E na morte do sujeito, a universidade

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Olha só que coisa legal: eu sempre fico incentivando meus amigos professores e alunos escreverem algo para este bloguinho - que está crescendo, ficando bonito pra caramba, modéstia á parte - e hoje, pimba! Chega este texto por e-mail. De uma aluna. Minha mãe sempre diz que é pra eu parar com esta coisa de ser muito amiga dos meus alunos. Acho que tem a ver com respeito, ou a falta dele, esta preocupação de minha mãe. Às vezes eu penso que ela tem razão, e então penso que não nasci pra ser professora, que prefiro ser amiga. De qualquer forma, adorei o texto, e cá está ele. Agora só falta o seu (entre em contato!), para que este blog fique cada dia um pouco mais democrático, várias pessoas, várias idéias, várias culturas. Um debate verdadeiro entre professor, aluno e universidade.



Texto escrito por Letícia Mendonça

"Sou aluna de Graduação em Educação Física e, devido o meu interesse por este blog, fui convidada a escrever sobre algo de minha escolha, que tivesse como eixo a Universidade e a vida acadêmica em geral. Foi uma escolha difícil, pois são vários os subtemas que eu poderia e gostaria de abordar! Demorei, mas decidi por escrever sobre a relação professor-aluno, já que a vivencio diariamente. Na verdade é um desabafo, porque a Universidade pode ser um espaço muito cruel, tanto para alunos quanto para professores!

Cruel para alunos, pois estes, muitas vezes, são rotulados como crianças, que não sabem nada e que são incapazes de expor ou produzir algo substancialmente relevante. Os professores não levam em conta que os alunos são seres humanos que já passaram por algumas experiências interessantes e que poderiam contribuir muito para o processo de construção de conhecimento. O aluno não tem voz, não tem vontade própria, não é sujeito de seu próprio aprendizado e os professores, egocêntricos, fazem dos alunos a piada do dia quando estes não agem de acordo com suas vontades ou lhes dão exatamente aquela resposta que ele ensinou! Os alunos, nesses casos, são meros receptores e reprodutores de conhecimento!

Cruel para professores quando os alunos estão preocupados apenas com um diploma, fazendo das suas aulas um martírio, pois ninguém se mostra interessado e nem tem o mínimo de respeito pelo profissional e nem pelo ser humano que está ali disposto a dividir experiências e conhecimentos, preocupado em orientá-los no processo de ensino-aprendizagem. Muitos desses alunos não sabem sequer o que estão fazendo na universidade, alguns estão por pressão dos pais, outros estão para fazer novos amigos, beber e brincar. São vítimas de si mesmos!

Isso tudo é muito triste porque a universidade deveria ser um espaço de construção de conhecimento onde alunos e professores devessem trocar informações e aprender um com o outro. Deveria ser um espaço de amizade entre aluno e professor! Uma amizade madura, sem tentativas de tirar vantagens através dela! Com certeza haveria maior respeito e prazer em aprender!

Aproveito aqui para agradecer a oportunidade e parabenizar às pessoas que lutam para fazer da universidade um espaço mais justo e mais verdadeiro!"

4 comentários:

Prof. Teresa disse...

Obrigado pela visita. Não me preocupo muito com isso de ser amiga de alunos. Sou, de certeza, amiga de ex-alunos. De resto, não consigo entender um processo de ensino-aprendizagem separado dos afectos. Afinal, somo humanos, trabalhamos como humanos e é bom, que neste mundo, não nos esqueçamos disso. Sorrio sempre na primeira aula porque aliás, é essa a minha forma de ser. Quando preciso de me zangar, também o faço.
Um abraço e continuação de bom trabalho!

taizinha disse...

Amen!
Eu gosto muito de ensinar e não me importo nada de ser amiga dos alunos. Tenho grandes amigos que foram meus alunos.

Anna disse...

Letícia, adorei seu texto. Que bom seria se a universidade fosse um espaço mais maduro, de troca como você propõe. Que bom seria se em nosso país não existisse aprovação automática. Que bom seria tantas coisas...

letícia disse...

Pois é Anna!
Mas por isso é tão importante promover debates e troca de idéias em espaços como este!
Quem sabe um dia não conseguimos mudar algumas coisas, não é!
Que bom que gostou do texto!
Bjos,
Le.