a banca

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A BANCA (dos escritos antigos)


Para aqueles que pensam em entrar num mestrado, num doutorado ou prestar um concurso público vai a dica de que nem sempre a competência é a alma do negócio. E se por um acaso você não puder ser o dono da banca (geralmente é ele quem dá as cartas, marcadas?), seja, no mínimo, seu melhor amigo. Prostitua-se academicamente, se assim for necessário. Não é tão cruel se você pensar na perspectiva dos interesses, que sempre são subjetivos e, portanto, inexplicavelmente válidos. Mas, se você não concorda, vire a banca pois, de fato, não se trata de um jogo de azar.

Quando se presta um concurso o que a gente quer (ou deveria) é abafar a banca, ou seja, causar admiração, e pelo talento. E tem muita gente por aí que, ao contrário, vai botar a maior banca: vão tentar vangloriarem-se por suas qualidades ou bens pessoais, por sua posição, seu status. Ou então preferirão causar admiração pela beleza, as mulheres principalmente, e com o sublime intuito sedutor de levar os homens à banca rota. O inverso também existe, mas o golpe da barriga, este ainda é insuperável, dá às mulheres um certo poder estarrecedor e é bom que se esclareça, o lugar do poder é assim mesmo: autocrático e subjetivo.

Mas se estamos falando de concurso, a democracia, de fato, deveria sobrepor-se. E está representada pela própria idéia de se constituir uma banca de avaliação. Uma banca pressupõe que um grupo de pessoas supostamente qualificadas e eticamente comprometidas.

No entanto, sempre que se quer pensar em democracia, criam-se bancas em nome do compromisso ético. Trata-se de um conjunto de pessoas que têm como função avaliar uma situação ou representá-la considerando outros pontos de vista. Mas a banca examinadora, um grupo de pessoas supostamente qualificadas e eticamente comprometidas, está lá para exercer um papel democrático, pois tratam do conjunto das idéias e opiniões daqueles que a compõem, nem que o parecer final tenha sido pelo voto, representando a maioria. Sem exercer este papel a banca perde respeitabilidade, vide o exemplo do Poder Público. Nestes casos a banca não passa de uma mesa, um tampo sobre cavaletes, grande e de qualidade inferior. Quer dizer, neste caso nem a mesa é uma simples mesa, existem aqueles que a compõem e a mesa volta ao seu lugar de banca. ele pode ser diferente. Basta que se construa uma outra banca, um conjunto de poderes a tomar decisões de causas discutidas e avaliadas, para que se torne democrático.

Garantem a participação de todos, Mas tem gente que não bota banca, mas que também não tem opinião formada ou, pior, não compreende o sistema em que está inserido e as decisões passam a ser subjetivas antes de serem democráticas. Eu também já fiz isso por diversas vezes e sei que vou continuar por mais algumas outras tantas. Não tem como fugir porque a banca ela está sempre lá. Está no jornaleiro, no mobiliário e no jogo de cartas. Eu escolhi o caminho mais difícil, preferi quebrar a banca.

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