Menos 10

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Quem acompanha este blog já deve ter notado que eu estou em guerra, lutando por uma vaga no doutorado. E quem acompanha este blog também já deve saber que no ano passado eliminaram a banca do meu processo de ingresso ao doutorado, tornando o processo visivelmente anti-ético e suscetível a questionamentos, e é justamente por isso que eu ando com os dois pés atrás. É cruel você ter certeza que seu currículo é melhor, sua dissertação de mestrado é melhor e que seu projeto de doutorado está redondinho, a cara do orientador. Você estuda borboletas azuis e o orientador estuda borboletas azuis. E no tal do processo sem banca e que, portanto, feriu o edital tornando-o ilícito, não é que o professor resolveu estudar mariposas vermelhas? Tá, estou sendo sutil, mas quem é do ramo acadêmico sabe que fica meio estranho (para não dizer suspeito) um cara que estuda futebol orientar alguém que só estudou balé clássico na vida, embora ambos tenham como fundo o esporte, ou sua pedagogia. E fica mais estranho ainda quando este mesmo cara te diz, no dia da entrevista sem banca:

1. Que a pessoa que estuda mariposas vermelhas têm mais a ver com ele do que você (e daí ele desconsidera todos os anos nos quais você trabalhou no projeto dele de borboletas azuis);

2. Que com ele é assim que a coisa funciona, que no próximo concurso quem vai entrar no mestrado é o Fulano (pelo menos este também estuda borboletas azuis), pronto e acabou.

A pergunta que fica é: para quê concurso, processo seletivo ou coisa que o valha diante de um processo tão ilegítimo como este? Pelo menos tem programa de pós-graduação que é mais honesto. Que lhe pede no ato de inscrição uma carta do possível orientador contendo um aval para seu projeto. Muito mais honesto, com certeza. Tá, tá bom, eu não tenho mais nada a ver com esse cara ai de cima e, convenhamos, cada um com sua ética. Confesso que, depois disso, a minha ficou abalada.

De qualquer forma posso dizer que, mesmo eu estando com os dois pés atrás, hoje eu estou mais forte do que nunca. Me sinto assim porque professores candidatos a orientadores, gente que eu nunca vi antes, selecionaram meu projeto num conjunto onde foram barrados cerca de 50% dos que se inscreveram. Claro que eu fiquei feliz e me empolguei. Quer dizer, no mínimo eles querem me ouvir e no mínimo eu já bati 10 candidatos, e isso significa:

1. Que o processo seletivo é honesto;
2. Que eles não me dirão que eu estou lhes causando grande problema participando do processo seletivo (que é público) como eu ouvi na ocasião do ano que se passou.

Sinceramente, e nem sei se é ou não uma questão de orgulho, mas se eu passar por este terá sido por mérito exclusivamente meu, o que me gratifica saber e me permite deitar a cabeça no travesseiro e dormir todas as noites. Só para concluir, eu gostaria de dizer ao cara das borboletas azuis que não, não fui eu quem lhe causou tanto mal como poucas pessoas lhe fizeram na vida (palavras dele), mas sim, foram os resultados de seus próprios atos. São eles que nos deixam sem dormir.

2 comentários:

irmã caçula disse...

É!
Já é de se orgulhar quando o seu trabalho foi selecionado entre os dez melhores! Principalmente quando se percebe que o sistema de seleção e as pessoas nele envolvidas são honestas e éticas! Mas nós sabemos que aquela pessoa que dedica a vida a esse trabalho (porque acredita muito nele, e eu também!) vai ter a recompensa merecida (a vaga!)
Mas desde já parabenizo pela grande conquista, porque ter o trabalho selecionado entre os dez melhores é só pra quem merece!
Bjos.

Anna disse...

Ae profa!!!! A gente sabe que isso significa nada e tudo ao mesmo tempo. Se por um lado ainda está dificil a vaga, por outro se tem a satisfação e o reconhecimento num sistema tão ruim. Aquela história do joio e do trigo. Nem sempre os mais capacitados é que estão lá, ou, às vezes, a concorrência é mesmo grande. Estou na torcida profa, quero ver vc virar a mesa com classe. Beijão. Anninha