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E agora, José?


Será que a festa acabou para o grupo de estudos? Aquele que negocia autoria em trabalhos acadêmicos? A onda por e-mail continua:

Mail 1
Olá! Estou enviando 2 resumos ampliados para o congresso. Caso aceitos, qual a indexação na publicação no livro digital do evento? Obrigado!


Mail 2

Prezado, seus trabalhos são bem-vindos. No entanto, a organização do evento gostaria de informar que, conforme os critérios atualmente vigentes da CAPES, trabalhos em eventos não são avaliados pelo sistema Qualis, sejam eles publicados em formato de resumo, resumo ampliado ou na íntegra. Att.


E agora, José? E agora, José?
Infelizmente os Pesquisadores de Chocolate não entenderam o que é ciência e para quê se faz. Blá!

Curso Fantasma

Tem professor dedicado que faz apostilas. Cada curso uma apostila. E depois arquiva no seu escritório, paredes forradas com estantes, livros e papéis. Tudo devidamente organizado, etiquetado. Trabalho de alunos em caixas, divididos por turma. Arquivos mortos, arquivos vivos, e arquivos para serem ressucitados um dia. Tem professor que é assim, dedicado. Nasceu para ser professor. Mas até este professor, pra lá de idealista, às vezes não se conforma. Não se conforma mas se vê obrigado a encarar algumas coisas nada bacanas.

Nesta semana foi a vez de encarar um curso fantasma, na cidade onde tudo pode ser fantasma, inclusive funcionários. Naquela coisa do "Quem Indica", sobrou para uma amiga minha dar aulas na pós-graduação. Aquilo de sempre: nunca é exatamente a matéria que a gente compreende, mas que os professores encaram por necessidade, para enriquecer o curriculo e sobreviver neste mar de gente esbanjando seus títulos de doutor disso, doutor daquilo. E já que não aceitar um convite num caso desses é matar a tal da rede de contatos, o networking, lá vai professor estudar de última hora o que vai dar no dia seguinte. É assim porque, evidentemente, este tipo de oportunidade aparece pra ontem e pega todo mundo de surpresa. Professor que é bom disfarça e aluno nem se dá conta. Eu mesma cansei de estudar no carro, a caminho da faculdade, no único tempo de sobra. E também é por isso que pedi demissão. Tem hora que a gente não aguenta dar tantas disciplinas que a gente não gosta e fez questão de esquecer nos tempos idos.

Mesmo com tudo isso minha amiga resolve encarar esta aula na pós graduação. Corre na casa de um amigo e pede material sobre o tema. Cinco livros para ler e compreender em dois dias. A apostila por fazer, filha pequena para cuidar, namorado e uma amiga passando a semana na casa dela, além dos afazeres cotidianos. Dois dias sem dormir e lá vai ela viajar 40km para ganhar pouco, muito pouco. Ela pensou em desistir, por conta da grana, que quase não pagaria a gasolina. Então um outro amigo lembrou a ela que seria bom para o currículo. E nesta, de currículo lattes, lá vai ela buscar um argumento e melhorar um pouco o valor da hora aula. Consegue, mas continua pouco, muito pouco. Em se tratando de um curso fantasma, uma merreca. E lembrar que a coordenadora pediu para que ela não colocasse o nome da empresa em lugar algum, não divulgasse no material que ela andava preparando, deixava tudo entranho, muito estranho!

Tão estranho que, chegando em casa, ela foi pesquisar. Bendita a internet com informações de tudo quanto é tipo. A surpresa veio de xofre, pedindo licença. E quando minha amiga se dá conta, são as contas que estão erradas. Diz o MEC que um curso de especialização deve ter 360 horas-aula em sala de aula, não contadas as horas para a monografia de final de curso, também obrigatória. Minha amiga fora contratada para dar um disciplina toda. Já tinha voltado para casa achando ridiculo uma disciplina toda, em termos de pós-graduação durar apenas 4 (quatro) horas. É ridiculo mesmo, além de parecer suspeito. Mas então o que é suspeito passa a fazer um sentido sem sentido quando a grade horária lhe salta aos olhos na tela do computador. Está lá, bem escritinho para o MEC ler, 40 (quarenta) horas. Em vez de quatro, quarenta. Ela me diz incrédula: "amiga, tudo multiplicado por dez! Tudo aleatório". Eu concluo: "um curso fantasma".

Um receptáculo de dinheiro. Uma compra de certificado, e não de conhecimento. E lá se vai mais de cinco anos de sucesso. A empresa aumentando o número de alunos, ano após ano. A empresa diminuindo o salário dos professores (minha amiga vai receber 50% a menos que o professor que lhe passou a disciplina, motivo do abandono). E depois querem que eu ache que o ensino superior está indo bem, muito bem. Querem que eu diga mais das alegrias e que eu eu dê menos porrada no sistema. Fala sério, quem consegue? Quem consegue calar a boca numa hora como essas? Dizer todas aquelas coisas bonitas entre alunos e professores é saudosismo. Eu tenho disso também, só acho que as coisas deveriam mudar. Afinal, não é por isso que nós, professores, acreditamos no amanhã e buscamos (ou buscávamos - para aqueles que desistiram) a diferença? Que vontade de denunciar o curso fantasma às autoridades, mas e minha amiga, vai trabalhar onde?

Primavera Educacional

Toda primavera é igual para o Ensino Superior. É quando chegam as respostas das avaliações institucionais. Tem o Enade, tem o exame da OAB, e por aí vai, sempre rola um exame de consciência. É quando a ruindade do sistema educacional brasileiro só se confirma, como todos os anos e, como todos os anos, nada muda. Nada muda, mas a gente fala sobre ele, sobre o que está ruim nele, sobre nossa indignação, sobre o que poderia ser melhorado. E todo ano, ou as coisas se mantém, ou pioram. Alguns poucos projetos deram resultados, mas nem isso a gente não vê na tv de massas, o que é uma pena, porque com mais gente vendo as coisas boas, mais as coisas boas poderiam ser copiadas. Como só tem notícia ruim nos jornais televisionados (quem lê jornal impresso?), mais a ruindade é copiada. Se um ladrão teve uma idéia inteligente, outro pode copiá-lo. E assim vão se abrindo túneis de ignorância pelo país. É que a televisão também diz, que além da educação, nossa polícia não presta, nossa política não presta, nossa sociedade é mesmo uma pindaíba.

Toda primavera é igual para o Ensino Superior. É quando se iniciam as propagandas de faculdades, universidades e institutos nas mídias digital, impressa e falada. Até hoje chega a minha casa opções de onde eu poderia estudar dentre todas as melhores universidades do país, e quase todas as faculdades, universidades e institutos - que fazem propaganda - estão entre as melhores do país, pelo menos em alguma coisa. São faculdades, universidades e institutos que sabem trabalhar com os números de todas as avaliações que sofrem, até com as estrelinhas do guia do estudante. E como são muitas as avaliações, sempre sobra um número favorável para algum curso em específico, mas que no reclame eles generalizam para todos os outros, que ficam igualmente favorecidos. E quando não é este o caso, eles contratam gente de peso para falar. Eu, sinceramente, estou com raiva da Fernanda Montenegro que anda apoiando uma instituição aí, junto com o Pedro Mariano. Bah! Eles não sabem o que dizem. Só quem está dentro pode dizer.

Toda primavera é igual para o Ensino Superior. É quando o vestibular surge como um bicho de sete cabeças e os jovens são bombardeados de lá pra cá, de cá pra lá, e é quando as faculdades, universidades e institutos começam a somar seus lucros. Se há poucos inscritos, fazem propaganda para aumentar. E todo ano se pensa em bater o recorde. Aumentar o número de alunos por turma, aumentar o número de turmas com o número aumentado de alunos. E somos nós, professores, que cortamos um dobrado. Encaramos 30 horas por semana em salas de aulas com o mínimo de 80 alunos, que é o padrão vigente das universidades, faculdades e institutos.

E toda primavera é a mesma para os professores do Ensino Superior. É quando as instituições reavaliam os seus planos de carreira e diminuem o valor da hora-aula do professor que por lá ingressará no próximo verão.

Um brinde à pindaíba, um brinde aos meus cento e poucos alunos por turma e aos setecentos e poucos alunos que eu vejo por semana, e que eu não sei o nome (o meu, qual é mesmo?). Um brinde!

Greve

Por certo que a greve é dialética, como muitas outras coisas, a maioria delas. Outro dia me lembrei de uma frase que ouvi ainda menina, quando maldisse alguém. A lição veio de xofre e ficou a moral da história:

- não gosto de fulano, preciso conhecê-lo melhor.

Mas o que isso tem a ver com as greves? Tudo:

- não gosto de greves, preciso conhecê-las melhor.

E só porque estas também são um jeito de marcarmos a diferença, principalmente quando tentam calar a nossa voz.

A escolha do orientador

Dando seqüência ao meu projeto de elaborar, aqui, um pequeno guia de ingresso na pós-graduação é preciso deixar claro que tem duas coisas que são super importantes e que, ao mesmo tempo, são paradoxais. Enquanto uma diz respeito ao projeto de pesquisa, outra refere-se ao orientador. É paradoxal porque com o tempo você pode descobrir que tanto faz qual é o seu tema de pesquisa se o seu orientador é o fulano de tal, aquele cara super gabaritado etc e tal. Leia "A Tese do Coelho" que você vai sacar exatamente o que eu estou querendo dizer.

Ok, sendo assim note que a escolha do orientador não pode ser inocente. Ah! Antes que eu me esqueça de dizer, meu propósito aqui não é o de assustar mas de ajudar a entender o sistema. Alerto que eu tampouco consigo compreendê-lo em sua totalidade, mas sei que absorvê-lo - mesmo em partes - facilita bem o jogo. Quer dizer, se a gente tem por onde, é sempre bom tomar certos cuidados. Lembra-nos Demerval R. R. Cunha que, neste jogo, você ainda vai descobrir que existem vários tipos de orientadores:

- os que acham você inteligente mas não têm vagas;

- os que acham você inteligente mas não entendem seu projeto de pesquisa;

- os que acham você inteligente, seu projeto está bom mas não têm tempo de orientar ninguém (se vira!);

- os que acham você inteligente mas gostariam de orientar pessoas somente no seu universo de pesquisa (um professor de alemão não pode orientar, por exemplo, um projeto de oceanografia - se bem que têm lugares que até isso dá para negociar, incrível!);

- etc, etc, etc.

Mas a morte mesmo são aqueles orientadores aproveitadores que usam os esforços de seus orientandos para enriquecerem seus próprios currículos e desfilarem suas vaidades. Trabalho escravo mesmo e você, ao fazer o trabalho do seu orientador, serviria mais para burro de carga do que qualquer outra coisa. Tá, esse negócio de o orientando pesquisar e o orientador publicar é o tipo de coisa que ocorre mais na Iniciação Científica - onde o estudante está meio cru e ainda não entende bem como a coisa funciona - do que no mestrado e muito menos no doutorado. Mas também não é porque o orientando vai amadurencendo com o tempo (e deixando de ser lastimável, para não usar aqui a palavra burro) que esse tipo de coisa deixa de existir.

Está dando para entender? Diga-me com quem andas que te direi quem és! O quê? Você não tem nem idéia por onde começar a procurar seu orientador? Tá bom, nisso eu posso te ajudar. Entre na Plataforma Lattes (que é uma base de dados on-line onde todos os professores de pós-graduação stricto-sensu são obrigados a se cadastrarem), clique em buscar currículo e não se esqueça de selecionar apenas aquelas pessoas que já sejam doutoras (óbvio!). É legal porque dá até para você procurar um orientador por assunto se você tiver sorte. Isso mesmo, você precisará contar com a sorte e também vai precisar de uma baita paciência já que o sistema não é lá grande coisa em termos de busca por assunto, principalmente se esta comparação for feita com o google. Daí eu aconselho você esquecer porque, com certeza, você vai se estressar. Eu não disse que seria fácil!

Hierarquia Cômica

Estes e-mails que recebo da coordenação me faz pensar que, de fato, o que vem debaixo não me atinge. Mas o que vem de cima, em compensação, deveria cair feito tonela em cima da minha cabeça. No começo caia mesmo, mas depois eu fiquei esperta (será?) e passei a desviar. E neste jogo de cintura, não é que a coisa toda começou a cair na cabeça dos alunos?

Então eu proponho que se inverta. Quer dizer, o que sobraria de tudo isso, se os alunos também passassem a desviar? Porque quando a coisa bate no dinheiro, reflete. Sobe em vez de descer e o que viria debaixo passaria a incomodar. O aluno aqueceria a bunda do professor (nos casos em que o professor é relapso, claro!). O professor, então, faria esquetar a bunda do coordenador; e este do diretor; e este do reitor. E tudo ia ficar tão quente, mas tão quente, que todos seriam obrigados a tirar a bunda da cadeira, para sobreviverem. Todos mesmo, inclusive os alunos. Tá, e os professores. Os coordenadores, os diretores, os reitores.

Sei que incluo neste pacote de bundões alguns bons alunos, excelentes até. Alguns bons professores, bons coordenadores, bons diretores, bons reitores. Excelentes, inclusive. Sempre tem gente, uma minoria, que pensa diferente do é "assim mesmo" e fazem mais, muito mais do que ficar com sua bunda grudada na cadeira. A estes eu sugiro que andem com uns espetos bem afiados para estarem sempre aptos a darem agulhadas em quem for preciso: nos colegas alunos, nos colegas professores, nos colegas diretores, nos colegas reitores. Em quem está em cima, em quem está embaixo.

Mas estes, que não são bobos nem nada, não querem queimar o filme, e seguem no limite. Ficam, como eu, entristecidos por não conseguirem fazer mais. Ou por não saberem como poderiam fazer mais. E tudo volta para as mãos dos alunos. A idéia de criar um Centro Acadêmico, a idéia de serem reconhecidos, de se tornarem líderes é mesmo muito bacana. Daí os professores teriam que fazer mais do que fazem, e os coordenadores também. Os diretores e os reitores.

Então a gente descobriria que o povo também poderia fazer mais, porque eles são a grande maioria. O que vem debaixo poderia subir tanto e espetar tanto que seria uma loucura maravilhosa. E tudo isso só porque não seria mais preciso acreditar que "é assim mesmo, o país".

Animadores de Circo

Em mais um e-mail da coordenação, fiquei pensando em quem é o professor e quem é o aluno neste circo todo. Infelizmente um circo mesmo. Vai lá o e-mail, adaptado:

"Prezados professores, no dia tal do mês tal às tantas horas e tantos minutos teremos uma palestra com o Prof. Dr. Fulano de Tal. Nessa data não haverá aula no primeiro horário e os alunos deverão se dirigir ao Anfiteatro para acompanhar a palestra. Gostaria de contar com a presença de vocês para acompanhar o evento e controlar a freqüência dos alunos, fazendo chamada ao final da palestra."

(... e por entre as linhas...)

Caro professor, favor punir os alunos com falta, caso eles desistam do palestrante ou julgarem a palestra uma perda de tempo.

(... e analisando a situação...)

O circo precisar funcionar. Caro professor, vire quantas cambalhotas quiser; o importante é que você adestre seus alunos!

E viva o pão e circo! O que mais me impressiona é que nem o professor pode ser professor, nem o aluno pode ser aluno:

"Professores, temos um aluno do segundo semestre com distrofia muscular, proibido por indicação médica de realizar prática. Nesse caso (...), solicitem [ao aluno] que acompanhe a aula e faça relatório - o qual deverá ser avaliado. Nesse caso, especificamente, a nota da teoria deverá valer mais do que a prática."

E viva esta suposta democracia do ensino superior!

Por e-mail...

"Oi Fernanda estou no terceiro semestre de Educação Física, período noturno, e queria tirar uma dúvida já que não conversei com você... Eu não fiz o trabalho de metodologia do primeiro semestre (p1) e nem o do segundo (p2)... no caso estou direto de exame... Gostaria de saber se tem possibilidade de alcançar a média e como faço para isso acontecer. Levo todos os trabalhos , inclusive o do primeiro bimestre, faço alguma prova ... Por favor me mande uma resposta ... Você percebeu que é caso de vida ou morte né... rs..."

Eu não dei, mas toma lá a resposta que eu gostaria de ter enviado: por mim você pode encomendar o caixão!

Mas não depende de mim...

O aluno esperto!



Aluno:
"Você acha mesmo que a professora vai ler tudo isso? De qualquer jeito a gente vai ter nota!"

Só pra você saber, eu leio. E os meus amigos professores também. Somos responsáveis, coisa que, talvez, você nem saiba o que é! Muitas vezes nós não temos saída e damos a nota, mas não porque você, aluno esperto, está enganando a gente, mas porque nós, professores escolados, desistimos de você. Sim, você terá a nota, mas não me peça vaga no mercado de trabalho. Vou ignorar. Lembra-se? Você é esperto demais ... não precisa da minha ajuda.

Prêmios e Títulos



Abstratamente preciso me contabilizar com urgência para não ficar aquém. No começo deste ano eu escrevi uma frase e ganhei uma geladeira Brastemp You, preciso arrumar meu currículo lattes. Prêmios e Títulos. Não tenho nenhum registrado, mas se eu pensar direito, além da geladeira, teve um ano que eu me classifiquei entre os 10 melhores textos em um concurso promovido pela Associação Nacional de Jornais. Tem também aquela vez que participei de um concurso cultural e o meu quadro foi escolhido o melhor dentre os participantes. E os esportes então? Preciso, urgentemente, arrumar meu currículo lattes, e só para ficar ao lado dos inúmeros atletas frustrados que exibem suas conquistas quando ainda tinham 13 anos - bem acadêmico, não? - ou para acompanhar aquela professora, livre-docente, que contabilizou sua indicação para o Prêmio Jabuti, como se o tivesse ganho, ela própria. Preciso arrumar meu currículo lattes porque eu sei, sou o meu melhor prêmio.

O outro lado da moeda...

Ontem à noite foi dia de apresentação de seminários. É quando o papel se inverte: os alunos serão seus próprios professores. E não é fácil, mesmo sendo mais fácil. São amigos e a tendência é se respeitarem mais do que o fazem em relação aos professores, ilustres desconhecidos. Então no fim da aula ouvi: "professora essa aula foi boa pelo menos para uma coisa: nunca serei professor! É uma falta de respeito, uma falta de envolvimento e blá blá blá".

Alunos: a cara da instituição!

Estou corrigindo as provas que foram aplicadas na semana passada. Tenho turmas com cerca de 80/90 alunos e mesmo assim insisto em dar prova dissertativa (e individual) para avaliar os conhecimentos adquiridos na matéria de psicologia. Dizem que eu invento moda, que uma prova em testes seria mais fácil, para os alunos (que não sabem) e para mim (que perco menos tempo em corrigí-las). A maioria dos professores, colegas meus, por conta disso, avaliam com testes. Por enquanto eu não concordo. Acho que a função do professor é fazer o aluno pensar, criticar o mundo à sua volta e não apenas passá-lo de semestre. Encontro muitas provas que refletem meus pensamentos, exatamente como os escrevi na apostila. São as colas. E sei que os alunos sequer sabem o que escreveram, o que aquelas palavras significam. As marionetes do sistema.
Hoje eu acabei por confirmar uma suspeita de muito tempo. Os alunos (e professores) não sabem como a instituição funciona, até pertencerem a ela. E depois sim, passam a agir margeando suas regras. Eu tenho turmas de 1º e 2º semestres na mesma sala. É a lei do capitalismo: paga-se o professor por uma aula enquanto ele atende duas turmas. Eu não concordo, mas por outras razões participo do sistema, como os alunos. Na prova que foi aplicada a uma destas salas, alunos de 1ª semestre tiveram as notas mais altas, equanto os de 2º semestre, a porcentagem mais baixa. Eu medi pra ver e acho que não se trata de uma conincidência. Acredito que alunos de 2º semestre já identificaram as falhas do sistema e se acomodaram a ele. Sabem que, independente de qualquer coisa, terminarão seu curso, fazendo DP ou não.

Cada aula uma sentença!

As pessoas não sabem (ou supõem ser demasiadamente fácil e rápido), mas eu demoro cerca de 2hs para montar cada slide. Isso porque eu não apenas escrevo ou teço um saber, mas porque passo o tempo procurando figuras na internet, diagramando, estabelecendo um padrão visual. Calmamente escolho as cores de fundo, e que combinem com as figuras, com as fotos, com as ilustrações. E vou modificando, trocando, alterando tudo, até quando acho que ficou bom, muito bom. Quando dou conta, passaram-se dias sem que eu tivesse feito outra coisa. Os alunos não sabem disso. São alunos, apenas. O que me irrita consideravelmente. Outro dia fiquei pensando no quanto seria bom se os alunos soubessem de todo o trabalho que tenho para montar cada aula. Que minha vida deveria funcionar menos em função deles.