Cairá o Rei? Pró-reitor diz que não está nem aí, hein?

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Pró-reitor da unigranrio disse não se importar com o vestibular. E se pra ele, e outros como ele, tanto faz, quem é responsável pela qualidade do Ensino Superior Particular num sistema onde o MEC dá autonomia para que estas instituições cuidem de si?

Pra que serve um reitor? E um pró-reitor?

O reitor é aquele que rege, governa, administra ou dirige alguma coisa, no caso do Ensino Superior, uma universidade ou certas corporações escolares. Já o pró-reitor é o homem que está antes do reitor e assume algumas legalidades em termos de distribuição de algumas funções. Pode-se dizer que se trata de um filtro ante a reitoria, mas não diminui a legitimidade do cargo.

Em "Cai o Rei de Ouros, Cai o Rei de Paus: os estudantes chacoalham o sistema", alertei para o fato de que, nos últimos tempos, alguns estudantes têm derrubado alguns grandes personagens do Ensino Superior atual, geralmente envolvidos em escândalos, corrupção ou por terem dito algo que lhe fugia à competência, fatos caracterizados por menosprezo, preconceito e irresponsabilidade.

Nesta matéria do Fantástico, o pró-reitor admite: “Mesmo não estudando para o vestibular, você pode fazer esta prova até no chute. Eu, por exemplo, que estou defasado, posso fazer 25 pontos”, e completa quando o repórter pergunta qual é a nota mínima de corte, por exemplo, num curso como administração: “Eu não me preocupo com isso. Olhando nos seus olhos: eu não me preocupo com isso. Eu não preciso disso. Eu não valorizo isso”.

Ao se pensar nas denúncias da matéria exibida:

- 5 milhões de candidatos para o Ensino Superior;
- 2, 5 milhões de vagas disponíveis, sendo 300 mil em Universidades Públicas;
- 80% dos universitários estão na rede particular de ensino;
- 100 faculdades, em média, surgem por ano na rede particular, o que aumenta a concorrência;

fica claro, como diz o educador Zacarias Gama, que “esse sistema particular se inchou e precisa de alunos como condição de sobrevivência. Ele começa a usar estratégias de mercado no sentido de ter o aluno que ele precisa com o potencial de pagar a mensalidade, com potencial de comprar as coisas que existem dentro dos seus shoppings, menos interessado talvez no seu mérito acadêmico, na reflexão que o aluno é capaz de fazer. Então, é um grande mercado de diplomas”.

Desta feita, há uma banalização dos vestibulares o que implica em levar para o Ensino Superior alunos despreparados e descontextualizados. Então eu pergunto: também haverá mobilização destes estudantes, quer dizer, dos estudantes que são alunos da unigranrio e, portanto, submetidos à fala do pró-reitor, para derrubá-lo? Cairá o rei? Tomarão a reitoria? Fica a dúvida...


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