De volta à Pós-Graduação!

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Tá, as aulas na pós voltaram. Voltaram? Semestre que vem preciso lembrar de não aparecer na primeira semana de aula, só na segunda. É que viajar 150 quilômetros para um recado na porta: "aulas? só na próxima semana", não está com nada. Não mesmo. Semana que vem. Só na semana que vem. Hoje não. "Só depois de amanhã", como diria Álvaro de Campos.

Esta ousadia do amanhã, esta ousadia "Fernando Pessoa" de dizer "levarei amanhã a pensar em depois de amanhã" parece estranha para quem está de fora, para aqueles que estão adaptados em suas rotinas, com cartão e ponto pra bater. É estranha para mim, que estou dentro. Na universidade pública é diferente, nela se pode dizer: "não, hoje nada; hoje não posso". Amanhã, talvez. Hoje tudo bem querer dar só metade da aula, ou nem isso. Hoje tudo bem deixar pra depois.

Passados dez anos eu ainda não aprendi. É que um ou dois anos distante, um ou dois anos em outros mundos devolve uma certa esperança de que "hoje" poderia ser diferente. De que "hoje", hoje sim! Só que eu me cansei de dar murro em ponta de faca e talvez eu não queira mais honrar o dia de hoje, nem o de amanhã. Depois de amanhã, talvez. Hoje, amanhã e depois talvez eu queira apenas me dar o direito de aproveitar o tempo com coisa melhor, diferente deste engodo que é a pós-graduação.

Cansaço, talvez seja mesmo só isso, e talvez para outros a pós-graduação não seja um engodo. Para alguns a universidade pública nem é endogâmica. Levam-na a sério. E eu sei que estas pessoas existem, já que delas ouço falar. Ouço falar bem, muito bem, inclusive, pois geralmente fazem a diferença. Se tenho dificuldades em encontrá-las, admito, não as tenho procurado direito e talvez seja apenas cansaço mesmo, daqueles que pegam a gente no contra-golpe da certeza de que tudo continua a mesma coisa, depois de tanto esforço para mudar.

Um cansaço discente para uma sensação de tempo perdido, já que as disciplinas que são oferecidas para o mestrado são as mesmas oferecidas para o programa de doutorado, restando-me a mesmice de outrora. Um cansaço por conseqüência, arrisco em dizer.

"No entanto eu levanto uma hora mais cedo
E me mando em busca de um tempo perdido
Evidente que eu tento de tudo que é jeito
Mas não acho, meu tempo está sempre escondido"

Tempo Escondido (Ná Ozzetti e Luiz Tatit)
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1 comentários:

Anônimo disse...

lindo o trecho da música!!! e suas aspas é claro"

"Se tenho dificuldades em encontrá-las, admito, não as tenho procurado direito e talvez seja apenas cansaço mesmo, daqueles que pegam a gente no contra-golpe da certeza de que tudo continua a mesma coisa, depois de tanto esforço para mudar".

é por aí...
bjao soll