho que só estou dando tempo ao tempo.

Boa. Quanto tempo dura uma entrevista de doutorado? Rá. Temporário demais. E neste vai-vem, as frases continuam fazendo eco entre meus neurônios.

- Você não conhece o projeto da fulana. Ela tem muito mais a ver comigo do que você.
(Aí ele desconsiderou os anos que trabalhei no projeto dele na faculdade, claro!). E eu achei suspeito, afinal, a fulana estuda Borboletas Azuis (projeto de outra professora) e o cara Crateras de Vulcões (meu projeto). Rá, rá! O que eu poderia dizer naquele dia em relação a isso? Nada! Eu, de fato, não conhecia o projeto da fulana.

Mas, salve o big brother do currículo lattes. Tema do projeto dela: Borboletas Azuis. Salve o tempo temporário demais e do qual eu sou amiga. No meio da semana uma amiga me perguntou: eles têm um caso? (Uma dúvida pertinente para uma história assim, meio sem pé nem cabeça).

Só por comparação resolvi pesquisar o currículo do professor que estuda as tais das Crateras de Vulcões e o currículo da aluna que estuda as tais das Borboletas Azuis. Só de curiosidade mesmo, para ver aumento de currículo, dedicação à pesquisa, desenvolvimento docente, saber o tamanho do meu engano. De repente ela teria mesmo mais a ver com ele do que eu.

Produção dela: Borboletas Azuis, Borboletas Azuis, Borboletas Azuis.
Produção dele: Cratera de Vulcões, Cratera de Vulcões, Cratera de Vulcões.

Rá, eles não tem mesmo grande coisa a ver um com o outro, do mesmo jeito que eu não tenho a ver com o meu atual orientador de doutorado. Rá. O preço que se paga pelas negociatas escusas e obscuras que envolvem o processo de vagas e de pertencimento ao mestrado e ao doutorado.

E você, que preço quer pagar?
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Enquanto eu vejo alguns colegas achando injusto a nota do programa de pós-graduação no qual estou inserida cair de 5 para 4 (num máximo de 7), eu vou somando negativamente os fatos. Acho que a minha conta até bate com a conta da Capes, do CNPq, do MEC, do Guia do Estudante e do que mais for contabilizador, medidor, avaliador, classificador, istaurador de um parâmetro comparativo com o que for. É preciso comparar sim, saber dos nossos pares e das relações políticas aí envolvidas. É preciso contextualizar, saber onde estamos inseridos e para onde pretendemos ir. E é preciso tudo isso porque é preciso fazer parte. É preciso pertencer e eu quero existir academicamente. Fazer sentido. Fazer diferença.

Tem 11 anos que eu estudo na mesma instituição. Graduação, Mestrado e, agora, Doutorado. Só que eu não estudei apenas nesta instituição. Perambulei por outras, em diversas áreas, cursos, institutos, faculdades. Fome de conhecimento. Necessidade de ir além, de contextualizar. Experimentar e poder comparar. Enriquecer os pensamentos com pensamentos contrários, distantes, próximos, diferentes, a contra-gosto. Compreender que viver academicamente num lugar só não é suficiente, é arreio de burro. Compreender que tudo aquilo que gira em torno do próprio eixo amargura a impossibilidade de se parir outra coisa, qualquer coisa que faça ir por onde não se foi. Compreender, enfim, o que fez a nota cair de 5 para 4, inclusive.

Cai a nota e lá vem aquele que está em cima cobrar quem está embaixo, fugindo das cagadas administradas. Foram anos sacrificando os mais fracos: corte de bolsa, compensações idiotas do tipo "ou você publica ou você está fora do programa" e por ai vai, a corda sempre explode em quem é menos. Explodiu comigo no mestrado. Para darem uma "guinada" no programa, fizeram uma limpa e todo mundo perdeu a bolsa quando virou o ano. Perdemos a bolsa mas o programa se enquadrou e teve sua nota aumentada de 4 para 5. Brilhante! Mas foda-se quem está embaixo. É quem está embaixo que se vê obrigado a escrever artigos de nível internacional para salvar a pele de quem está em cima. É quem está embaixo que, no Programa de Estágio Docente, dá a aula de quem está em cima. O de cima (orientador) manda e o de baixo (orientando) obedece numa negociata sem fim. É! Quem está embaixo tem mesmo é que dar pra quem está em cima. Por isso faz tanto sucesso uma rede endogâmica no Ensino Superior.

Agora a corda explodiu. A nota caiu de 5 para 4. E eu fico cá pensando com meus botões na obviedade da coisa. Quem está embaixo cansou de se foder, será? Ou foi mesmo esta política infantilizada do tipo gugu-dadá que ferrou de vez a coisa? Quer dizer, até quanto tempo os caras lá de cima acharam que a coisa "olha, eu sou o dono da bola" e eu tiro o doce da criança quando eu quiser iria funcionar num sistema um pouco mais amadurecido? E, convenhamos, a Pedagogia da Opressão já foi contestada tem tempos. Não cola mais. Quem está embaixo cresceu. Alôooo! Num sistema falido, onde o valor negociado é apenas um diploma, o exemplo daquele que está em cima é seguido à risca. Afinal, se o de cima não faz, porque é que eu, que estou embaixo, haveria de fazer? Então, aquele que está embaixo (e que só quer mesmo o diploma) liga o foda-se, descobriu que não é muito bom para este tanto de contabilidade ter, num programa de pós-graduação, alunos que se vão antes de terminar a dissertação ou tese. A nota cai. Rá! Viva a corda-bamba. E não é que o de baixo acaba tendo mais poder do que o de cima?

Eu sinceramente não me assusto com a contabilidade suicida do sistema acadêmico. Poderia enumerar uma série de situações sem sentido, e algumas delas não éticas, que fui submetida à contra-regra. E quando a coisa vai à contra-regra o bicho pega mesmo. Na veia da ética, da moral, da credibilidade etc e tal. É quando a coisa vira estupro e aquele que está embaixo acaba dando mesmo sem querer. Com o tempo se acostuma e se prostitui. Ou se prostitui mesmo sem se acostumar. O preço que se paga. E de cima pra baixo a nota cai. É o be-a-bá da coisa.
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Recebi um e-mail com a pergunta: QUAL O SEU CONSELHO PARA SE DAR BEM NA ENTREVISTA? Entevista aqui, refere-se à etapa final da candidatura para o mestrado e/ou doutorado.

De imediato, a minha tendência é responder em letras bem garrafais: É SÓ DIZER AQUILO QUE A BANCA, PRINCIPALMENTE O ORIENTADOR EM POTENCIAL, QUER OUVIR. E mantenho. A coisa vai mesmo por aí. Resta então saber o que é que a banca quer que você responda. Uma matemática bem simples, por sinal.

Vamos as conjecturas: o que, afinal, uma banca espera de um aluno de mestrado e doutorado?

1. Publicação. E com o nome do orientador a tira-colo, mesmo que ele não tenha participado do "paper" (artigo em revista especializada e indexada pelo Qualis-CNPq como "A Internacional", de preferência), do livro, do capítulo de livro etc e tal. Afinal, crê-se que o mundo acadêmico seja medido pelo número destas coisas que o programa têm (isso inclui produção acadêmica tanto de professores quanto de alunos). Muito mais o número do que a qualidade, embora já existam movimentos indo na direção inversa e que eu, particularmente, acho muito mais interessante. De qualquer forma, para a entrevista, como não você não dá murro em ponta de faca (eu, pelo menos, não recomendo), e independente de suas próprias crenças, é óbvio que você terá que ser categórico e deixar bastante claro que HAVERÁ DEDICAÇÃO EXCLUSIVA de sua parte ao programa. Entende-se por dedicação exclusiva aquele 100% de sua vida destinado ao programa. Se você trabalha, é como se você pudesse dizer que o seu sonho é a pós-graduação e que você não vê a hora de se livrar do emprego que tem para virar a mesa, escrever textos, pesquisar e produzir integralmente.

2. Subordinação Ideológica. Também é comum haverem questionamentos ideológicos, em termos de conhecimentos específicos e cientificos relacionados ao tema do seu projeto. É claro que seu projeto de Borboletas Azuis deve ser enviado à um professor que estuda Borboletas Azuis e não àquele professor que você acha que teria mais chances de debater Borboletas Azuis com você, mas que tem como alvo Cratera de Vulcões. Tentar convencer a banca de que Borboletas Azuis e Cratera de Vulcões são diferentes, mas têm mesma base cientifica é correr um risco desnecessário. Afinal, é o seu projeto que deve se adequar ao estudo do professor e não o contrário. E embora você ache que o encontro entre Borboletas Azuis e Crateras de Vulcões seja o melhor encontro do século em termos de ciência, revolucionário, inclusive, você pode sutilmente se esbarrar na insegurança do professor orientador. É que estes, na maioria das vezes, optam por fazerem o bom e velho feijão com arroz e, caso você não tenha encontrado o professor fora da regra (e onde vale o risco), vai esta dica que dou de graça: se o professor questionar sua lealdade acadêmica em relação à linha de pesquisa dele, certamente ele não estará querendo questionar o quanto revolucionário você é, mas o quanto de problema você vai levar para ele. É aí que um bom projeto (adequado ao que o cara pensa, inclusive inédito já que uma coisa não tem a ver com outra) com o mínimo de problemas é a melhor pedida para a futura relação orientador-orientando. Veja bem, não é porque você quer mudar o mundo que aquele cara, o único que pode ter um tema a ver com o seu, vai querer mudar o mundo também. Por isso que eu digo: é muito importante saber quem é o possível orientador, o que ele pensa sobre o mundo acadêmico e qual é a posição dele frente ao tema que você está querendo abordar no seu projeto. Neste sentido, é fácil deduzir que um candidato que, no ano anterior, teve conversas de cantina habituais com o possível orientador está bem mais à frente do que aquele que está encontrando o cara pela primeira vez no dia da entrevista.

3. Confiança e Autonomia. É de bom tom você deixar claro que você é o candidato ideal para aquela vaga, e nos moldes exatos que eles estão oferecendo. Se o sistema funciona desde sempre do mesmo jeito não é você quem vai declarar, no dia da entrevista, sua inadequação a ele ou à periferia que o envolve. Isso é suicídio e só vale caso o professor orientador também seja um suicida em potencial, o que eu duvido. E como nem você e nem o professor em potencial são declaradamente suicidas, faz o maior sentindo você se mostrar confiável, que não vai deixá-lo na mão em nenhum momento do curso. Isso inclui sua capacidade de autonomia na resolução de problemas, caso o professor orientador tenha que se ausentar durante um tempo. Independente de qualquer coisa é importante deixar claro (caso você seja questionado) que você vai entregar as coisas no prazo estabelecido no cronograma do seu projeto, e se possível antes (e você espera que seja antes, que o prazo que você colocou já conta com estes possíveis imprevistos etc e tal). Geralmente a questão tempo é levantada nas entrevistas. A banca vai bater nesta tecla porque há uma pressão institucional em relação a isso. O programa de pós-graduação ganha mais recursos financeiros quanto menos tempo ele gastar com cada aluno inscrito.

4. Argumentação. Seu projeto será questionado no dia da entrevista. É preciso que você saiba dominá-lo integralmente, juntamente com assuntos paralelos ou antagônicos. Quer dizer, se você quer fazer mestrado e doutorado, obviamente você perderá pontos caso não saiba contextualizar seu projeto de acordo com diversas linhas de pesquisa, posicionando-o contra ou a favor etc e tal. O detalhe, aqui, é que os seus argumentos devem bater com os argumentos da banca. Repito, querer mudar o mundo logo no dia da entrevista não é uma boa idéia. E neste ponto é de bom tom reler as dicas acima porque fatalmente uma coisa tem a ver com outra.

A última observação que faço, em termos de entrevista, é básica: diga o essencial. Ou seja, responda consistentemente apenas aquilo que lhe foi perguntado. Não é necessário correr o risco de vender lebre por gato, você pode se embananar todo e se queimar sem necessidade. Tenha bom senso e encare o processo como um jogo cheio de regras. Lembre-se de que algumas destas regras estão escritas e outras são subjetivas. E lembre-se também que a entrada no mestrado e no doutorado envolve relações afetivas e subjetividade. Nada é tão frio assim quanto parece, afinal é nesta suposta relação orientador-orientando que o processo se desenvolverá.

Desta feita, não basta você ser o melhor acadêmico do mundo, mas a melhor opção para o orientador em questão.
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