Andando pra trás?

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De cara eu caí na pós-graduação. Antes eu só havia ministrado um curso de extensão. Com um ano de formada, eu não era nada, eu não tinha título, nem especialização nem mestrado, apenas muita coragem. Foi com esta coragem que eu segui em frente. Outros cursos vieram, mas eu sentia que me faltava traquejo, que era hora de eu ser mais pé no chão e ir lecionar na graduação.

Isso já tem 3 anos. Tem 3 anos que o capitalismo do ensino superior me tem feito andar para trás. E foi uma opção minha, que eu não lamento mas que penso em abandonar, seriamente. Se já tem um ano que não dou mais aulas na pós, estou andando para trás.

Estou andando para trás porque - em uma das faculdades que leciono - o professor é um número. Se ele tem mestrado, é um número alto. Se tem doutorado, é um número absurdo. A coordenação não quer saber, nem dos professores, nem dos alunos. Neste semestre me assassinaram, acabaram com a seqüência do meu projeto educacional quando me tiraram de uma turma, da minha turma. Mas me precisavam para tapar buracos, que não estou a fim. Tem 3 anos que eu estou tapando buracos e tem 3 anos que eu estou andando para trás.

Mas eu cansei de ser palhaço neste mundo acadêmico. Cansei de andar para trás. Então eu liguei pro coordenador e lhe disse que ficaria muito agradecida se ele me mandasse embora no fim do ano. Eu quero andar para frente, fazer doutorado (e estou apostando nele!). Então me disseram que era bobagem, que as universidades não contratam doutores, por causa dos números.

Bah! Tudo bem, que fechem as cortinas porque eu não quero mais ser um número, eu não quero mais andar para trás!

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