Olha você! O MEC está de visita. Ó! Uma correria para os coordenadores arrumarem tudo o que não fizeram durante o ano todo em 1 semana e meia. Hein? Cópias e cópias de documentos assinados de reuniões que nunca existiram. Mas vai provar ao MEC que elas nunca existiram? Deve ser assim com todas as instituições, hoje em dia parece que o pessoal está mesmo afim de enrolar do que cada um fazer sua parte. Enquanto um finge que administra, outro que é, de fato, uma instituição de ensino superior. Ontem saiu o resultado do ENADE, 1 em cada 5 insituições se salvam. Hein? Cursos com notas baixas, muito baixas. E eu, em muitas ocasiões, ensinando o abcedário no ensino superior. Leitura e compreensão de texto. Alfabetização básica. Não canso de me surpreender com o analfabetismo digital. Dei uma escorregada, achei que a maioria do país já estivesse incluida, principalmente pessoas da grande são paulo. Erro meu. A coisa está pior do que a gente pensa. E os ministros estão caindo, que caiam todos, e que a coisa fique um pouco mais ética em todas as esferas. É preciso mudarmos o comportamento do brasileiro. Não podemos ficar nem de braços cruzados, nem conformados acreditando que as coisas nunca mundam.
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AACC's: Boas ou Ruins?
As AACC ou Atividades Acadêmicas Culturais Complementares, de acordo com a legislação vigente: LDB 1996, Resoluções 18 e 19 de fevereiro de 2002, Pareceres do Ministério da Educação e do Conselho Nacional de Educação de 2004 e 2005, constituem aquelas que propiciam conhecimento relevante para o processo de ensino/aprendizagem na área específica do curso, com base nos critérios de interdisciplinaridade e de flexibilização curricular, contribuindo para a formação complementar profissional e cidadã do aluno. A carga horária mínima é de 200 horas (em 5 módulos de 40 horas cada) e valem atividades extra-curriculares como idas ao cinema, teatros, palestras, congressos, eventos relacionados e por ai vai. Cada curso de ensino superior determina como estas horas serão creditadas. E o tipo de comprovação aceita:
* ingressos, fotografias, certificados ou declarações de participação, presença, etc.
E depois o aluno entrega um listamento destas atividades e uma breve ata, ou resumo. Bom ou ruim? Tudo parece mesmo ser uma faca de dois gumes. A proposta é interessante, faz o aluno sair em busca do conehcimento e o torna mais participativo. Ruim é a parte do eu finjo que aprendo enquanto você finge que ensina. Aí não dá. Gera medidas como esta, do Centro Cultural São Paulo, notificada recentemente:
Me engana que eu gosto? Não no Centro Cultural. Louvável!
* ingressos, fotografias, certificados ou declarações de participação, presença, etc.
E depois o aluno entrega um listamento destas atividades e uma breve ata, ou resumo. Bom ou ruim? Tudo parece mesmo ser uma faca de dois gumes. A proposta é interessante, faz o aluno sair em busca do conehcimento e o torna mais participativo. Ruim é a parte do eu finjo que aprendo enquanto você finge que ensina. Aí não dá. Gera medidas como esta, do Centro Cultural São Paulo, notificada recentemente:
AVISO
A partir de 1º de junho de 2008 não será mais fornecido o carimbo e o comprovante de visita a estudantes nos espaços expositivos.
Desde março de 2007 o Centro Cultural São Paulo fornece para o público comprovantes de visita às exposições. No entanto, este procedimento não atestou uma participação efetiva em atividades culturais. Considerando que o comprovante de uma visita pode valer por até cinco horas de estágio e que, na grande maioria das vezes, a duração da visita não chega a cinco minutos, decidimos abolir os certificados e carimbos por acreditar que essa prática atua na contramão dos objetivos de uma ação educativa responsável. Portanto, o CCSP informa que a Ação Cultural e Educativa, a partir de 1º de junho de 2008, não fornecerá mais a estudantes o carimbo e o comprovante de visita aos espaços expositivos.
Em contrapartida, informamos que continuará sendo fornecido o comprovante aos estudantes que o solicitarem quando participarem de visitas monitoradas previamente agendadas. Também serão oferecidos certificados de participação em cursos e workshops, com inscrições prévias. Clique aqui para mais informações sobre as visitas monitoradas.
Me engana que eu gosto? Não no Centro Cultural. Louvável!
Cairá o Rei? Pró-reitor diz que não está nem aí, hein?
Pró-reitor da unigranrio disse não se importar com o vestibular. E se pra ele, e outros como ele, tanto faz, quem é responsável pela qualidade do Ensino Superior Particular num sistema onde o MEC dá autonomia para que estas instituições cuidem de si?Pra que serve um reitor? E um pró-reitor?
O reitor é aquele que rege, governa, administra ou dirige alguma coisa, no caso do Ensino Superior, uma universidade ou certas corporações escolares. Já o pró-reitor é o homem que está antes do reitor e assume algumas legalidades em termos de distribuição de algumas funções. Pode-se dizer que se trata de um filtro ante a reitoria, mas não diminui a legitimidade do cargo.
Em "Cai o Rei de Ouros, Cai o Rei de Paus: os estudantes chacoalham o sistema", alertei para o fato de que, nos últimos tempos, alguns estudantes têm derrubado alguns grandes personagens do Ensino Superior atual, geralmente envolvidos em escândalos, corrupção ou por terem dito algo que lhe fugia à competência, fatos caracterizados por menosprezo, preconceito e irresponsabilidade.
Nesta matéria do Fantástico, o pró-reitor admite: “Mesmo não estudando para o vestibular, você pode fazer esta prova até no chute. Eu, por exemplo, que estou defasado, posso fazer 25 pontos”, e completa quando o repórter pergunta qual é a nota mínima de corte, por exemplo, num curso como administração: “Eu não me preocupo com isso. Olhando nos seus olhos: eu não me preocupo com isso. Eu não preciso disso. Eu não valorizo isso”.
Ao se pensar nas denúncias da matéria exibida:
- 5 milhões de candidatos para o Ensino Superior;
- 2, 5 milhões de vagas disponíveis, sendo 300 mil em Universidades Públicas;
- 80% dos universitários estão na rede particular de ensino;
- 100 faculdades, em média, surgem por ano na rede particular, o que aumenta a concorrência;
fica claro, como diz o educador Zacarias Gama, que “esse sistema particular se inchou e precisa de alunos como condição de sobrevivência. Ele começa a usar estratégias de mercado no sentido de ter o aluno que ele precisa com o potencial de pagar a mensalidade, com potencial de comprar as coisas que existem dentro dos seus shoppings, menos interessado talvez no seu mérito acadêmico, na reflexão que o aluno é capaz de fazer. Então, é um grande mercado de diplomas”.
Desta feita, há uma banalização dos vestibulares o que implica em levar para o Ensino Superior alunos despreparados e descontextualizados. Então eu pergunto: também haverá mobilização destes estudantes, quer dizer, dos estudantes que são alunos da unigranrio e, portanto, submetidos à fala do pró-reitor, para derrubá-lo? Cairá o rei? Tomarão a reitoria? Fica a dúvida...
Cai o Rei de Ouros, Cai o Rei de Paus: os estudantes chacoalham o sistema!
Cai o Rei de Ouros, Cai o Rei de Paus: os estudantes chacoalham o sistema!
por Fernanda Ramirez
por Fernanda Ramirez
Cai, não fica nada.
Nos últimos tempos tem-se visto uma movimentação dos Estudantes do Ensino Superior em franca manifestação país adentro. Primeiro foram os estudantes da USP, em maio do ano passado, que tomaram conta do prédio da reitoria. Estavam contra os decretos do Governador José Serra anunciados em janeiro de 2007 (dentre outras coisas, os decretos proibiam por tempo indeterminado a contratação de professores e funcionários para a instituição; impediam que as universidades usassem a verba sem autorização do secretário da Educação Superior e tiravam a autonomia universitária). Cai, não fica nada!
Depois foi a vez dos brasilienses da UnB que tomaram sua reitoria. Queriam a saída imediata do reitor Thimothy Mulholland, do vice Edgar Mamiya e de todas as fundações envolvidas em processos de corrupção. O estopim, em abril de 2008, foram os gastos superfaturados do reitor e sua lixeira de 1000 reais. Em janeiro deste ano, surgiram diversas denúncias de corrupção envolvendo a atual gestão da reitoria da UnB, envolvendo desvio de verbas por meio da FINATEC para uso privado do reitor. O Ministério Publico abriu inquérito e nas investigações descobriu mais irregularidades envolvendo a FUB e a FUNSAUDE. O grupo que estava à frente da reitoria desde 1998 já esteve envolvido também em outros escândalos como o do Centro de Seleção e de Promoção de Eventos (CESPE), o da Casa do Estudante (CEU) e o da própria eleição da atual gestão. Vale lembrar que desde 1996 após o decreto do Governo FHC, a UnB não tinha eleições paritárias para reitor, outra exigência dos estudantes. Cai, não fica nada!
Nesta semana, os donos da bola foram os estudantes e os professores da Universidade Federal da Bahia. É que o infeliz do coordenador do curso de Medicina, Antônio Dantas, declarou que a baixa no rendimento dos alunos no ENADE (Exame Nacional de Desempenho, do MEC) se deu devido ao fato dos baianos terem QI inferior ao restante do país. Hein? Nos dias de hoje é bom que se proteja ou cai, não fica nada!
É claro que a imprensa distorce fatos e é capaz de dizer grandes mentiras contando apenas verdades e não se sabe ao certo em que contexto o coordenador do curso disse tal blasfêmia. A pesquisa acadêmica e os papers também permitem esta falácia, na medida em que o pesquisador manipula os dados e publica apenas aqueles que lhe interessam. Para os acadêmicos há revisão por pares e coisa e tal dentre os inúmeros indexadores de pesquisa mundo afora. Para os cursos superiores há o ENADE e o fato histórico de que os alunos das universidades públicas têm uma tendência a boicotar o exame, porque não estão de acordo. Esta poderia ser uma das explicações para o baixo desempenho dos alunos da Bahia, segundo Arquimedes Ciloni, presidente da Andifes (associação que representa os reitores das universidades federais).
Independente do acontecido, este fato traz à baila novamente a legalidade de exames como o ENADE e outros instrumentos que regulam os cursos superiores. Há uma tendência da população em rejeitar números e índices, principalmente no tocante à educação. É que então, os números não seriam capazes de dizer como, de fato, a coisa funciona. Números são números, não provariam a qualidade do ensino. Mas trazem deduções lógicas. São indicadores essenciais de repasse financeiro e, convenhamos, deixar a educação ao-deus-dará não faz sentido. Pode ser pouco, pode ser insuficiente, pode ser inadequado, pode um monte de coisas, mas não se pode negar que é necessário haver agentes reguladores, principalmente em se tratando de universidade pública, que deve explicações à nação.
Desta forma, eu concordo com Naomar de Almeida, reitor da Universidade Federal da Bahia, que declarou em entrevista para a televisão que, de certa forma, o boicote dos estudantes ao exame nacional é um erro. No entanto, de outro lado há algo de positivo. O boicote é uma das formas dos estudantes se declararem insatisfeitos com o sistema e é o jeito que eles encontraram para “pedir” melhorias, coisa que também é muito válida, como a invasão nas reitorias ou esta última manifestação pública que resultou na renuncia do coordenador do curso de medicina do cargo.
Em conjunto, o que estes acontecimentos mostram é que os estudantes sempre estiveram com a faca e o queijo na mão. Basta que façam uso deles, pelas razões certas ou pelas razões erradas, para que o sistema chacoalhe. Então, que caiam os reis e que se questione a canção: “nos dias de hoje, não lhes dê motivo, porque na verdade, eu te quero vivo”.
Nos últimos tempos tem-se visto uma movimentação dos Estudantes do Ensino Superior em franca manifestação país adentro. Primeiro foram os estudantes da USP, em maio do ano passado, que tomaram conta do prédio da reitoria. Estavam contra os decretos do Governador José Serra anunciados em janeiro de 2007 (dentre outras coisas, os decretos proibiam por tempo indeterminado a contratação de professores e funcionários para a instituição; impediam que as universidades usassem a verba sem autorização do secretário da Educação Superior e tiravam a autonomia universitária). Cai, não fica nada!
Depois foi a vez dos brasilienses da UnB que tomaram sua reitoria. Queriam a saída imediata do reitor Thimothy Mulholland, do vice Edgar Mamiya e de todas as fundações envolvidas em processos de corrupção. O estopim, em abril de 2008, foram os gastos superfaturados do reitor e sua lixeira de 1000 reais. Em janeiro deste ano, surgiram diversas denúncias de corrupção envolvendo a atual gestão da reitoria da UnB, envolvendo desvio de verbas por meio da FINATEC para uso privado do reitor. O Ministério Publico abriu inquérito e nas investigações descobriu mais irregularidades envolvendo a FUB e a FUNSAUDE. O grupo que estava à frente da reitoria desde 1998 já esteve envolvido também em outros escândalos como o do Centro de Seleção e de Promoção de Eventos (CESPE), o da Casa do Estudante (CEU) e o da própria eleição da atual gestão. Vale lembrar que desde 1996 após o decreto do Governo FHC, a UnB não tinha eleições paritárias para reitor, outra exigência dos estudantes. Cai, não fica nada!
Nesta semana, os donos da bola foram os estudantes e os professores da Universidade Federal da Bahia. É que o infeliz do coordenador do curso de Medicina, Antônio Dantas, declarou que a baixa no rendimento dos alunos no ENADE (Exame Nacional de Desempenho, do MEC) se deu devido ao fato dos baianos terem QI inferior ao restante do país. Hein? Nos dias de hoje é bom que se proteja ou cai, não fica nada!
É claro que a imprensa distorce fatos e é capaz de dizer grandes mentiras contando apenas verdades e não se sabe ao certo em que contexto o coordenador do curso disse tal blasfêmia. A pesquisa acadêmica e os papers também permitem esta falácia, na medida em que o pesquisador manipula os dados e publica apenas aqueles que lhe interessam. Para os acadêmicos há revisão por pares e coisa e tal dentre os inúmeros indexadores de pesquisa mundo afora. Para os cursos superiores há o ENADE e o fato histórico de que os alunos das universidades públicas têm uma tendência a boicotar o exame, porque não estão de acordo. Esta poderia ser uma das explicações para o baixo desempenho dos alunos da Bahia, segundo Arquimedes Ciloni, presidente da Andifes (associação que representa os reitores das universidades federais).
Independente do acontecido, este fato traz à baila novamente a legalidade de exames como o ENADE e outros instrumentos que regulam os cursos superiores. Há uma tendência da população em rejeitar números e índices, principalmente no tocante à educação. É que então, os números não seriam capazes de dizer como, de fato, a coisa funciona. Números são números, não provariam a qualidade do ensino. Mas trazem deduções lógicas. São indicadores essenciais de repasse financeiro e, convenhamos, deixar a educação ao-deus-dará não faz sentido. Pode ser pouco, pode ser insuficiente, pode ser inadequado, pode um monte de coisas, mas não se pode negar que é necessário haver agentes reguladores, principalmente em se tratando de universidade pública, que deve explicações à nação.
Desta forma, eu concordo com Naomar de Almeida, reitor da Universidade Federal da Bahia, que declarou em entrevista para a televisão que, de certa forma, o boicote dos estudantes ao exame nacional é um erro. No entanto, de outro lado há algo de positivo. O boicote é uma das formas dos estudantes se declararem insatisfeitos com o sistema e é o jeito que eles encontraram para “pedir” melhorias, coisa que também é muito válida, como a invasão nas reitorias ou esta última manifestação pública que resultou na renuncia do coordenador do curso de medicina do cargo.
Em conjunto, o que estes acontecimentos mostram é que os estudantes sempre estiveram com a faca e o queijo na mão. Basta que façam uso deles, pelas razões certas ou pelas razões erradas, para que o sistema chacoalhe. Então, que caiam os reis e que se questione a canção: “nos dias de hoje, não lhes dê motivo, porque na verdade, eu te quero vivo”.
Nota de Chamada
Só para constar: a tal da lista de chamadas gugu-dadá que a pós-graduação insiste em manter ativa, não é tão fácil de ser encontrada. É que o professor responsável por ela nunca se encontra na universidade, que é pública. Sendo ela uma universidade pública, obviamente que nem todos os professores doutores, principalmente os livre-docentes cumprem suas 40 horas em dedicação exclusiva. Vai ver que é por isso que a pós-graduação colocou uma lista de chamadas gugu-dadá para alunos de pós-graduação. Alguém tem que fazer a universidade ir pra frente. Que sejam os alunos já que os professores, estes estão indo de mal a pior.
Publicar ou Perecer?
Nas listas de discussão do CEV (Centro Esportivo Virutal) o tema publicar ou perecer sempre volta à tona, principalmente em época de credenciamento e descredenciamento de professor doutor, aqueles que estão na universidade pública e que são obrigados a manterem seus currículos lattes atualizados. E muitos o fazem, muitas vezes, às custas de seus alunos, os orientandos de mestrado e doutorado (algumas vezes sobra para os de iniciação científica).
E sempre aparece um alguém para comparar o país de cá com o país de lá. Aqui é assim, lá é de outro jeito e coisa e tal. Nesta última leva eu resolvi argumentar. É que eu estou cansada de ver um bando de professor doutor metendo o pau no sistema. Que o sistema é isso ou é aquilo outro, e vai-e-vem eu fico no meu cantinho pensando se não dá pra trocar o disco, se não daria para se fazer uma ação mais efetiva além destas destinadas à reclamação.
Eu, formada em esportes, entendo de regras. Entendo que o mundo não pode viver de um relativismo tosco de que tudo é permitido, e que depende só disso ou só daquilo. Então eu voto pela ética, pelos costusmes e pela moral. E voto pelo fim do relativismo. Mas sou a favor, notem bem, de ações eficazes que tenham propostas de mudanças efetivas porque eu também cansei do idealismo. Este é quase sempre pouco palpável devido a sua incretude.
Ações, inclusive àquelas das bolsas de valores, é o que me interessam. Eu também não concordo com parte dos critérios acadêmicos definidos pela Capes na sua classificação Qualis isso, Qualis aquilo outro. Mas eu sou capaz de ver o quê de mudanças as novas normas trouxeram aos professores doutores desavisados, aqueles que nos últimos 10 anos se viram obrigados a tirarem suas bundas da cadeira e a fazerem pesquisas para publicarem resultados novos. O que eu acho, no fim das contas, uma coisa mais do que justa: professor doutor pesquisador fazendo pesquisa, finalmente. É, a rapadura é doce, mas não é mole não, jacaré. O que teve de professor doutor rebolando pra se reenquadrar profissionalmente não foi brincadeira. Sorte das universidades públicas, que a cada ano se superam em pesquisas, ganharam laboratórios, ganharam isso e aquilo outro.
Quer sejam as pesquisas boas ou ruins, os artigos sejam festivais de citações ou recorta e cola. Quer seja isso e mais sei lá o quê que fere a qualidade da informação, eu vejo como algo muito positivo professores doutores tendo que arregaçar as mangas e fazer um qualquer algo. E digo mais, num país de não letrados como o nosso, também vejo como muito positivo este controle rígido da Capes em prol do aumento de produções acadêmicas. É que obriga muita gente que nunca esteve nem aí a estarem muito aí, e isso não tem preço. E mesmo que as pesquisas seja um fiasco, ou uma fraude, ler e escrever voltam a ocupar um papel interessante no sistema educacional. Que seja parte do Ensino Superior, então.
Infelizmente tem o lado negro da coisa. Estes mesmos professores doutores, no alto das concepções acadêmicas promovidas por titulações hierárquicas, já arrumaram atalhos. Publicam um mesmo artigo não sei quantas vezes, mas com título diferente. Publicam pesquisas em partes de I, II e III para ganharem na multiplicação das falácias, estas mesmas que até fazem corrente de autoria. Explico. Um pesquisador do grupo de estudos escreve um artigo, os outros 10 assinam, e no fim, haja espaço no currículo lattes desse povo todo com uma produção assim, tão exemplar quando todos os 11 pesquisadores terminarem seus textos e coisa e tal. E haja talento a ser reconhecido destes pesquisadores que em um mês conseguem publicar 10 artigos com assuntos correlatos mas absurdamente diferentes. É, porque há mesmo muita genialidade em fingir que se escreve, que se produz, que isso e que aquilo, quando a Capes finge que aceita, ou as FAPs, ou o CNPq ou qualquer órgão que o valha.
O bom é que todo sistema está aí para ser melhorado. Daí a minha birra: não gosta de como está, vai lá e muda. Só não me venha lotar minha caixa postal se achando o professor doutor rei da cocada preta, que o seu descredenciamento do programa é porque a Capes não te entende por trazer consigo critérios tão injustos. Ô coitado! Um bom analista lhe cairia bem, fique com este conselho que lhe dou de graça. Publicar ou perecer? Publicar o que for publicável e perecer quando se quiser.
E sempre aparece um alguém para comparar o país de cá com o país de lá. Aqui é assim, lá é de outro jeito e coisa e tal. Nesta última leva eu resolvi argumentar. É que eu estou cansada de ver um bando de professor doutor metendo o pau no sistema. Que o sistema é isso ou é aquilo outro, e vai-e-vem eu fico no meu cantinho pensando se não dá pra trocar o disco, se não daria para se fazer uma ação mais efetiva além destas destinadas à reclamação.
Eu, formada em esportes, entendo de regras. Entendo que o mundo não pode viver de um relativismo tosco de que tudo é permitido, e que depende só disso ou só daquilo. Então eu voto pela ética, pelos costusmes e pela moral. E voto pelo fim do relativismo. Mas sou a favor, notem bem, de ações eficazes que tenham propostas de mudanças efetivas porque eu também cansei do idealismo. Este é quase sempre pouco palpável devido a sua incretude.
Ações, inclusive àquelas das bolsas de valores, é o que me interessam. Eu também não concordo com parte dos critérios acadêmicos definidos pela Capes na sua classificação Qualis isso, Qualis aquilo outro. Mas eu sou capaz de ver o quê de mudanças as novas normas trouxeram aos professores doutores desavisados, aqueles que nos últimos 10 anos se viram obrigados a tirarem suas bundas da cadeira e a fazerem pesquisas para publicarem resultados novos. O que eu acho, no fim das contas, uma coisa mais do que justa: professor doutor pesquisador fazendo pesquisa, finalmente. É, a rapadura é doce, mas não é mole não, jacaré. O que teve de professor doutor rebolando pra se reenquadrar profissionalmente não foi brincadeira. Sorte das universidades públicas, que a cada ano se superam em pesquisas, ganharam laboratórios, ganharam isso e aquilo outro.
Quer sejam as pesquisas boas ou ruins, os artigos sejam festivais de citações ou recorta e cola. Quer seja isso e mais sei lá o quê que fere a qualidade da informação, eu vejo como algo muito positivo professores doutores tendo que arregaçar as mangas e fazer um qualquer algo. E digo mais, num país de não letrados como o nosso, também vejo como muito positivo este controle rígido da Capes em prol do aumento de produções acadêmicas. É que obriga muita gente que nunca esteve nem aí a estarem muito aí, e isso não tem preço. E mesmo que as pesquisas seja um fiasco, ou uma fraude, ler e escrever voltam a ocupar um papel interessante no sistema educacional. Que seja parte do Ensino Superior, então.
Infelizmente tem o lado negro da coisa. Estes mesmos professores doutores, no alto das concepções acadêmicas promovidas por titulações hierárquicas, já arrumaram atalhos. Publicam um mesmo artigo não sei quantas vezes, mas com título diferente. Publicam pesquisas em partes de I, II e III para ganharem na multiplicação das falácias, estas mesmas que até fazem corrente de autoria. Explico. Um pesquisador do grupo de estudos escreve um artigo, os outros 10 assinam, e no fim, haja espaço no currículo lattes desse povo todo com uma produção assim, tão exemplar quando todos os 11 pesquisadores terminarem seus textos e coisa e tal. E haja talento a ser reconhecido destes pesquisadores que em um mês conseguem publicar 10 artigos com assuntos correlatos mas absurdamente diferentes. É, porque há mesmo muita genialidade em fingir que se escreve, que se produz, que isso e que aquilo, quando a Capes finge que aceita, ou as FAPs, ou o CNPq ou qualquer órgão que o valha.
O bom é que todo sistema está aí para ser melhorado. Daí a minha birra: não gosta de como está, vai lá e muda. Só não me venha lotar minha caixa postal se achando o professor doutor rei da cocada preta, que o seu descredenciamento do programa é porque a Capes não te entende por trazer consigo critérios tão injustos. Ô coitado! Um bom analista lhe cairia bem, fique com este conselho que lhe dou de graça. Publicar ou perecer? Publicar o que for publicável e perecer quando se quiser.
Me dando (a) conta!

Como não estou no Congresso da Faculdade, hoje eu me torno oficialmente uma aluna de doutorado rebelde.
Estou contrariando o e-mail do orientador
(“todo aluno deve enviar trabalho ao congresso da faculdade”),
as normas da coordenação
(“todo aluno com bolsa deve obrigatoriamente participar dos eventos promovidos pela faculdade”)
e as expectativas do ex-amante
(com tanta ausência, só a mulher dele pode respirar em paz).
tetas da pós-graduação
Sob pena de “multa”, todos os alunos de pós-graduação deverão responder um questionário de Avaliação Interna. Gugu-Dadá.
Sob pena de “multa”, todos os alunos deverão enviar um resumo para o Congresso da Faculdade. Gugu-Dadá.
Sob pena de “multa”, todos os alunos deverão participar de todos os eventos organizados pela pós-graduação. Gugu-Dadá.
Cansei, cansei, cansei. Existe um eu nesta coisa toda "me dá chupeta que eu quero mamar"?.
Sob pena de “multa”, todos os alunos deverão enviar um resumo para o Congresso da Faculdade. Gugu-Dadá.
Sob pena de “multa”, todos os alunos deverão participar de todos os eventos organizados pela pós-graduação. Gugu-Dadá.
Cansei, cansei, cansei. Existe um eu nesta coisa toda "me dá chupeta que eu quero mamar"?.
de cima pra baixo
Enquanto eu vejo alguns colegas achando injusto a nota do programa de pós-graduação no qual estou inserida cair de 5 para 4 (num máximo de 7), eu vou somando negativamente os fatos. Acho que a minha conta até bate com a conta da Capes, do CNPq, do MEC, do Guia do Estudante e do que mais for contabilizador, medidor, avaliador, classificador, istaurador de um parâmetro comparativo com o que for. É preciso comparar sim, saber dos nossos pares e das relações políticas aí envolvidas. É preciso contextualizar, saber onde estamos inseridos e para onde pretendemos ir. E é preciso tudo isso porque é preciso fazer parte. É preciso pertencer e eu quero existir academicamente. Fazer sentido. Fazer diferença.
Tem 11 anos que eu estudo na mesma instituição. Graduação, Mestrado e, agora, Doutorado. Só que eu não estudei apenas nesta instituição. Perambulei por outras, em diversas áreas, cursos, institutos, faculdades. Fome de conhecimento. Necessidade de ir além, de contextualizar. Experimentar e poder comparar. Enriquecer os pensamentos com pensamentos contrários, distantes, próximos, diferentes, a contra-gosto. Compreender que viver academicamente num lugar só não é suficiente, é arreio de burro. Compreender que tudo aquilo que gira em torno do próprio eixo amargura a impossibilidade de se parir outra coisa, qualquer coisa que faça ir por onde não se foi. Compreender, enfim, o que fez a nota cair de 5 para 4, inclusive.
Cai a nota e lá vem aquele que está em cima cobrar quem está embaixo, fugindo das cagadas administradas. Foram anos sacrificando os mais fracos: corte de bolsa, compensações idiotas do tipo "ou você publica ou você está fora do programa" e por ai vai, a corda sempre explode em quem é menos. Explodiu comigo no mestrado. Para darem uma "guinada" no programa, fizeram uma limpa e todo mundo perdeu a bolsa quando virou o ano. Perdemos a bolsa mas o programa se enquadrou e teve sua nota aumentada de 4 para 5. Brilhante! Mas foda-se quem está embaixo. É quem está embaixo que se vê obrigado a escrever artigos de nível internacional para salvar a pele de quem está em cima. É quem está embaixo que, no Programa de Estágio Docente, dá a aula de quem está em cima. O de cima (orientador) manda e o de baixo (orientando) obedece numa negociata sem fim. É! Quem está embaixo tem mesmo é que dar pra quem está em cima. Por isso faz tanto sucesso uma rede endogâmica no Ensino Superior.
Agora a corda explodiu. A nota caiu de 5 para 4. E eu fico cá pensando com meus botões na obviedade da coisa. Quem está embaixo cansou de se foder, será? Ou foi mesmo esta política infantilizada do tipo gugu-dadá que ferrou de vez a coisa? Quer dizer, até quanto tempo os caras lá de cima acharam que a coisa "olha, eu sou o dono da bola" e eu tiro o doce da criança quando eu quiser iria funcionar num sistema um pouco mais amadurecido? E, convenhamos, a Pedagogia da Opressão já foi contestada tem tempos. Não cola mais. Quem está embaixo cresceu. Alôooo! Num sistema falido, onde o valor negociado é apenas um diploma, o exemplo daquele que está em cima é seguido à risca. Afinal, se o de cima não faz, porque é que eu, que estou embaixo, haveria de fazer? Então, aquele que está embaixo (e que só quer mesmo o diploma) liga o foda-se, descobriu que não é muito bom para este tanto de contabilidade ter, num programa de pós-graduação, alunos que se vão antes de terminar a dissertação ou tese. A nota cai. Rá! Viva a corda-bamba. E não é que o de baixo acaba tendo mais poder do que o de cima?
Eu sinceramente não me assusto com a contabilidade suicida do sistema acadêmico. Poderia enumerar uma série de situações sem sentido, e algumas delas não éticas, que fui submetida à contra-regra. E quando a coisa vai à contra-regra o bicho pega mesmo. Na veia da ética, da moral, da credibilidade etc e tal. É quando a coisa vira estupro e aquele que está embaixo acaba dando mesmo sem querer. Com o tempo se acostuma e se prostitui. Ou se prostitui mesmo sem se acostumar. O preço que se paga. E de cima pra baixo a nota cai. É o be-a-bá da coisa.
Tem 11 anos que eu estudo na mesma instituição. Graduação, Mestrado e, agora, Doutorado. Só que eu não estudei apenas nesta instituição. Perambulei por outras, em diversas áreas, cursos, institutos, faculdades. Fome de conhecimento. Necessidade de ir além, de contextualizar. Experimentar e poder comparar. Enriquecer os pensamentos com pensamentos contrários, distantes, próximos, diferentes, a contra-gosto. Compreender que viver academicamente num lugar só não é suficiente, é arreio de burro. Compreender que tudo aquilo que gira em torno do próprio eixo amargura a impossibilidade de se parir outra coisa, qualquer coisa que faça ir por onde não se foi. Compreender, enfim, o que fez a nota cair de 5 para 4, inclusive.
Cai a nota e lá vem aquele que está em cima cobrar quem está embaixo, fugindo das cagadas administradas. Foram anos sacrificando os mais fracos: corte de bolsa, compensações idiotas do tipo "ou você publica ou você está fora do programa" e por ai vai, a corda sempre explode em quem é menos. Explodiu comigo no mestrado. Para darem uma "guinada" no programa, fizeram uma limpa e todo mundo perdeu a bolsa quando virou o ano. Perdemos a bolsa mas o programa se enquadrou e teve sua nota aumentada de 4 para 5. Brilhante! Mas foda-se quem está embaixo. É quem está embaixo que se vê obrigado a escrever artigos de nível internacional para salvar a pele de quem está em cima. É quem está embaixo que, no Programa de Estágio Docente, dá a aula de quem está em cima. O de cima (orientador) manda e o de baixo (orientando) obedece numa negociata sem fim. É! Quem está embaixo tem mesmo é que dar pra quem está em cima. Por isso faz tanto sucesso uma rede endogâmica no Ensino Superior.
Agora a corda explodiu. A nota caiu de 5 para 4. E eu fico cá pensando com meus botões na obviedade da coisa. Quem está embaixo cansou de se foder, será? Ou foi mesmo esta política infantilizada do tipo gugu-dadá que ferrou de vez a coisa? Quer dizer, até quanto tempo os caras lá de cima acharam que a coisa "olha, eu sou o dono da bola" e eu tiro o doce da criança quando eu quiser iria funcionar num sistema um pouco mais amadurecido? E, convenhamos, a Pedagogia da Opressão já foi contestada tem tempos. Não cola mais. Quem está embaixo cresceu. Alôooo! Num sistema falido, onde o valor negociado é apenas um diploma, o exemplo daquele que está em cima é seguido à risca. Afinal, se o de cima não faz, porque é que eu, que estou embaixo, haveria de fazer? Então, aquele que está embaixo (e que só quer mesmo o diploma) liga o foda-se, descobriu que não é muito bom para este tanto de contabilidade ter, num programa de pós-graduação, alunos que se vão antes de terminar a dissertação ou tese. A nota cai. Rá! Viva a corda-bamba. E não é que o de baixo acaba tendo mais poder do que o de cima?
Eu sinceramente não me assusto com a contabilidade suicida do sistema acadêmico. Poderia enumerar uma série de situações sem sentido, e algumas delas não éticas, que fui submetida à contra-regra. E quando a coisa vai à contra-regra o bicho pega mesmo. Na veia da ética, da moral, da credibilidade etc e tal. É quando a coisa vira estupro e aquele que está embaixo acaba dando mesmo sem querer. Com o tempo se acostuma e se prostitui. Ou se prostitui mesmo sem se acostumar. O preço que se paga. E de cima pra baixo a nota cai. É o be-a-bá da coisa.
A Entrevista no Mestrado e Doutorado
Recebi um e-mail com a pergunta: QUAL O SEU CONSELHO PARA SE DAR BEM NA ENTREVISTA? Entevista aqui, refere-se à etapa final da candidatura para o mestrado e/ou doutorado.
De imediato, a minha tendência é responder em letras bem garrafais: É SÓ DIZER AQUILO QUE A BANCA, PRINCIPALMENTE O ORIENTADOR EM POTENCIAL, QUER OUVIR. E mantenho. A coisa vai mesmo por aí. Resta então saber o que é que a banca quer que você responda. Uma matemática bem simples, por sinal.
Vamos as conjecturas: o que, afinal, uma banca espera de um aluno de mestrado e doutorado?
1. Publicação. E com o nome do orientador a tira-colo, mesmo que ele não tenha participado do "paper" (artigo em revista especializada e indexada pelo Qualis-CNPq como "A Internacional", de preferência), do livro, do capítulo de livro etc e tal. Afinal, crê-se que o mundo acadêmico seja medido pelo número destas coisas que o programa têm (isso inclui produção acadêmica tanto de professores quanto de alunos). Muito mais o número do que a qualidade, embora já existam movimentos indo na direção inversa e que eu, particularmente, acho muito mais interessante. De qualquer forma, para a entrevista, como não você não dá murro em ponta de faca (eu, pelo menos, não recomendo), e independente de suas próprias crenças, é óbvio que você terá que ser categórico e deixar bastante claro que HAVERÁ DEDICAÇÃO EXCLUSIVA de sua parte ao programa. Entende-se por dedicação exclusiva aquele 100% de sua vida destinado ao programa. Se você trabalha, é como se você pudesse dizer que o seu sonho é a pós-graduação e que você não vê a hora de se livrar do emprego que tem para virar a mesa, escrever textos, pesquisar e produzir integralmente.
2. Subordinação Ideológica. Também é comum haverem questionamentos ideológicos, em termos de conhecimentos específicos e cientificos relacionados ao tema do seu projeto. É claro que seu projeto de Borboletas Azuis deve ser enviado à um professor que estuda Borboletas Azuis e não àquele professor que você acha que teria mais chances de debater Borboletas Azuis com você, mas que tem como alvo Cratera de Vulcões. Tentar convencer a banca de que Borboletas Azuis e Cratera de Vulcões são diferentes, mas têm mesma base cientifica é correr um risco desnecessário. Afinal, é o seu projeto que deve se adequar ao estudo do professor e não o contrário. E embora você ache que o encontro entre Borboletas Azuis e Crateras de Vulcões seja o melhor encontro do século em termos de ciência, revolucionário, inclusive, você pode sutilmente se esbarrar na insegurança do professor orientador. É que estes, na maioria das vezes, optam por fazerem o bom e velho feijão com arroz e, caso você não tenha encontrado o professor fora da regra (e onde vale o risco), vai esta dica que dou de graça: se o professor questionar sua lealdade acadêmica em relação à linha de pesquisa dele, certamente ele não estará querendo questionar o quanto revolucionário você é, mas o quanto de problema você vai levar para ele. É aí que um bom projeto (adequado ao que o cara pensa, inclusive inédito já que uma coisa não tem a ver com outra) com o mínimo de problemas é a melhor pedida para a futura relação orientador-orientando. Veja bem, não é porque você quer mudar o mundo que aquele cara, o único que pode ter um tema a ver com o seu, vai querer mudar o mundo também. Por isso que eu digo: é muito importante saber quem é o possível orientador, o que ele pensa sobre o mundo acadêmico e qual é a posição dele frente ao tema que você está querendo abordar no seu projeto. Neste sentido, é fácil deduzir que um candidato que, no ano anterior, teve conversas de cantina habituais com o possível orientador está bem mais à frente do que aquele que está encontrando o cara pela primeira vez no dia da entrevista.
3. Confiança e Autonomia. É de bom tom você deixar claro que você é o candidato ideal para aquela vaga, e nos moldes exatos que eles estão oferecendo. Se o sistema funciona desde sempre do mesmo jeito não é você quem vai declarar, no dia da entrevista, sua inadequação a ele ou à periferia que o envolve. Isso é suicídio e só vale caso o professor orientador também seja um suicida em potencial, o que eu duvido. E como nem você e nem o professor em potencial são declaradamente suicidas, faz o maior sentindo você se mostrar confiável, que não vai deixá-lo na mão em nenhum momento do curso. Isso inclui sua capacidade de autonomia na resolução de problemas, caso o professor orientador tenha que se ausentar durante um tempo. Independente de qualquer coisa é importante deixar claro (caso você seja questionado) que você vai entregar as coisas no prazo estabelecido no cronograma do seu projeto, e se possível antes (e você espera que seja antes, que o prazo que você colocou já conta com estes possíveis imprevistos etc e tal). Geralmente a questão tempo é levantada nas entrevistas. A banca vai bater nesta tecla porque há uma pressão institucional em relação a isso. O programa de pós-graduação ganha mais recursos financeiros quanto menos tempo ele gastar com cada aluno inscrito.
4. Argumentação. Seu projeto será questionado no dia da entrevista. É preciso que você saiba dominá-lo integralmente, juntamente com assuntos paralelos ou antagônicos. Quer dizer, se você quer fazer mestrado e doutorado, obviamente você perderá pontos caso não saiba contextualizar seu projeto de acordo com diversas linhas de pesquisa, posicionando-o contra ou a favor etc e tal. O detalhe, aqui, é que os seus argumentos devem bater com os argumentos da banca. Repito, querer mudar o mundo logo no dia da entrevista não é uma boa idéia. E neste ponto é de bom tom reler as dicas acima porque fatalmente uma coisa tem a ver com outra.
A última observação que faço, em termos de entrevista, é básica: diga o essencial. Ou seja, responda consistentemente apenas aquilo que lhe foi perguntado. Não é necessário correr o risco de vender lebre por gato, você pode se embananar todo e se queimar sem necessidade. Tenha bom senso e encare o processo como um jogo cheio de regras. Lembre-se de que algumas destas regras estão escritas e outras são subjetivas. E lembre-se também que a entrada no mestrado e no doutorado envolve relações afetivas e subjetividade. Nada é tão frio assim quanto parece, afinal é nesta suposta relação orientador-orientando que o processo se desenvolverá.
Desta feita, não basta você ser o melhor acadêmico do mundo, mas a melhor opção para o orientador em questão.
De imediato, a minha tendência é responder em letras bem garrafais: É SÓ DIZER AQUILO QUE A BANCA, PRINCIPALMENTE O ORIENTADOR EM POTENCIAL, QUER OUVIR. E mantenho. A coisa vai mesmo por aí. Resta então saber o que é que a banca quer que você responda. Uma matemática bem simples, por sinal.
Vamos as conjecturas: o que, afinal, uma banca espera de um aluno de mestrado e doutorado?
1. Publicação. E com o nome do orientador a tira-colo, mesmo que ele não tenha participado do "paper" (artigo em revista especializada e indexada pelo Qualis-CNPq como "A Internacional", de preferência), do livro, do capítulo de livro etc e tal. Afinal, crê-se que o mundo acadêmico seja medido pelo número destas coisas que o programa têm (isso inclui produção acadêmica tanto de professores quanto de alunos). Muito mais o número do que a qualidade, embora já existam movimentos indo na direção inversa e que eu, particularmente, acho muito mais interessante. De qualquer forma, para a entrevista, como não você não dá murro em ponta de faca (eu, pelo menos, não recomendo), e independente de suas próprias crenças, é óbvio que você terá que ser categórico e deixar bastante claro que HAVERÁ DEDICAÇÃO EXCLUSIVA de sua parte ao programa. Entende-se por dedicação exclusiva aquele 100% de sua vida destinado ao programa. Se você trabalha, é como se você pudesse dizer que o seu sonho é a pós-graduação e que você não vê a hora de se livrar do emprego que tem para virar a mesa, escrever textos, pesquisar e produzir integralmente.
2. Subordinação Ideológica. Também é comum haverem questionamentos ideológicos, em termos de conhecimentos específicos e cientificos relacionados ao tema do seu projeto. É claro que seu projeto de Borboletas Azuis deve ser enviado à um professor que estuda Borboletas Azuis e não àquele professor que você acha que teria mais chances de debater Borboletas Azuis com você, mas que tem como alvo Cratera de Vulcões. Tentar convencer a banca de que Borboletas Azuis e Cratera de Vulcões são diferentes, mas têm mesma base cientifica é correr um risco desnecessário. Afinal, é o seu projeto que deve se adequar ao estudo do professor e não o contrário. E embora você ache que o encontro entre Borboletas Azuis e Crateras de Vulcões seja o melhor encontro do século em termos de ciência, revolucionário, inclusive, você pode sutilmente se esbarrar na insegurança do professor orientador. É que estes, na maioria das vezes, optam por fazerem o bom e velho feijão com arroz e, caso você não tenha encontrado o professor fora da regra (e onde vale o risco), vai esta dica que dou de graça: se o professor questionar sua lealdade acadêmica em relação à linha de pesquisa dele, certamente ele não estará querendo questionar o quanto revolucionário você é, mas o quanto de problema você vai levar para ele. É aí que um bom projeto (adequado ao que o cara pensa, inclusive inédito já que uma coisa não tem a ver com outra) com o mínimo de problemas é a melhor pedida para a futura relação orientador-orientando. Veja bem, não é porque você quer mudar o mundo que aquele cara, o único que pode ter um tema a ver com o seu, vai querer mudar o mundo também. Por isso que eu digo: é muito importante saber quem é o possível orientador, o que ele pensa sobre o mundo acadêmico e qual é a posição dele frente ao tema que você está querendo abordar no seu projeto. Neste sentido, é fácil deduzir que um candidato que, no ano anterior, teve conversas de cantina habituais com o possível orientador está bem mais à frente do que aquele que está encontrando o cara pela primeira vez no dia da entrevista.
3. Confiança e Autonomia. É de bom tom você deixar claro que você é o candidato ideal para aquela vaga, e nos moldes exatos que eles estão oferecendo. Se o sistema funciona desde sempre do mesmo jeito não é você quem vai declarar, no dia da entrevista, sua inadequação a ele ou à periferia que o envolve. Isso é suicídio e só vale caso o professor orientador também seja um suicida em potencial, o que eu duvido. E como nem você e nem o professor em potencial são declaradamente suicidas, faz o maior sentindo você se mostrar confiável, que não vai deixá-lo na mão em nenhum momento do curso. Isso inclui sua capacidade de autonomia na resolução de problemas, caso o professor orientador tenha que se ausentar durante um tempo. Independente de qualquer coisa é importante deixar claro (caso você seja questionado) que você vai entregar as coisas no prazo estabelecido no cronograma do seu projeto, e se possível antes (e você espera que seja antes, que o prazo que você colocou já conta com estes possíveis imprevistos etc e tal). Geralmente a questão tempo é levantada nas entrevistas. A banca vai bater nesta tecla porque há uma pressão institucional em relação a isso. O programa de pós-graduação ganha mais recursos financeiros quanto menos tempo ele gastar com cada aluno inscrito.
4. Argumentação. Seu projeto será questionado no dia da entrevista. É preciso que você saiba dominá-lo integralmente, juntamente com assuntos paralelos ou antagônicos. Quer dizer, se você quer fazer mestrado e doutorado, obviamente você perderá pontos caso não saiba contextualizar seu projeto de acordo com diversas linhas de pesquisa, posicionando-o contra ou a favor etc e tal. O detalhe, aqui, é que os seus argumentos devem bater com os argumentos da banca. Repito, querer mudar o mundo logo no dia da entrevista não é uma boa idéia. E neste ponto é de bom tom reler as dicas acima porque fatalmente uma coisa tem a ver com outra.
A última observação que faço, em termos de entrevista, é básica: diga o essencial. Ou seja, responda consistentemente apenas aquilo que lhe foi perguntado. Não é necessário correr o risco de vender lebre por gato, você pode se embananar todo e se queimar sem necessidade. Tenha bom senso e encare o processo como um jogo cheio de regras. Lembre-se de que algumas destas regras estão escritas e outras são subjetivas. E lembre-se também que a entrada no mestrado e no doutorado envolve relações afetivas e subjetividade. Nada é tão frio assim quanto parece, afinal é nesta suposta relação orientador-orientando que o processo se desenvolverá.
Desta feita, não basta você ser o melhor acadêmico do mundo, mas a melhor opção para o orientador em questão.
Primavera Educacional
Toda primavera é igual para o Ensino Superior. É quando chegam as respostas das avaliações institucionais. Tem o Enade, tem o exame da OAB, e por aí vai, sempre rola um exame de consciência. É quando a ruindade do sistema educacional brasileiro só se confirma, como todos os anos e, como todos os anos, nada muda. Nada muda, mas a gente fala sobre ele, sobre o que está ruim nele, sobre nossa indignação, sobre o que poderia ser melhorado. E todo ano, ou as coisas se mantém, ou pioram. Alguns poucos projetos deram resultados, mas nem isso a gente não vê na tv de massas, o que é uma pena, porque com mais gente vendo as coisas boas, mais as coisas boas poderiam ser copiadas. Como só tem notícia ruim nos jornais televisionados (quem lê jornal impresso?), mais a ruindade é copiada. Se um ladrão teve uma idéia inteligente, outro pode copiá-lo. E assim vão se abrindo túneis de ignorância pelo país. É que a televisão também diz, que além da educação, nossa polícia não presta, nossa política não presta, nossa sociedade é mesmo uma pindaíba.
Toda primavera é igual para o Ensino Superior. É quando se iniciam as propagandas de faculdades, universidades e institutos nas mídias digital, impressa e falada. Até hoje chega a minha casa opções de onde eu poderia estudar dentre todas as melhores universidades do país, e quase todas as faculdades, universidades e institutos - que fazem propaganda - estão entre as melhores do país, pelo menos em alguma coisa. São faculdades, universidades e institutos que sabem trabalhar com os números de todas as avaliações que sofrem, até com as estrelinhas do guia do estudante. E como são muitas as avaliações, sempre sobra um número favorável para algum curso em específico, mas que no reclame eles generalizam para todos os outros, que ficam igualmente favorecidos. E quando não é este o caso, eles contratam gente de peso para falar. Eu, sinceramente, estou com raiva da Fernanda Montenegro que anda apoiando uma instituição aí, junto com o Pedro Mariano. Bah! Eles não sabem o que dizem. Só quem está dentro pode dizer.
Toda primavera é igual para o Ensino Superior. É quando o vestibular surge como um bicho de sete cabeças e os jovens são bombardeados de lá pra cá, de cá pra lá, e é quando as faculdades, universidades e institutos começam a somar seus lucros. Se há poucos inscritos, fazem propaganda para aumentar. E todo ano se pensa em bater o recorde. Aumentar o número de alunos por turma, aumentar o número de turmas com o número aumentado de alunos. E somos nós, professores, que cortamos um dobrado. Encaramos 30 horas por semana em salas de aulas com o mínimo de 80 alunos, que é o padrão vigente das universidades, faculdades e institutos.
E toda primavera é a mesma para os professores do Ensino Superior. É quando as instituições reavaliam os seus planos de carreira e diminuem o valor da hora-aula do professor que por lá ingressará no próximo verão.
Um brinde à pindaíba, um brinde aos meus cento e poucos alunos por turma e aos setecentos e poucos alunos que eu vejo por semana, e que eu não sei o nome (o meu, qual é mesmo?). Um brinde!
Toda primavera é igual para o Ensino Superior. É quando se iniciam as propagandas de faculdades, universidades e institutos nas mídias digital, impressa e falada. Até hoje chega a minha casa opções de onde eu poderia estudar dentre todas as melhores universidades do país, e quase todas as faculdades, universidades e institutos - que fazem propaganda - estão entre as melhores do país, pelo menos em alguma coisa. São faculdades, universidades e institutos que sabem trabalhar com os números de todas as avaliações que sofrem, até com as estrelinhas do guia do estudante. E como são muitas as avaliações, sempre sobra um número favorável para algum curso em específico, mas que no reclame eles generalizam para todos os outros, que ficam igualmente favorecidos. E quando não é este o caso, eles contratam gente de peso para falar. Eu, sinceramente, estou com raiva da Fernanda Montenegro que anda apoiando uma instituição aí, junto com o Pedro Mariano. Bah! Eles não sabem o que dizem. Só quem está dentro pode dizer.
Toda primavera é igual para o Ensino Superior. É quando o vestibular surge como um bicho de sete cabeças e os jovens são bombardeados de lá pra cá, de cá pra lá, e é quando as faculdades, universidades e institutos começam a somar seus lucros. Se há poucos inscritos, fazem propaganda para aumentar. E todo ano se pensa em bater o recorde. Aumentar o número de alunos por turma, aumentar o número de turmas com o número aumentado de alunos. E somos nós, professores, que cortamos um dobrado. Encaramos 30 horas por semana em salas de aulas com o mínimo de 80 alunos, que é o padrão vigente das universidades, faculdades e institutos.
E toda primavera é a mesma para os professores do Ensino Superior. É quando as instituições reavaliam os seus planos de carreira e diminuem o valor da hora-aula do professor que por lá ingressará no próximo verão.
Um brinde à pindaíba, um brinde aos meus cento e poucos alunos por turma e aos setecentos e poucos alunos que eu vejo por semana, e que eu não sei o nome (o meu, qual é mesmo?). Um brinde!
Encontro de Amigos
É, 2007 está chegando com tudo. Inclusive com as demissões. Até parece piada nas mesas dos bares, mais ou menos assim:
- Fer, sabe o que me aconteceu na faculdade?
- O que?
- Fui exonerada!
- É?!?! E qual foi o motivo?
- Não sei, não tem motivos e não me alegaram motivo algum. Deve ter sido por conta política, enquanto eu sou militante de um partido, a prefeitura é de outro.
... Minutos Depois ...
- Você tem notícias do Fulano?
- Ah, foi mandando embora também, ele e mais 4. Estão recontratando professores para o plano de carreira atual, ele era do plano antigo.
... E por aí vai ...
Lembro que no início de 2006 fui contratada numa instituição com salário de especialista, embora eu seja mestre, porque existia um tal de Plano de Carreira. 29 reais o valor da hora-aula. Mas mudaram o tal do Plano de Carreira e no meio do ano este valor de ingressante caiu para 22. E tanto faz se você é graduado, especialista, mestre ou doutor. Tanto faz. Tanto faz quem é o professor. O que é quase um dane-se! Daí, na mesa do bar, quando me perguntam quais sãos meus planos para 2007, já que eu também estou fora do Ensino Superior, com certeza tenho uma sensação de alívio. Agora se os planos de carreira e mulher independente não derem certo, em tempos de crise, pulo para o plano de emergência: me caso!
- Fer, sabe o que me aconteceu na faculdade?
- O que?
- Fui exonerada!
- É?!?! E qual foi o motivo?
- Não sei, não tem motivos e não me alegaram motivo algum. Deve ter sido por conta política, enquanto eu sou militante de um partido, a prefeitura é de outro.
... Minutos Depois ...
- Você tem notícias do Fulano?
- Ah, foi mandando embora também, ele e mais 4. Estão recontratando professores para o plano de carreira atual, ele era do plano antigo.
... E por aí vai ...
Lembro que no início de 2006 fui contratada numa instituição com salário de especialista, embora eu seja mestre, porque existia um tal de Plano de Carreira. 29 reais o valor da hora-aula. Mas mudaram o tal do Plano de Carreira e no meio do ano este valor de ingressante caiu para 22. E tanto faz se você é graduado, especialista, mestre ou doutor. Tanto faz. Tanto faz quem é o professor. O que é quase um dane-se! Daí, na mesa do bar, quando me perguntam quais sãos meus planos para 2007, já que eu também estou fora do Ensino Superior, com certeza tenho uma sensação de alívio. Agora se os planos de carreira e mulher independente não derem certo, em tempos de crise, pulo para o plano de emergência: me caso!
Enquadramento
Tem tempos que órgãos como a CAPES, o CNPq, a FAPESP entre outros vêm enquadrando os professores. Somando-os, diminuindo-os, julgando-os. O CNPq é o mais presente porque é ligado ao governo. E nos últimos anos a coisa esquentou, disseram que 30% dos professores nas universidades deveriam ser, no mínimo, mestre; e deste número também atribuiram um caraga aos doutores. Isso é bom porque as universidades particulares tiveram que se preocupar com seu quadro docente. É ruim porque estas mesmas universidades estão diminuindo o salário dos professores (doutores são mais caros do que graduados) e estão, também, aumentando a carga horária dos que permanecem. Notem que carga horária em universidade particular é carga horária em sala de aula. As leis dizem que um professor deveria trabalhar, no máximo, 30 horas por semana em sala de aula. Tenho muitos amigos que estão muito além disso (dão aulas em mais de uma instituição). Estão sem voz, inclusive. Tem outra lei que diz que as turmas não deveriam passar de 50 alunos, que após isso o professor ganharia um somatório por cabeça. Ou seja, os professores que trabalham com 100 alunos em sala de aula deveriam receber o dobro. Mas andam demitindo os professores para recontratá-los a preços mais baixos. 5 reais a menos na hora aula de um professor faz mesmo muita diferença (é como reajustar as tarifas do transporte público). Faz diferença para o professor e não para a instituição. Esta poderia economizar em águá, investir em reciclagem, montar outras frentes de economia e cuidar um pouquinho mais da qualidade. Quer dizer, são os professores que sustentam uma instituição de ensino. Se não são bons não há aprendizado. Óbvio, os professores passam uma imagem. Por exemplo, o cara da banca que se levantou na minha entrevista de doutorado e foi atender ao telefone como se eu não existisse não teve uma ação ética e feriu a imagem da instituição que representa porque eu passei a não ver vantagens em se estudar lá. Não com um professor imbecil como este. É claro que só estou esperando virar o ano para escrever uma carta aberta, porque pessoas como esta devem responder pelos seus atos. E carta com nome e sobrenome pode vir a ser um problema. O problema que eu vejo é que, academicamente, as pessoas se bajulam (quando deveriam se enfrentar, mas no bom sentido, claro!). Daí que surgem estes abusos de poder. Muita gente da minha área questiona ações do CNPq e cia. Eu acho que estas ações têm mais pontos positivos do que pontos negativos, principalmente no que diz respeito aos programas de pós-graduação. Fez muito professor levantar a bunda da cadeira e fazer coisas. Se estavam acostumados a não fazerem pesquisas ou a publicarem qualquer coisa, agora eles têm que fazer coisas (uma só não basta!), e de qualidade! Têm que publicar internacionalmente e internacionalmente as regras da ciências são mais rígidas. Por certo que mesmo assim aparece muita coisa ruim, mas que esta rigidez eleva o nível das pesquisas nacionais e em muitas ocasiões as transformam em ações sociais, ou deveriam. Olhando a perspectiva mais funcional da coisa, se 70% do país é analfabeto funcional, os centros de pesquisas têm mesmo muito com o que se preocuparem. Ou podemos continuar com a nossa bunda na frente da televisão e achar coisa normal os políticos aumentarem seus próprios salários em quase 100%, de 7 mil para 14 mil.
Mais um semestre
Está chegando o fim de ano, mais um semestre se passou. Notas que vão sendo entregues, provas finalizadas. Alunos de exame ou DP. Coisas do dia-a-dia mesmo. Professores sendo demitidos antes do natal e pelos correios. Motivo: custam caro para a instituição, então vão contratar mão-de-obra mais barata. Meus alunos acham que professores universitários ganham bem, mas eu tenho muitos alunos que ganham muito mais do que eu. Eu fico pensando se algum dia o país vai melhorar o salário dos professores e investir, de fato, em educação. Paliativos como as cotas, sinceramente, me irritam. Não as cotas, os paliativos mesmo, como a tal da aprovação automática. Um crime! Estão brincando com minha vida, estão me transformando na piada do dia e eu estou mesmo é querendo chegar logo com os dois pés no peito. Na porrada!
Na Era Qualis

Na era Qualis tudo depende do ponto de vista, e da gramática, claro! Tomemos como exemplo a revista digital "Lecturas en Educación Física y Deportes", que nos chega à web via Buenos Aires. Sua classificação no sistema Qualis (triênio 2004-2006) é a seguinte:
A internacional para quem é Multidisciplinar;
C internacional para quem é da Educação;
B nacional para quem é da História;
C nacional para quem é da Educação Física.
Diante disso, cada um se coloca onde quer... eu sou multidisciplinar, com certeza, e é só uma questão de gramática, já que a minha Educação Física não é apenas biológica. E a sua Educação Física, o que é?
Em Tempo:
Criado para atender a necessidades específicas do sistema de avaliação, o Qualis é o resultado do processo de classificação de periódicos, anais, jornais e revistas utilizados pelos programas de pós-graduação para a divulgação da produção intelectual de seus docentes e alunos. As categorias indicam a qualidade e o âmbito de circulação das publicações em local, nacional ou internacional.
Menos 10
Quem acompanha este blog já deve ter notado que eu estou em guerra, lutando por uma vaga no doutorado. E quem acompanha este blog também já deve saber que no ano passado eliminaram a banca do meu processo de ingresso ao doutorado, tornando o processo visivelmente anti-ético e suscetível a questionamentos, e é justamente por isso que eu ando com os dois pés atrás. É cruel você ter certeza que seu currículo é melhor, sua dissertação de mestrado é melhor e que seu projeto de doutorado está redondinho, a cara do orientador. Você estuda borboletas azuis e o orientador estuda borboletas azuis. E no tal do processo sem banca e que, portanto, feriu o edital tornando-o ilícito, não é que o professor resolveu estudar mariposas vermelhas? Tá, estou sendo sutil, mas quem é do ramo acadêmico sabe que fica meio estranho (para não dizer suspeito) um cara que estuda futebol orientar alguém que só estudou balé clássico na vida, embora ambos tenham como fundo o esporte, ou sua pedagogia. E fica mais estranho ainda quando este mesmo cara te diz, no dia da entrevista sem banca:
1. Que a pessoa que estuda mariposas vermelhas têm mais a ver com ele do que você (e daí ele desconsidera todos os anos nos quais você trabalhou no projeto dele de borboletas azuis);
2. Que com ele é assim que a coisa funciona, que no próximo concurso quem vai entrar no mestrado é o Fulano (pelo menos este também estuda borboletas azuis), pronto e acabou.
A pergunta que fica é: para quê concurso, processo seletivo ou coisa que o valha diante de um processo tão ilegítimo como este? Pelo menos tem programa de pós-graduação que é mais honesto. Que lhe pede no ato de inscrição uma carta do possível orientador contendo um aval para seu projeto. Muito mais honesto, com certeza. Tá, tá bom, eu não tenho mais nada a ver com esse cara ai de cima e, convenhamos, cada um com sua ética. Confesso que, depois disso, a minha ficou abalada.
De qualquer forma posso dizer que, mesmo eu estando com os dois pés atrás, hoje eu estou mais forte do que nunca. Me sinto assim porque professores candidatos a orientadores, gente que eu nunca vi antes, selecionaram meu projeto num conjunto onde foram barrados cerca de 50% dos que se inscreveram. Claro que eu fiquei feliz e me empolguei. Quer dizer, no mínimo eles querem me ouvir e no mínimo eu já bati 10 candidatos, e isso significa:
1. Que o processo seletivo é honesto;
2. Que eles não me dirão que eu estou lhes causando grande problema participando do processo seletivo (que é público) como eu ouvi na ocasião do ano que se passou.
Sinceramente, e nem sei se é ou não uma questão de orgulho, mas se eu passar por este terá sido por mérito exclusivamente meu, o que me gratifica saber e me permite deitar a cabeça no travesseiro e dormir todas as noites. Só para concluir, eu gostaria de dizer ao cara das borboletas azuis que não, não fui eu quem lhe causou tanto mal como poucas pessoas lhe fizeram na vida (palavras dele), mas sim, foram os resultados de seus próprios atos. São eles que nos deixam sem dormir.
1. Que a pessoa que estuda mariposas vermelhas têm mais a ver com ele do que você (e daí ele desconsidera todos os anos nos quais você trabalhou no projeto dele de borboletas azuis);
2. Que com ele é assim que a coisa funciona, que no próximo concurso quem vai entrar no mestrado é o Fulano (pelo menos este também estuda borboletas azuis), pronto e acabou.
A pergunta que fica é: para quê concurso, processo seletivo ou coisa que o valha diante de um processo tão ilegítimo como este? Pelo menos tem programa de pós-graduação que é mais honesto. Que lhe pede no ato de inscrição uma carta do possível orientador contendo um aval para seu projeto. Muito mais honesto, com certeza. Tá, tá bom, eu não tenho mais nada a ver com esse cara ai de cima e, convenhamos, cada um com sua ética. Confesso que, depois disso, a minha ficou abalada.
De qualquer forma posso dizer que, mesmo eu estando com os dois pés atrás, hoje eu estou mais forte do que nunca. Me sinto assim porque professores candidatos a orientadores, gente que eu nunca vi antes, selecionaram meu projeto num conjunto onde foram barrados cerca de 50% dos que se inscreveram. Claro que eu fiquei feliz e me empolguei. Quer dizer, no mínimo eles querem me ouvir e no mínimo eu já bati 10 candidatos, e isso significa:
1. Que o processo seletivo é honesto;
2. Que eles não me dirão que eu estou lhes causando grande problema participando do processo seletivo (que é público) como eu ouvi na ocasião do ano que se passou.
Sinceramente, e nem sei se é ou não uma questão de orgulho, mas se eu passar por este terá sido por mérito exclusivamente meu, o que me gratifica saber e me permite deitar a cabeça no travesseiro e dormir todas as noites. Só para concluir, eu gostaria de dizer ao cara das borboletas azuis que não, não fui eu quem lhe causou tanto mal como poucas pessoas lhe fizeram na vida (palavras dele), mas sim, foram os resultados de seus próprios atos. São eles que nos deixam sem dormir.
E na distração...

No final a gente descobre que as coisas são bem simples (e como!). É como aquela cervejinha que a gente toma fim de tarde com os amigos, de papo pro ar. Lá pelas tantas, uma piadinha para aliviar, distrair, tirar o peso. Desta vez o assunto foi meu ingresso no doutorado, ou a tentativa de.
(amigo) - Um cara de lá disse que o processo seletivo é honesto e muito bem feito.
(eu) - Hum, você não é o primeiro que me diz isso.
(amigo) - Tem análise de currículo e de projeto antes, não tem?
(eu) - Sim, tem uma pontuação de currículo etc e tal. E também sei que tem um cara que estará concorrendo e que tem um currículo melhor que o meu. O projeto eu não sei.
(amigo) - A sua foto deve ser melhor que a do concorrente.
(eu) - É uma baita diferença. Vou de vestido para a entrevista?
(amigo) - Humm, acho que sim!
(eu) - Então amanhã vou sair para comprar um.
E na coordenação...

Sempre vale pensar os e-mails da coordenação. Porque sempre que eu os leio, tenho a sensação de que as coisas poderiam ser diferentes.
"Diferente do procedimento que vínhamos fazendo até o semestre passado, o aluno, cujo nome não consta da relação do Mapa de Notas da Secretaria, NÃO DEVE TER SUA PROVA CORRIGIDA E SUA NOTA NÃO DEVE SER LANÇADA EM NENHUM MAPA. Neste caso, o Professor deve entregar a avaliação SEM CORREÇÃO à secretaria da unidade. A secretaria deverá verificar a situação de matrícula do aluno. Caso o aluno esteja matriculado, a secretaria deverá devolvera prova para correção e lançamento da nota por parte do professor. Caso o aluno não esteja matriculado, sua avaliação será arquivada, SEM CORREÇÃO, no prontuário."
E da série "produção em massa"...
Tá, hoje foi um bom dia, embora eu tenha madrugado ao acordar às 8 horas. O que é quase um disparate, levando em consideração que, comumente, levanto às 13. Não, eu não durmo tanto quanto se possa imaginar, embora eu não me importasse em durmir o dia todo caso o corpo não latejasse. De repente é só uma questão de costume, sei lá.
Mesmo assim, sonolenta, hoje foi um bom dia porque eu fui dar uma paletra sobre Psicanálise e Esporte. E foi ótimo. Quer dizer, não fosse pelo desejo, teria havido mesmo um disparate porque eu repeti a mesma pelestra três vezes: pra turma da manhã, pra turma da tarde, pra turma da noite. É a famosa produção em série do Ensino Superior. Então, na última palestra (ou repetição), vem o coordenador falando:
- olha, no mínimo eu garanto seu certificado, não sei se te serve pra alguma coisa.
- três, respondi eu: um pra turma da manhã, um com nome diferente pra turma da tarde e outro pra turma da noite.
Quer dizer, eu também acho que não serve pra lá grande coisa, mas se o CNPq anda contabilizando os professores eu é que não vou estar de fora. Nesta corrida maluca lá se vai pouco mais de uma centena de certificados, fora aqueles que eu deveria ter e não peguei. É que depois do décimo, ou do vigésimo, ou sei lá em qual número, a gente releva uma ou outra participação em congresso, até mesmo uma palestra meio nada a ver que a gente dá meio por acaso e por conta dos amigos.
Mas nada disso! Hoje eu quero mesmo é ser contabilizada. Quero colecionar certificados! E eu já sei o que fazer com eles quando eu for dona do meu nariz. Eu vou pegá-los, um por um, e vou grudá-los de modo a fazer um grande mosaico na parede do meu escritório (naquele escritório que um dia eu vou ter naquela casa que um dia eu vou construir quando eu começar a ganhar mais do que 25 reais a hora-aula). Tipo découpage (é que recorta e cola agora tem nome francês). Sim! Vou passar cola, um por um, e vou grudá-los aleatoriamente na parede. Uma galeria, de libertação talvez. Uma instalação artística ou um protesto silencioso, talvez.
Depois eu vou passar um verniz por cima para envelhecer o papel (amarelá-los) e para contrapor ao tom do verde que vai estar na parede. Vai ser legal porque vai dar jogo com os móveis (madeira nobre, ecologicamente extraída da natureza) e com as estantes onde estarão alojados meus livros. E também vai combinar com o painel em macramé (trabalho feito com nós, fios, barbante e cordas) que eu estou imaginando fazer para cobrir a janela e tapar um pouco a luminosidade do sol. Até com a tapeçaria vai combinar, e com a poltrona de leitura, esta feita de couro envelhecido, tingido de vermelho.
Então eu deixarei de ser mais um número, de ser contabilizada.
Mesmo assim, sonolenta, hoje foi um bom dia porque eu fui dar uma paletra sobre Psicanálise e Esporte. E foi ótimo. Quer dizer, não fosse pelo desejo, teria havido mesmo um disparate porque eu repeti a mesma pelestra três vezes: pra turma da manhã, pra turma da tarde, pra turma da noite. É a famosa produção em série do Ensino Superior. Então, na última palestra (ou repetição), vem o coordenador falando:
- olha, no mínimo eu garanto seu certificado, não sei se te serve pra alguma coisa.
- três, respondi eu: um pra turma da manhã, um com nome diferente pra turma da tarde e outro pra turma da noite.
Quer dizer, eu também acho que não serve pra lá grande coisa, mas se o CNPq anda contabilizando os professores eu é que não vou estar de fora. Nesta corrida maluca lá se vai pouco mais de uma centena de certificados, fora aqueles que eu deveria ter e não peguei. É que depois do décimo, ou do vigésimo, ou sei lá em qual número, a gente releva uma ou outra participação em congresso, até mesmo uma palestra meio nada a ver que a gente dá meio por acaso e por conta dos amigos.
Mas nada disso! Hoje eu quero mesmo é ser contabilizada. Quero colecionar certificados! E eu já sei o que fazer com eles quando eu for dona do meu nariz. Eu vou pegá-los, um por um, e vou grudá-los de modo a fazer um grande mosaico na parede do meu escritório (naquele escritório que um dia eu vou ter naquela casa que um dia eu vou construir quando eu começar a ganhar mais do que 25 reais a hora-aula). Tipo découpage (é que recorta e cola agora tem nome francês). Sim! Vou passar cola, um por um, e vou grudá-los aleatoriamente na parede. Uma galeria, de libertação talvez. Uma instalação artística ou um protesto silencioso, talvez.
Depois eu vou passar um verniz por cima para envelhecer o papel (amarelá-los) e para contrapor ao tom do verde que vai estar na parede. Vai ser legal porque vai dar jogo com os móveis (madeira nobre, ecologicamente extraída da natureza) e com as estantes onde estarão alojados meus livros. E também vai combinar com o painel em macramé (trabalho feito com nós, fios, barbante e cordas) que eu estou imaginando fazer para cobrir a janela e tapar um pouco a luminosidade do sol. Até com a tapeçaria vai combinar, e com a poltrona de leitura, esta feita de couro envelhecido, tingido de vermelho.
Então eu deixarei de ser mais um número, de ser contabilizada.
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