Enquadramento

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Tem tempos que órgãos como a CAPES, o CNPq, a FAPESP entre outros vêm enquadrando os professores. Somando-os, diminuindo-os, julgando-os. O CNPq é o mais presente porque é ligado ao governo. E nos últimos anos a coisa esquentou, disseram que 30% dos professores nas universidades deveriam ser, no mínimo, mestre; e deste número também atribuiram um caraga aos doutores. Isso é bom porque as universidades particulares tiveram que se preocupar com seu quadro docente. É ruim porque estas mesmas universidades estão diminuindo o salário dos professores (doutores são mais caros do que graduados) e estão, também, aumentando a carga horária dos que permanecem. Notem que carga horária em universidade particular é carga horária em sala de aula. As leis dizem que um professor deveria trabalhar, no máximo, 30 horas por semana em sala de aula. Tenho muitos amigos que estão muito além disso (dão aulas em mais de uma instituição). Estão sem voz, inclusive. Tem outra lei que diz que as turmas não deveriam passar de 50 alunos, que após isso o professor ganharia um somatório por cabeça. Ou seja, os professores que trabalham com 100 alunos em sala de aula deveriam receber o dobro. Mas andam demitindo os professores para recontratá-los a preços mais baixos. 5 reais a menos na hora aula de um professor faz mesmo muita diferença (é como reajustar as tarifas do transporte público). Faz diferença para o professor e não para a instituição. Esta poderia economizar em águá, investir em reciclagem, montar outras frentes de economia e cuidar um pouquinho mais da qualidade. Quer dizer, são os professores que sustentam uma instituição de ensino. Se não são bons não há aprendizado. Óbvio, os professores passam uma imagem. Por exemplo, o cara da banca que se levantou na minha entrevista de doutorado e foi atender ao telefone como se eu não existisse não teve uma ação ética e feriu a imagem da instituição que representa porque eu passei a não ver vantagens em se estudar lá. Não com um professor imbecil como este. É claro que só estou esperando virar o ano para escrever uma carta aberta, porque pessoas como esta devem responder pelos seus atos. E carta com nome e sobrenome pode vir a ser um problema. O problema que eu vejo é que, academicamente, as pessoas se bajulam (quando deveriam se enfrentar, mas no bom sentido, claro!). Daí que surgem estes abusos de poder. Muita gente da minha área questiona ações do CNPq e cia. Eu acho que estas ações têm mais pontos positivos do que pontos negativos, principalmente no que diz respeito aos programas de pós-graduação. Fez muito professor levantar a bunda da cadeira e fazer coisas. Se estavam acostumados a não fazerem pesquisas ou a publicarem qualquer coisa, agora eles têm que fazer coisas (uma só não basta!), e de qualidade! Têm que publicar internacionalmente e internacionalmente as regras da ciências são mais rígidas. Por certo que mesmo assim aparece muita coisa ruim, mas que esta rigidez eleva o nível das pesquisas nacionais e em muitas ocasiões as transformam em ações sociais, ou deveriam. Olhando a perspectiva mais funcional da coisa, se 70% do país é analfabeto funcional, os centros de pesquisas têm mesmo muito com o que se preocuparem. Ou podemos continuar com a nossa bunda na frente da televisão e achar coisa normal os políticos aumentarem seus próprios salários em quase 100%, de 7 mil para 14 mil.

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